Empresas francesas em Angola movimentam cerca de 6 mil milhões de euros e reforçam presença em sectores estratégicos

A comunidade empresarial francesa instalada em Angola é constituída por cerca de 115 empresas e representa um volume de negócios estimado em aproximadamente 6 mil milhões de euros, segundo dados apresentados pela embaixadora da França em Angola, Sophie Aubert, que destacou o peso crescente da cooperação económica entre os dois países. A diplomata, que falava…
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Embaixadora da França em Angola, Sophie Aubert, destaca participação de empresas francesas em projectos relacionados com infra-estruturas marítimas e a construção da Marina de Luanda, considerando que este tipo de investimento demonstra a diversidade da presença empresarial francesa.
Economia Negócios

A comunidade empresarial francesa instalada em Angola é constituída por cerca de 115 empresas e representa um volume de negócios estimado em aproximadamente 6 mil milhões de euros, segundo dados apresentados pela embaixadora da França em Angola, Sophie Aubert, que destacou o peso crescente da cooperação económica entre os dois países.

A diplomata, que falava esta Quarta-feira no Angola Economic Forum 2026, explicou que o universo empresarial francês presente em Angola integra empresas subsidiárias de grandes grupos franceses, mas também companhias estabelecidas directamente no mercado angolano, com actividade em diferentes sectores da economia nacional.

Os números, segundo Sophie Aubert, foram reunidos pelo Serviço Económico da Embaixada da França durante os trabalhos de preparação da visita oficial do Presidente da República, João Lourenço, à França, realizada em Janeiro de 2025.

A embaixadora considerou que estes dados demonstram a dimensão da relação económica existente entre os dois países e a diversidade das áreas em que as empresas francesas participam na economia angolana.

“A cooperação económica franco-angolana é uma cooperação de longo prazo”, afirmou Sophie Aubert, defendendo que a parceria deve continuar orientada para o desenvolvimento dos recursos naturais, o crescimento económico e, sobretudo, para a diversificação da economia angolana.

De acordo com a responsável diplomática, a França acompanha a transformação da economia angolana e procura reforçar a participação das suas empresas em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país.

Transportes e logística entre os principais sectores

Entre os sectores com forte presença francesa em Angola, Sophie Aubert destacou os transportes e a logística, onde operam várias empresas ligadas à movimentação de carga, gestão de terminais e prestação de serviços especializados.

A diplomata mencionou, entre outras áreas, a actividade de empresas francesas associadas ao terminal de carga geral e de contentores do Porto de Luanda, bem como a presença de grupos internacionais ligados ao transporte marítimo.

No transporte aéreo, a embaixadora destacou igualmente a actividade da Air France e a ligação da Airbus ao mercado angolano, enquadrando estas operações na contribuição francesa para o desenvolvimento da mobilidade e das ligações internacionais de Angola.

Para a diplomata, o sector dos transportes e logística constitui uma componente importante da relação económica bilateral, sobretudo num contexto em que Angola procura melhorar as infra-estruturas, aumentar a eficiência logística e fortalecer a sua posição como plataforma regional.

Água e saneamento ganham espaço na cooperação

A cooperação franco-angolana abrange igualmente o sector da água, considerado estratégico para a melhoria das condições de vida da população e para o desenvolvimento urbano.

Sophie Aubert destacou a participação de empresas francesas em projectos destinados a melhorar o acesso à água na capital angolana, através da construção, modernização e assistência técnica associadas às infra-estruturas do sector.

Segundo a embaixadora, estes projectos procuram combinar investimento, conhecimento técnico e capacitação das instituições angolanas, permitindo não apenas a execução das obras, mas também o reforço das competências locais para a gestão das infra-estruturas.

A responsável diplomática apontou esta área como um dos exemplos de como a cooperação económica pode ultrapassar a dimensão comercial e produzir efeitos directos no desenvolvimento das infra-estruturas e dos serviços públicos.

Transição energética e petróleo continuam relevantes

A transição energética também surge entre as áreas de interesse das empresas francesas em Angola.

Sophie Aubert mencionou a actividade de empresas como a TotalEnergies, que mantém uma presença relevante no sector energético angolano, sublinhando a importância da participação francesa na indústria de petróleo e gás e nas novas áreas relacionadas com a transição energética.

