Angola produziu 15,19 milhões de quilates de diamantes em 2025, um crescimento de cerca de 8% face ao ano anterior, superando as metas inicialmente definidas no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023–2027.
Os dados, avançados nesta Terça-feira, em Luanda, pelo secretário de Estado para os Recursos Minerais, Jânio Corrêa Víctor, confirmam a resiliência do sector num contexto internacional marcado por pressões sobre os preços e transformação estrutural da indústria.
O volume alcançado ultrapassou não apenas a meta inicial do PDN, fixada em 15,13 milhões de quilates, como também a meta revista de 14,8 milhões, mostrando uma execução acima do previsto e reforçando o papel estratégico do subsector diamantífero na economia nacional.
No plano externo, Angola exportou mais de 17 milhões de quilates ao longo do ano, gerando receitas brutas de 1,6 mil milhões de dólares. Os Emirados Árabes Unidos consolidaram-se como principal destino, absorvendo 78,6% das exportações, seguidos pela Bélgica, com 19,9%, o que evidencia uma forte concentração geográfica dos mercados compradores.
Apesar do crescimento expressivo do volume comercializado, que aumentou cerca de 70% face a 2024, o valor global registou uma subida mais moderada, de 6,7%. Este desfasamento reflecte uma estratégia deliberada de compensação da queda dos preços internacionais através do aumento da produção e das vendas, num mercado pressionado pela crescente penetração de diamantes sintéticos e por uma procura mais selectiva.
De acordo com o governante, o sector deverá evoluir gradualmente para um cenário de maior estabilização, ainda condicionado por factores externos, mas já com sinais de reequilíbrio sustentados por maior disciplina na oferta e ajustamentos na cadeia de valor.
“Para o período em curso, antevê-se uma evolução gradual no sentido da estabilização do mercado, ainda condicionada por factores externos, mas já com sinais de reequilíbrio, sustentados por uma maior disciplina na oferta e por uma procura mais selectiva”, disse Jânio Corrêa Víctor.
Ainda assim, persistem desafios estruturais. A concorrência dos diamantes laboratoriais, a desaceleração da procura global e a reconfiguração dos canais de comercialização continuam a pressionar o sector. Neste contexto, Angola procura posicionar-se como um produtor mais resiliente e credível no mercado internacional, apostando no aumento da produção, na transparência e na consolidação de parcerias estratégicas.




