Cabo Verde quer transformar escolas em centros educativos ligados à vida real

O Ministério da Educação de Cabo Verde reafirmou, por ocasião do Dia Mundial do Professor, o compromisso com a valorização dos docentes cabo-verdianos e anunciou uma aposta na transformação do sistema educativo, com maior ligação entre as escolas, a vida real e o mundo do trabalho. Na mensagem alusiva à efeméride, assinalada sob o lema…
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Por ocasião do Dia Mundial do Professor, Ministério da Educação reafirma compromisso com a valorização dos professores e defende uma “Nova Gramática de Escolaridade” para aproximar o ensino da vida real e do mundo do trabalho.
Economia

O Ministério da Educação de Cabo Verde reafirmou, por ocasião do Dia Mundial do Professor, o compromisso com a valorização dos docentes cabo-verdianos e anunciou uma aposta na transformação do sistema educativo, com maior ligação entre as escolas, a vida real e o mundo do trabalho.

Na mensagem alusiva à efeméride, assinalada sob o lema “Professor Cabo-verdiano, valorize a profissão que escolheu. Orgulhe-se de ser Professor”, o Ministério destacou o papel dos professores na construção da sociedade, considerando a docência uma das profissões fundamentais para o desenvolvimento do país.

“Nenhuma sociedade se transforma sem aqueles que educam, inspiram e fazem nascer novos sonhos”, sublinha a tutela, numa mensagem em que coloca o professor no centro do processo de formação das novas gerações.

De acordo com o Ministério da Educação, ser professor significa muito mais do que transmitir conhecimentos dentro de uma sala de aula, representando uma responsabilidade directamente ligada à formação dos cidadãos e à preparação do futuro de Cabo Verde.

“Ser Professor é exercer uma das profissões maiores de uma Nação: é formar pessoas, construir cidadãos e preparar o futuro do país”, refere a instituição.

A tutela aproveitou a ocasião para apelar aos professores cabo-verdianos a exercerem a profissão com orgulho, competência, ética e responsabilidade, defendendo que a valorização da classe docente deve acompanhar as mudanças necessárias no sistema educativo.

“Ser Professor é mais do que uma profissão. É uma missão de vida. É ajudar a construir o Cabo Verde que queremos ter”, afirma o Ministério.

Gratuitidade no ensino superior

Entre as medidas já iniciadas este ano, o Ministério da Educação destaca a gratuitidade no ensino superior público, apontando-a como uma das primeiras iniciativas no quadro da estratégia de transformação do sector.

A tutela, no entanto, considera que o acesso gratuito ao ensino superior deve ser acompanhado por uma aposta na qualidade e na relevância da formação oferecida pelas instituições.

Nesse sentido, o Ministério pretende reforçar a ligação entre o ensino superior, a realidade económica e social do país e o mercado de trabalho, de modo a proporcionar aos jovens competências que possam ser aplicadas em contextos concretos.

A estratégia deverá privilegiar não apenas o conhecimento teórico, mas também o desenvolvimento de competências práticas, nomeadamente o saber-fazer, a criação, a inovação e o empreendedorismo.

Arnaldo Brito, ministro da Educação de Cabo Verde.

“Vamos apostar fortemente, também, na melhoria da sua qualidade e, sobretudo, da sua relevância, ligando-o à vida real e ao mundo laboral”, salienta o Ministério.

A intenção, acrescenta a tutela, é garantir um ensino superior capaz de preparar os jovens para responder aos desafios profissionais e sociais, criando condições para que os conhecimentos adquiridos durante a formação possam ser convertidos em competências úteis para a vida e para a economia.

Escolas mais próximas do mundo do trabalho

A transformação defendida pelo Ministério não se limita ao ensino superior. A estratégia deverá abranger todo o percurso educativo, desde o pré-escolar até à universidade.

A tutela pretende transformar as escolas em “verdadeiros Centros Educativos”, com capacidade para preparar os alunos para os desafios da vida e para uma integração mais efectiva no mundo do trabalho.

“Vamos fazer das nossas Escolas (do Pré-escolar ao Ensino Superior) verdadeiros Centros Educativos que, efectivamente, preparam os nossos alunos para a vida”, defende o Ministério.

Para a tutela, esse objectivo passa necessariamente por uma maior aproximação entre o sistema educativo e a realidade social e económica do país.

A ligação entre as instituições de ensino e o mundo do trabalho é apresentada como uma necessidade que está igualmente alinhada com os princípios estabelecidos na Constituição da República e na Lei de Bases do Sistema Educativo.

