Empresas chinesas pretendem usar Macau como trampolim para mercados lusófonos

Empresas chinesas estão a manifestar interesse em utilizar Macau como plataforma de acesso aos mercados dos países de língua portuguesa e espanhola, numa estratégia que visa ampliar as oportunidades de comércio, investimento e internacionalização dos negócios. “O objectivo de escolher Macau é aproveitar Macau como trampolim”, informou o presidente do conselho de administração da empresa…
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A iniciativa enquadra-se na estratégia do Governo da Região Administrativa Especial de Macau de reforçar o território como ponto de ligação económica entre a China e os países lusófonos e hispanófonos, alargando a sua tradicional função de plataforma de cooperação com os países de língua portuguesa.
Economia

Empresas chinesas estão a manifestar interesse em utilizar Macau como plataforma de acesso aos mercados dos países de língua portuguesa e espanhola, numa estratégia que visa ampliar as oportunidades de comércio, investimento e internacionalização dos negócios.

“O objectivo de escolher Macau é aproveitar Macau como trampolim”, informou o presidente do conselho de administração da empresa Guangdong Yidaominglei Health Industry Investment Group, Liu Yusha, no segundo dia da 31.ª edição da Feira Internacional de Macau (MIF).

A iniciativa enquadra-se na estratégia do Governo da Região Administrativa Especial de Macau de reforçar o território como ponto de ligação económica entre a China e os países lusófonos e hispanófonos, alargando a sua tradicional função de plataforma de cooperação com os países de língua portuguesa.

“Através desta plataforma, esperamos que os nossos produtos possam circular por todo o mundo”, afirmou Liu, descrevendo a intenção da sua própria empresa.

Liu apontou que, no sector da saúde, o desenvolvimento interno enfrenta “muitos estrangulamentos políticos”, enquanto Macau e Hengqin (Ilha Montanha) oferecem agora “um forte apoio político” como base da indústria da saúde da Grande Baía.

Em Agosto deste ano, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) promoveu seminários em Shenzhen e Guangzhou, que reuniram cerca de 300 representantes empresariais. Os encontros incluíram mais de 150 negociações comerciais e procuraram apresentar as vantagens de Macau às empresas interessadas em expandir as suas actividades para mercados internacionais.

Entre as empresas participantes, algumas demonstraram interesse em utilizar Macau para desenvolver operações de liquidação financeira transfronteiriça e explorar oportunidades nos mercados de língua portuguesa e espanhola, beneficiando dos serviços de apoio empresarial e das ligações comerciais disponibilizadas pelo território.

“A nossa empresa estabeleceu uma ligação com a medicina natural e temos agora uma cooperação profunda”, afirmou, referindo também uma colaboração com uma equipa de investigação biotecnológica da Universidade de Macau, que, afirmou, está a “ajudar a melhorar o desenvolvimento de produtos e a modernizar a medicina tradicional chinesa”.

Liu elogiou ainda o Governo de Macau por proporcionar apoio financeiro e subsídios para a investigação e desenvolvimento, além de “um apoio político muito bom”.

A estratégia abrange sectores como a inovação tecnológica, a indústria transformadora, a saúde, as energias renováveis, os serviços financeiros e o comércio externo. A articulação entre Macau e Hengqin, zona de cooperação aprofundada entre Guangdong e Macau, também é apontada como uma oportunidade para desenvolver projectos conjuntos, reforçar cadeias de abastecimento e facilitar a entrada em novos mercados.

A aposta estende-se igualmente à aproximação entre empresas chinesas, portuguesas e espanholas. Em Abril, uma delegação de cerca de 120 representantes empresariais e institucionais realizou uma missão de intercâmbio a Portugal e Espanha, que incluiu 220 encontros de negócios e resultou na assinatura de 109 projectos, segundo informações divulgadas pelas autoridades de Macau.

Com esta orientação, Macau procura consolidar a sua posição como intermediário comercial entre a China e os mercados de língua portuguesa, incluindo Angola, Brasil, Moçambique e Portugal, e ampliar as ligações aos países hispanófonos.

A iniciativa poderá criar oportunidades para empresas interessadas em estabelecer parcerias, diversificar mercados e desenvolver negócios internacionais, num contexto em que Macau procura reforçar o seu papel nas relações económicas entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola.

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