Cursos de língua portuguesa suspendidos em mais de uma dezena de universidades na China

Mais de dez universidades no interior da China suspenderam estudos de língua portuguesa nos últimos três anos, após um pico de cerca de 60 instituições com oferta curricular, indicou esta Quarta-feira, 16, o Instituto Português do Oriente (IPOR). "Existem 39 universidades da China com cursos de português, a que somamos mais cinco de Macau, ou…
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Dezenas de instituições abriram cursos, num crescimento descrito como exponencial: de acordo com fontes consultadas pelo autor, no ano lectivo 2012/2013 eram 19 universidades; em 2017 chegavam a 37 e em 2022 contabilizavam-se 56, com mais de seis mil alunos e mais de 300 professores.
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Mais de dez universidades no interior da China suspenderam estudos de língua portuguesa nos últimos três anos, após um pico de cerca de 60 instituições com oferta curricular, indicou esta Quarta-feira, 16, o Instituto Português do Oriente (IPOR).

“Existem 39 universidades da China com cursos de português, a que somamos mais cinco de Macau, ou seja, 44 no total”, referiu a direcção do IPOR.

Segundo o instituto, o pico da oferta formativa, foi no ano lectivo 2022/2023, com cerca de 55 a 60 universidades a proporcionarem estudos em português. “Não conseguimos ter dados exatos”, reforçou o IPOR, que tem como missão preservar e difundir a língua e a cultura portuguesas no Oriente.

O académico da Universidade Politécnica de Macau (UPM), Manuel Duarte João Pires, que leccionou anteriormente naquela instituição do interior da China disse que a Universidade de Sun Yat-sen, em Guangzhou, capital da província de Guangdong, vizinha de Macau, foi um dos estabelecimentos visados.

“Tinha um programa de ‘minor’, que era um programa de 2+2, ou seja, de dupla certificação, e agora não tem”, refletiu o académico, também autor do estudo “Vinte anos de ensino de Português na China: exponencial, saturado e o futuro”, publicado em Agosto.

Na investigação, Pires traça o percurso do ensino da língua portuguesa na China, com o primeiro curso de licenciatura a ser estabelecido no Instituto de Radiodifusão de Pequim (hoje Universidade de Comunicação da China), “focado em formar profissionais para atender à demanda de relações diplomáticas com países de língua portuguesa, especialmente aqueles de África que então lutavam pela independência”.

Depois de uma suspensão e “envio de muitos professores e alunos para trabalhos rurais” durante a Revolução Cultural (1966-1976), houve “um renascimento do ensino de línguas estrangeiras”.

Nas últimas duas décadas, o ensino da língua portuguesa passou de uma presença residual para uma expansão acelerada.

Até 2005, aponta o autor, apenas três universidades ofereciam licenciaturas em português, mas a “globalização e modernização da China” e a intensificação das relações económicas com países de língua portuguesa, sobretudo Brasil e Angola, transformou o idioma numa ferramenta de empregabilidade.

Dezenas de instituições abriram cursos, num crescimento descrito como exponencial: de acordo com fontes consultadas pelo autor, no ano lectivo 2012/2013 eram 19 universidades; em 2017 chegavam a 37 e em 2022 contabilizavam-se 56, com mais de seis mil alunos e mais de 300 professores.

Nos últimos anos, diz a Lusa, esse crescimento entrou em fase de estagnação, com a suspensão de cursos e universidades a redimensionarem a oferta.

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