A diplomata enquadrou esta presença na estratégia de longo prazo da França para apoiar a transformação económica de Angola, tendo em conta a necessidade de conciliar a exploração dos recursos naturais com a diversificação da economia e a transição para modelos energéticos mais sustentáveis.

A relação entre os dois países, neste domínio, envolve não apenas a exploração de hidrocarbonetos, mas também serviços especializados, engenharia, manutenção, tecnologias e formação de quadros.

Saúde, indústria, alimentação e soluções digitais

A presença empresarial francesa estende-se ainda a sectores como a saúde, alimentação e bebidas, indústria, soluções digitais e serviços especializados.

Na área da saúde, a França participa através de empresas e projectos associados ao fornecimento de equipamentos, serviços e soluções técnicas.

Já no sector alimentar e de bebidas, existem empresas francesas com operações no mercado angolano, contribuindo para a produção, distribuição e desenvolvimento de competências locais.

Sophie Aubert referiu igualmente o crescimento das soluções digitais e tecnológicas, considerando que a transformação digital constitui uma das áreas com potencial para o aprofundamento da cooperação entre empresas dos dois países.

No sector audiovisual, a diplomata mencionou a presença de grupos franceses ligados à comunicação e televisão, destacando operações empresariais que reforçam a ligação entre os mercados francês e angolano.

França também participa no sector espacial

Outro domínio destacado pela embaixadora foi o sector espacial.

Sophie Aubert referiu a participação de empresas francesas em projectos relacionados com tecnologia espacial e satélites, considerando esta área relevante para o desenvolvimento tecnológico e para o reforço das capacidades de Angola.

A cooperação neste domínio está associada ao interesse em utilizar tecnologias de satélite para aplicações relacionadas com telecomunicações, observação da Terra e outras necessidades estratégicas do país.

A diplomata também mencionou a cooperação no sector da defesa e as capacidades industriais francesas associadas às áreas marítima e naval.

Construção e sector marítimo

A construção e as actividades marítimas constituem igualmente áreas onde empresas francesas têm desenvolvido projectos em Angola.

Sophie Aubert destacou a participação de empresas francesas em projectos relacionados com infra-estruturas marítimas e a construção da Marina de Luanda, considerando que este tipo de investimento demonstra a diversidade da presença empresarial francesa.

Para a diplomata, a presença de empresas francesas em diferentes sectores demonstra que a relação económica entre os dois países não está limitada ao petróleo e gás, mas abrange um conjunto cada vez mais diversificado de actividades.

Instituições francesas apoiam empresas no mercado angolano

Para além das empresas privadas, a França dispõe de um sistema de apoio institucional destinado a acompanhar os investidores e a reforçar as relações económicas bilaterais.

Sophie Aubert destacou o papel do Serviço Económico da Embaixada, responsável por acompanhar a evolução da economia angolana, produzir análises económicas e facilitar o diálogo entre as instituições dos dois países.

A diplomata referiu igualmente a Business France, organização que apoia empresas francesas na sua internacionalização e procura reforçar a atractividade de Angola enquanto destino de investimento.

Através de missões empresariais, encontros de negócios e actividades de promoção económica, a instituição procura aproximar empresas francesas e angolanas e identificar novas oportunidades de parceria.

Bpifrance reforça financiamento e garantias

Outro instrumento destacado pela embaixadora é a Bpifrance, banco público francês de investimento, que desempenha um papel específico no apoio à internacionalização das empresas francesas.

Segundo Sophie Aubert, através de linhas de garantia e outros mecanismos financeiros, a instituição permite reduzir determinados riscos associados às operações internacionais e facilitar a entrada e expansão das empresas francesas em mercados como Angola.

O financiamento público francês, explicou, procura complementar o investimento privado e criar condições para que as empresas tenham acesso a instrumentos financeiros adequados à dimensão e ao horizonte dos seus projectos.

AFD já comprometeu cerca de 900 milhões de euros

No domínio do financiamento ao desenvolvimento, a embaixadora destacou igualmente a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

Segundo Sophie Aubert, a AFD já assumiu compromissos de financiamento em Angola avaliados em cerca de 900 milhões de euros.

