O défice comercial de Moçambique mais do que duplicou no primeiro semestre de 2026, para 89 milhões de dólares, pressionado pelo crescimento das importações, enquanto as exportações permaneceram praticamente estagnadas face ao mesmo período do ano passado.
Dados do Ministério das Finanças, relativos ao período de Janeiro a Junho, avançados pela Lusa Lusa, indicam que as exportações totalizaram 1.853 milhões de dólares, contra importações de 1.942 milhões de dólares.
Em termos homólogos, as exportações recuaram marginalmente, de 1.854 milhões de dólares no primeiro semestre de 2025 para 1.853 milhões este ano, enquanto as importações aumentaram 2,4%, de 1.897 para 1.942 milhões de dólares.
A conjugação de exportações praticamente estagnadas com o aumento das compras ao exterior fez o défice da balança comercial, que mede a diferença entre exportações e importações de bens, passar de 43 milhões de dólares no primeiro semestre de 2025 para 89 milhões de dólares no mesmo período deste ano.
A evolução revela uma pressão crescente sobre a balança de bens e evidencia o desafio de Moçambique em ampliar a capacidade exportadora para além dos grandes projectos, sobretudo num contexto em que a procura por bens importados continua a crescer.
Os grandes projectos mantiveram, ainda assim, um papel dominante nas exportações do país. No primeiro semestre, as vendas externas associadas a estes empreendimentos cresceram 0,5%, de 1.464 milhões para 1.471 milhões de dólares.
Fora dos grandes projectos, a tendência foi inversa. As exportações recuaram 2%, de 390 milhões de dólares no primeiro semestre de 2025 para 382 milhões no período homólogo de 2026, reforçando a dependência da estrutura exportadora moçambicana de empreendimentos de grande dimensão.
Em relação às metas definidas para 2026, as exportações realizadas no primeiro semestre corresponderam a 21,97% do objectivo anual, enquanto as importações representaram 20,34% do valor previsto para todo o ano.
O Governo considera que estes níveis de execução, entre 20% e 22% das metas anuais, demonstram a necessidade de dinamizar a produção nacional, reforçar a capacidade exportadora e acelerar a implementação dos grandes projectos de investimento durante o segundo semestre.
Apesar do agravamento da balança comercial, a posição externa de Moçambique apresentou uma evolução mais favorável quando considerados outros fluxos económicos. O défice da conta corrente caiu para 359 milhões de dólares, contra 588 milhões de dólares no primeiro semestre de 2025, uma redução de cerca de 39%.
A conta corrente inclui, além do comércio de bens, as transacções de serviços, rendimentos e transferências com o exterior, permitindo uma leitura mais abrangente das relações económicas do país com o resto do mundo.
Segundo o relatório, a melhoria resultou, entre outros factores, do comportamento favorável do saldo de serviços, que atingiu 158 milhões de dólares, e dos rendimentos primários, com 113 milhões de dólares.
A conta financeira registou igualmente uma entrada líquida de capitais de 143 milhões de dólares, contribuindo para compensar parcialmente a pressão resultante do défice comercial.





