O Brasil vai investir 47,7 milhões de reais, cerca de 9,5 milhões de dólares, em bolsas de pós-graduação destinadas a 2.600 estudantes africanos no próximo ano, numa iniciativa que reforça a aposta do governo brasileiro na cooperação académica e diplomática com o continente africano.
O programa prevê a atribuição de 1.600 bolsas de mestrado e 1.000 bolsas de doutoramento, permitindo que estudantes africanos frequentem universidades e institutos de ensino superior brasileiros durante períodos de até dez meses.
O anúncio foi feito durante o 1.º Fórum de Reitores Brasil-África, realizado em Brasília, encontro que reuniu mais de uma centena de dirigentes universitários e que serviu de palco para o reforço da estratégia brasileira de aproximação ao continente africano através da educação, ciência e produção de conhecimento, segundo a Lusa.
Na abertura do evento, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil “não pode esquecer o compromisso histórico que tem com a África” e voltou a reconhecer aquilo que classificou como uma “dívida histórica” do país para com o continente africano, em referência aos mais de três séculos de escravidão.
O chefe de Estado brasileiro defendeu ainda o aprofundamento da cooperação universitária como instrumento de promoção da diversidade, da inclusão e do desenvolvimento conjunto entre países do Sul Global. Segundo revelou, estão actualmente em vigor mais de 230 acordos entre universidades brasileiras e instituições de ensino superior de 38 países africanos.
“O pensamento crítico caminha lado a lado com a luta anticolonial”, afirmou Lula, associando o fortalecimento das universidades ao combate ao racismo, às desigualdades sociais e às várias formas de discriminação ainda persistentes.
Num discurso com forte carga política, Lula aproveitou igualmente para defender a autonomia universitária e criticar movimentos ligados à extrema-direita, acusando-os de tentarem limitar a liberdade académica e o pensamento crítico.
“A extrema-direita não tolera a autonomia das universidades. Querem calar professores e estudantes, e coibir a diversidade. Negam a ciência, censuram as artes e transformam a sala de aula em instrumento de dominação”, declarou.
O Presidente brasileiro voltou também a posicionar a educação como eixo estratégico para enfrentar alguns dos principais desafios globais, incluindo a fome, as desigualdades sociais e a transição energética.
Os números apresentados pelo Ministério da Educação revelam a crescente presença africana no ensino superior brasileiro. Actualmente, mais de três mil estudantes africanos frequentam a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, enquanto cerca de 4.300 bolseiros africanos de graduação e pós-graduação estudam em diferentes instituições de ensino superior do país.
A iniciativa surge num momento em que o Brasil procura recuperar influência política e diplomática em África, depois de anos de menor protagonismo nas relações com o continente. A aposta na educação e na cooperação académica volta, assim, a assumir-se como um dos principais instrumentos da política externa brasileira junto dos países africanos, em particular os de língua portuguesa.





