O Executivo angolano pretende transformar o Festival Internacional de Cinema (FIC) de Angola num instrumento de estruturação de uma indústria cinematográfica sustentável, capaz de atrair investimentos, gerar emprego e projectar a produção nacional nos mercados internacionais.
A intenção foi manifestada pelo ministro da Cultura, Filipe Zau, na abertura da 8.ª edição do festival, que regressa este ano após 12 anos de interrupção.
Ao discursar na cerimónia, realizada esta Quarta-feira, na Cinemateca Nacional, em Luanda, o governante defendeu a necessidade de criar condições para que o talento e a criatividade dos profissionais angolanos se convertam em oportunidades económicas, negócios e maior competitividade para o sector audiovisual.
Para Filipe Zau, a retoma do festival representa mais do que a recuperação de uma iniciativa cultural, constituindo uma oportunidade para revitalizar o diálogo entre os profissionais, estimular a criatividade, promover o intercâmbio de experiências e abrir novas perspectivas para a produção e divulgação do cinema nacional.
“Este regresso acontece num momento de crescente dinamismo do sector cultural angolano e representa mais do que a volta de um evento. Constitui uma oportunidade para revitalizar o diálogo entre os profissionais do sector, estimular a criatividade, promover o intercâmbio de experiências e abrir novos caminhos para a produção e a difusão do cinema nacional”, afirmou.
O ministro sublinhou que o objectivo do Executivo é fazer do evento um parceiro activo na consolidação de uma verdadeira indústria cinematográfica, com capacidade para criar oportunidades para os jovens e afirmar Angola no panorama internacional. Uma ambição que, contudo, depende da existência de condições estruturais para transformar a produção artística numa actividade economicamente sustentável.
Entre as medidas em curso, Filipe Zau destacou as acções desenvolvidas pelo Executivo, nos últimos dois anos, para a reabilitação de salas de cinema e a recuperação de espaços ligados à memória colectiva dos angolanos, bem como os trabalhos de regulamentação da Lei do Cinema e do Audiovisual.
“Ao longo dos últimos dois anos, temos vindo a trabalhar na reabilitação de salas polivalentes, desenvolvendo vida nos espaços que fazem parte da nossa memória colectiva. paralelamente, trabalhamos em concertação do regulamento da lei, do cinema e do audiovisual, conscientes que o desenvolvimento de uma indústria cinematográfica sustentável e criatividade, mas também um quadro legal adequado políticas consistentes e condições que favoreçam o investimento e a produção nacional”, apontou.
O governante considerou que o desenvolvimento do sector exige não apenas talento e criatividade, mas também um quadro legal adequado, políticas públicas consistentes e condições que incentivem a produção nacional e a participação de investidores.
Reconheceu, entretanto, a existência de desafios que exigem maior articulação entre o Estado e a sociedade civil, sobretudo na definição de políticas orientadas para o desenvolvimento da cultura e das indústrias criativas.
Neste contexto, destacou o papel da Associação Angolana de Profissionais de Cinema e Audiovisual (APROCIMA), cuja intervenção considerou essencial para a organização, valorização e representação dos profissionais do sector.

Cultura é aliada do crescimento económico
Filipe Zau chamou igualmente a atenção para a dimensão económica do cinema e das restantes manifestações artísticas, defendendo que a cultura deve ser encarada não apenas como património e expressão da identidade nacional, mas também como fonte de emprego e de desenvolvimento económico e social.
Na sua perspectiva, a diplomacia cultural pode funcionar como instrumento de atracção de investimentos e criação de oportunidades de negócio, na medida em que a divulgação da realidade angolana favorece o estabelecimento de parcerias e a aproximação a outros mercados.
O ministro destacou também a função social do cinema, considerando que a produção cinematográfica, mesmo através da ficção, permite reflectir sobre os problemas da sociedade, combater preconceitos e denunciar estereótipos e discriminações.
“A linguagem cinematográfica tem capacidade para combater preconceitos, denunciar estereótipos e discriminações, além de contribuir para a promoção dos direitos humanos, da paz, da justiça social e do Estado de Direito democrático”, disse o governante.
O governante atribuiu ainda à linguagem cinematográfica um papel na promoção dos direitos humanos, da paz, da justiça social e do Estado de Direito democrático, bem como na aproximação entre povos e culturas.
Defendeu, por outro lado, a valorização das artes como instrumento educativo, sublinhando a importância de integrar a cultura e a cidadania na formação das crianças e dos jovens. Para Filipe Zau, a educação artística contribui para o desenvolvimento da personalidade, do sentido de responsabilidade e da capacidade de reflexão.
O ministro manifestou confiança na criatividade e na capacidade de trabalho dos profissionais angolanos, considerando que a cooperação com artistas e produtores estrangeiros poderá elevar a qualidade das produções nacionais e ampliar a presença do cinema angolano nos circuitos internacionais.
Aproveitou igualmente a ocasião para reconhecer o contributo dos pioneiros do cinema nacional, defendendo a preservação do legado construído ao longo das décadas e a criação de oportunidades para as novas gerações.
A 8.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Angola conta com o envolvimento da ANIC e da produtora Geração 80, entidades destacadas pelo ministro pelo seu contributo para a concretização do evento.
Ao declarar oficialmente aberta a edição de 2026, Filipe Zau manifestou o desejo de que o festival tenha continuidade, cresça de edição em edição e se consolide como uma referência da cultura nacional e da cinematografia internacional.