Segundo o Ministério, as escolas não devem funcionar como espaços isolados da sociedade, mas como estruturas capazes de proporcionar aos estudantes experiências e aprendizagens relacionadas com os desafios que encontrarão fora do ambiente escolar.

“Nova Gramática de Escolaridade”

A concretização desta visão deverá implicar mudanças na própria organização do sistema educativo e nas metodologias utilizadas pelos professores.

O Ministério reconhece que a transformação pretendida exige uma reflexão sobre a forma como as escolas estão organizadas e sobre os métodos utilizados no processo de ensino e aprendizagem.

“É claro que tudo isso, invariavelmente, leva-nos, a repensar a forma como todo o Sistema Educativo está organizado e a forma como trabalhamos”, refere a tutela.

É neste contexto que surge a defesa de uma “Nova Gramática de Escolaridade”, expressão utilizada pelo Ministério para caracterizar a necessidade de inovação nas escolas e de alteração das formas tradicionais de ensinar e aprender.

“Urge inovação nas nossas escolas. Precisamos de uma ‘Nova Gramática de Escolaridade’”, afirma.

A proposta passa por reduzir a dependência exclusiva da sala de aula como espaço de aprendizagem e proporcionar aos alunos experiências concretas em ambientes diferentes, aproximando o conhecimento escolar das situações reais.

“Precisamos sair com os nossos alunos das salas de aula e levá-los para o campo da vida real para experiências concretas”, defende o Ministério.

A abordagem pretende, assim, estimular uma aprendizagem mais prática e participativa, na qual os estudantes possam aplicar conhecimentos, resolver problemas, desenvolver competências e compreender melhor a relação entre o que aprendem na escola e as exigências da sociedade.

Professor como facilitador da aprendizagem

Outra das mudanças defendidas pela tutela diz respeito ao papel do professor no processo educativo.

O Ministério considera necessário evoluir de um modelo excessivamente centrado na transmissão de conteúdos para uma abordagem que coloque maior ênfase na aprendizagem efectiva dos alunos.

“Precisamos de Professores que ensinam cada vez menos e apostem mais na aprendizagem”, afirma a instituição.

A ideia, segundo a mensagem, não significa diminuir a importância do professor, mas reforçar o seu papel enquanto orientador e facilitador do processo de aprendizagem, criando condições para que os alunos desenvolvam autonomia, pensamento crítico, criatividade e capacidade de aplicar os conhecimentos.

A aposta deverá também contribuir para despertar nos estudantes competências relacionadas com a inovação, a criação e o empreendedorismo, consideradas fundamentais para responder às transformações do mundo laboral.

Valorização da profissão docente

Apesar da necessidade de reformas no sistema educativo, o Ministério coloca a valorização dos professores como uma das condições fundamentais para que as mudanças pretendidas possam ser concretizadas.

A tutela considera que a qualidade da educação está directamente relacionada com a preparação, motivação e reconhecimento dos profissionais que trabalham diariamente nas escolas.

Por isso, no Dia Mundial do Professor, a instituição reiterou o compromisso de trabalhar em conjunto com os docentes para elevar a qualidade do ensino e reforçar o reconhecimento social da profissão.

“Podem contar com a nossa determinação em trabalhar, juntos, para valorizarmos o Professor Cabo-verdiano e melhorarmos todo o nosso Sistema Educativo”, garante o Ministério.

A mensagem procura, deste modo, associar a celebração da data a um processo mais amplo de transformação da educação cabo-verdiana, no qual a valorização dos professores deverá caminhar lado a lado com a inovação das escolas, a melhoria da qualidade do ensino e a aproximação entre educação e mercado de trabalho.

Uma escola preparada para o futuro

No entendimento da tutela, a escola cabo-verdiana deve assumir um papel cada vez mais relevante na preparação dos jovens para os desafios do futuro, não apenas através da transmissão de conhecimentos, mas também pela criação de oportunidades para que os alunos desenvolvam capacidades práticas e explorem as suas potencialidades.

A aposta numa “Escola Relevante” deverá, assim, constituir uma das bases da transformação pretendida, com o objectivo de despertar nos estudantes competências que possam ser utilizadas ao longo da vida.

“Vamos, todos, apostar numa Escola Relevante que faça despertar nos nossos alunos todas as suas potencialidades, para um novo Cabo Verde”, conclui o Ministério da Educação.

A mensagem do Dia Mundial do Professor coloca, desta forma, a valorização da classe docente e a reforma do sistema educativo no centro da agenda da educação cabo-verdiana, com uma visão que procura aproximar o ensino das necessidades concretas dos estudantes, da sociedade e do mundo do trabalho.

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