Cabo Verde tem uma expressão que diz muito sobre a sua forma de estar no mundo: No Stress.
À primeira vista, pode parecer apenas um lema descontraído de uma ilha habituada ao sol e ao mar. Mas, depois de vários dias no Fórum de Investimento da África Lusófona, organizado pela IFC, percebi que estas duas palavras encerram uma filosofia muito mais profunda: a capacidade de enfrentar desafios complexos com serenidade, pragmatismo e confiança no futuro.
Tive o privilégio de moderar os painéis dedicados a Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, três mercados distintos, com realidades próprias, mas unidos por uma ambição comum: atrair investimento, acelerar o crescimento e transformar potencial em oportunidades concretas.
Em palco, ouviu-se falar de infraestruturas, turismo, agronegócio, logística, financiamento e competitividade. Mas, acima de tudo, ouviu-se falar de visão. Da necessidade de criar condições para que o sector privado invista. Da importância da estabilidade e da previsibilidade. E da crescente consciência de que o desenvolvimento exige não apenas capital, mas também capacidade de execução.
Os painéis mostraram uma África lusófona cada vez mais consciente do seu lugar no mapa do investimento internacional. Uma região que deixou de falar apenas do seu potencial para começar a discutir, de forma cada vez mais concreta, projectos, metas e resultados.
Mas o jornalismo tem um privilégio único: permite-nos ir além das intervenções formais.
Entre sessões, nos corredores, à volta de um café ou numa conversa improvisada após um painel, surgem frequentemente as reflexões que ajudam a compreender o que está verdadeiramente a acontecer. Não substituem o debate em palco; complementam-no. Acrescentam-lhe contexto, profundidade e humanidade.
Foi precisamente aí que encontrei algumas das histórias mais interessantes destes dias. As preocupações dos investidores. As expectativas dos empresários. As prioridades dos decisores públicos. As oportunidades que ainda não chegaram às apresentações institucionais, mas já estão a ganhar forma no terreno.
É esse equilíbrio que torna eventos como este particularmente relevantes: o debate estruturado que acontece em palco e as conversas francas que acontecem fora dele.
Por isso, o meu agradecimento à equipa da IFC e a toda a organização pela confiança renovada na nossa Forbes. Pelo segundo ano consecutivo, Cabo Verde voltou a reunir líderes empresariais, investidores e responsáveis públicos de toda a África lusófona em torno de uma agenda comum de crescimento e cooperação.
Num tempo em que tantas vezes se fala das diferenças entre mercados, este fórum recorda-nos aquilo que nos aproxima.
E foi impossível não sair com uma sensação de optimismo. Não porque os desafios tenham desaparecido. Estão bem presentes. Mas porque existe uma crescente determinação em enfrentá-los com ambição, realismo e colaboração.
Talvez seja essa a verdadeira tradução de No Stress. Que agora passa a bola para Luanda onde se realizara o encontro de 2027 e onde lema é “Estamos Juntos”.





