O volume da dívida directa das empresas do Sector Empresarial do Estado (SEE) de Moçambique recuou 4,35% no segundo trimestre de 2026, para 34,6 mil milhões de meticais (cerca de 462 milhões de euros), impulsionado sobretudo pela redução do endividamento interno e pelo cumprimento do serviço da dívida por parte das empresas públicas.
Os dados constam de um relatório do Ministério das Finanças de Moçambique sobre o volume do endividamento público referente ao segundo trimestre, segundo o qual o stock da dívida directa do SEE passou de 36.175,33 milhões de meticais (483 milhões de euros), no final de Março, para 34.602,95 milhões de meticais (462 milhões de euros) em Junho.
A redução, equivalente a 1.572,38 milhões de meticais, ocorreu principalmente devido à diminuição da dívida interna das empresas estatais. De acordo com o documento, a componente interna recuou 1.561,68 milhões de meticais no período, como resultado do cumprimento das obrigações relacionadas com o serviço da dívida.
A dívida interna do Sector Empresarial do Estado diminuiu 9,1%, passando para 15.605,26 milhões de meticais, cerca de 208 milhões de euros. Já a dívida externa manteve-se praticamente estável, com uma redução marginal de 0,06%, para 18.997,69 milhões de meticais, correspondentes a aproximadamente 254 milhões de euros.
LAM lidera redução do endividamento
Entre as empresas participadas pelo Estado, a Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) registou a maior redução individual da dívida interna durante o segundo trimestre.
A companhia aérea de bandeira, que se encontra num processo de profunda reestruturação desde 2025, reduziu o seu stock de dívida interna em 530,33 milhões de meticais, equivalentes a cerca de 7,1 milhões de euros.
Segundo o Ministério das Finanças, a redução resultou da amortização de financiamentos contraídos pela LAM junto dos bancos BCI e MOZA.
Apesar da diminuição registada no trimestre, a companhia aérea continuava a apresentar o maior volume de dívida interna entre as empresas participadas pelo Estado. No final de Junho, o passivo interno da LAM situava-se em 5.205,97 milhões de meticais, cerca de 69,6 milhões de euros.
O montante representa aproximadamente um terço de toda a dívida interna acumulada pelo Sector Empresarial do Estado, evidenciando o peso que a transportadora continua a representar na estrutura de endividamento das empresas estatais moçambicanas.
A evolução ocorre num contexto em que a LAM atravessa um processo de reestruturação destinado a melhorar a sua situação financeira e operacional, depois de anos marcados por elevados níveis de endividamento e dificuldades na actividade.
CFM, Petromoc e Administração de Estradas também reduzem dívida
Os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) figuram igualmente entre as entidades que mais contribuíram para a redução da dívida interna no segundo trimestre.
A empresa registou uma diminuição de 446,58 milhões de meticais, cerca de seis milhões de euros, correspondente a 13,79% do stock registado anteriormente.
A Petróleos de Moçambique (Petromoc) também reduziu o seu nível de endividamento, com uma queda de 275 milhões de meticais, aproximadamente 3,7 milhões de euros.
Por sua vez, a Administração Nacional de Estradas (ANE) registou uma redução de 182 milhões de meticais, equivalentes a cerca de 2,4 milhões de euros.
A evolução destas empresas contribuiu para a redução global da dívida interna do SEE, num trimestre em que o pagamento do serviço da dívida foi apontado pelo Ministério das Finanças como um dos principais factores para a diminuição do passivo.
Dívida externa permanece concentrada nas empresas públicas
Apesar da redução global do endividamento, a componente externa continua a representar uma parcela significativa da dívida directa do Sector Empresarial do Estado.
No final do segundo trimestre, diz a Lusa, as empresas públicas concentravam 16.014,77 milhões de meticais em dívida externa, cerca de 214 milhões de euros. Já as empresas participadas pelo Estado acumulavam 2.982,92 milhões de meticais, equivalentes a aproximadamente 39,8 milhões de euros.
Os dados mostram, assim, que a maior parcela da dívida externa do SEE permanece concentrada nas empresas públicas, enquanto a redução verificada no trimestre esteve essencialmente associada à componente interna.
No conjunto, a evolução registada entre Março e Junho aponta para uma redução do stock de dívida das empresas estatais moçambicanas, com a amortização de financiamentos pela LAM, CFM, Petromoc e ANE a assumir particular importância no comportamento da dívida interna durante o período.





