Dangote lança maior IPO de África e avalia refinaria em quase 49 mil milhões USD

O bilionário nigeriano Aliko Dangote lançou a maior Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) de acções de África, numa operação que poderá captar até 2,1 mil milhões de dólares e elevar para cerca de 49 mil milhões de dólares a avaliação da refinaria de petróleo que controla. A oferta coloca aproximadamente 3% da…
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A Nigéria prepara uma das maiores operações do seu mercado de capitais com a entrada em bolsa da refinaria Dangote, numa Oferta Pública Inicial (IPO) que poderá captar até 2,1 mil milhões de dólares.
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O bilionário nigeriano Aliko Dangote lançou a maior Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) de acções de África, numa operação que poderá captar até 2,1 mil milhões de dólares e elevar para cerca de 49 mil milhões de dólares a avaliação da refinaria de petróleo que controla.

A oferta coloca aproximadamente 3% da refinaria à disposição dos investidores e surge depois de uma colocação privada realizada em Julho ter permitido captar 2,5 mil milhões de dólares por uma participação de 6%. Nessa operação, a empresa foi avaliada em cerca de 40 mil milhões de dólares.

Dangote, segundo a CNBC Africa,  apresentou a operação como uma “IPO do povo”, defendendo que a abertura do capital permitirá aos nigerianos participar directamente no crescimento de um dos activos industriais mais relevantes do país. O empresário afirmou que o objectivo é “democratizar a criação de riqueza”.

A dimensão da operação e a diferença de avaliação entre a colocação privada e a oferta pública reflectem também o interesse crescente dos investidores pelo activo. Segundo o CEO da refinaria, David Bird, o desconto concedido aos investidores institucionais em Julho esteve relacionado com determinadas condições, incluindo um período de bloqueio das acções, que estes aceitaram.

Na principal bolsa de valores da Nigéria, a oferta poderá arrecadar 2,15 biliões de nairas, equivalentes a cerca de 1,6 mil milhões de dólares, caso seja totalmente subscrita. O montante poderá subir para aproximadamente 2,1 mil milhões de dólares se a operação for sobredimensionada e a empresa accionar a opção greenshoe, que permite a emissão de acções adicionais.

Um dos elementos que pretende ampliar a participação popular é o baixo valor mínimo de entrada. Os investidores de retalho poderão adquirir a partir de 10 acções através de plataformas de fintech e outros canais de investimento digital, correspondendo a uma aplicação inicial de cerca de quatro dólares.

A fasquia é inferior à de outras grandes ofertas dirigidas ao pequeno investidor no mercado nigeriano. Na oferta pública da MTN Nigeria, em 2021, o investimento mínimo rondava os oito dólares, tendo em conta a taxa de câmbio da época.

O interesse entre os investidores de retalho já se reflecte nas plataformas digitais. A aplicação de investimentos Bamboo informou que registou um volume de tráfego muito superior ao habitual devido ao lançamento da IPO, ao ponto de alguns utilizadores terem enfrentado dificuldades de acesso.

Refinaria ganha peso estratégico

A operação bolsista ocorre num momento em que a refinaria Dangote assume uma importância crescente no mercado energético nigeriano e regional.

Construída nos arredores de Lagos com um investimento estimado em cerca de 20 mil milhões de dólares, a unidade iniciou operações em 2024 e tem vindo a alterar a estrutura do mercado de combustíveis da maior economia de África.

A refinaria tem actualmente capacidade para processar 700 mil barris de petróleo bruto por dia e pretende elevar essa capacidade para 1,4 milhões de barris diários até 2029.

Para analistas da Renaissance Capital Africa, a dimensão da unidade é suficientemente relevante para ter alterado a posição da Nigéria no mercado de produtos petrolíferos refinados, passando o país de importador líquido a exportador líquido.

A capacidade de produção também tem permitido à refinaria beneficiar do aumento da procura por determinados produtos, incluindo combustível de aviação. As perturbações no fornecimento associadas à guerra com o Irão contribuíram para ampliar a procura e abrir mercados externos, incluindo na Europa Ocidental.

A dimensão estratégica do activo ajuda a explicar o interesse de investidores institucionais e o posicionamento da operação no mercado de capitais. A Africa Finance Corporation, que participou na colocação privada, indicou que entre os investidores estiveram também fundos soberanos e instituições financeiras de desenvolvimento.

Dangote revelou ainda que a ADNOC, empresa petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos, demonstrou interesse em investir na refinaria, juntamente com outras empresas. O empresário não avançou, contudo, com detalhes sobre potenciais operações, invocando acordos de confidencialidade.

Para Charles Robertson, chefe de estratégia macroeconómica da FIM Partners, a entrada da refinaria em bolsa constitui um acontecimento de grande importância para a Nigéria e simboliza uma maior capacidade africana de construir activos industriais de escala internacional.

O interesse dos investidores domésticos acompanha, segundo Robertson, a forte valorização das acções nigerianas desde 2024 e evidencia um apetite crescente pelo mercado de capitais do país.

Dangote prepara novas entradas em bolsa

A IPO da refinaria poderá ser apenas o primeiro passo de uma estratégia mais ampla de abertura do conglomerado Dangote ao mercado de capitais.

O empresário afirmou que pretende, progressivamente, listar em bolsa todas as empresas do seu grupo, um dos maiores conglomerados industriais africanos, com negócios que abrangem sectores como cimento, açúcar e sal.

Dangote admitiu igualmente a possibilidade de uma segunda listagem da actividade de refinação nos Estados Unidos dentro de três a quatro anos, o que poderá ampliar ainda mais o acesso da empresa a investidores internacionais.

A operação actual representa, por isso, mais do que uma venda de participação minoritária. Ao levar para a bolsa um activo avaliado em quase 49 mil milhões de dólares, Dangote está a testar a capacidade do mercado de capitais nigeriano para absorver uma operação de escala continental e, simultaneamente, a procurar transformar uma das maiores infra-estruturas industriais de África num activo com uma base accionista mais ampla.

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