A agência apoia projectos ligados ao desenvolvimento económico e social e trabalha em parceria com instituições públicas angolanas em diferentes sectores.

A Proparco, braço do grupo AFD dedicado ao sector privado, constitui outro instrumento da cooperação financeira francesa.

A instituição disponibiliza linhas de crédito, garantias e outras modalidades de financiamento destinadas às empresas privadas, podendo igualmente participar em operações de investimento e aquisição de participações empresariais.

Sophie Aubert referiu ainda a Expertise France, entidade que actua no domínio da cooperação técnica e dos projectos de desenvolvimento.

Relações comerciais procuram aproximar empresas

A França e Angola contam também com mecanismos destinados a aproximar as respectivas comunidades empresariais.

A embaixadora mencionou a existência de uma Câmara de Comércio bilateral e de estruturas de diálogo económico que procuram facilitar o contacto entre empresas francesas e angolanas.

Estes mecanismos, segundo a diplomata, contribuem para identificar oportunidades de negócio, promover parcerias e estimular o intercâmbio comercial e de investimento.

A estratégia passa por criar um ecossistema empresarial capaz de aproximar investidores, instituições públicas, bancos e empresas dos dois países.

Investimento francês contribui para emprego e receitas públicas

Para além do volume de negócios, Sophie Aubert destacou os benefícios associados à presença das empresas francesas em Angola.

Entre estes benefícios estão a criação de postos de trabalho, a geração de actividade económica e a contribuição para as receitas públicas através do pagamento de impostos.

A diplomata acrescentou que as empresas estrangeiras trazem também experiência internacional, conhecimento técnico e novas metodologias de trabalho.

“É importante enfatizar a importância do investimento no capital humano”, afirmou, defendendo que a formação dos trabalhadores angolanos deve continuar a constituir uma prioridade.

Segundo a embaixadora, as empresas francesas investem significativamente na formação dos seus trabalhadores, que são predominantemente angolanos.

Cerca de 80 mil horas de formação

Como exemplo, Sophie Aubert citou uma empresa do sector das bebidas que terá proporcionado cerca de 80 mil horas de formação nos últimos quatro anos.

A iniciativa, explicou, demonstra a importância atribuída pelas empresas francesas à capacitação das equipas locais e ao desenvolvimento das competências profissionais.

A formação abrange conhecimentos técnicos, gestão e outras competências necessárias para o funcionamento das empresas.

No sector da água, a cooperação francesa também contempla programas de capacitação destinados a funcionários angolanos envolvidos na gestão dos projectos e infra-estruturas.

A embaixadora considera que a transferência de conhecimento constitui um dos principais efeitos de longo prazo da presença empresarial francesa no país.

Educação e língua francesa integram cooperação

A cooperação franco-angolana também se estende à educação.

Sophie Aubert destacou programas desenvolvidos em parceria com o Ministério da Educação e a rede de escolas, destinados a reforçar a aprendizagem da língua francesa e a formação de estudantes e professores.

A França mantém ainda programas de bolsas de estudo para estudantes e profissionais angolanos, criando oportunidades de formação e especialização em instituições francesas.

A diplomata considerou estas iniciativas importantes para a criação de uma nova geração de quadros capazes de aprofundar as relações entre os dois países.

Apoio ao empreendedorismo e às startups

Outro eixo da cooperação está relacionado com o empreendedorismo e a inovação.

Sophie Aubert mencionou a disponibilização de espaços e iniciativas de apoio às startups angolanas, com o objectivo de estimular a criação de empresas, facilitar o acesso ao conhecimento e aproximar empreendedores de potenciais parceiros.

A França procura, desta forma, ampliar a cooperação para além dos grandes grupos empresariais e criar oportunidades para pequenas e médias empresas e novos projectos empresariais.

França quer reforçar confiança dos investidores

Apesar dos avanços registados na relação económica bilateral, Sophie Aubert considerou que o reforço da atractividade de Angola depende da existência de um ambiente de negócios previsível.

A embaixadora defendeu políticas públicas claras e um quadro regulatório transparente, capaz de garantir estabilidade e segurança jurídica aos investidores.

Na sua perspectiva, a previsibilidade é igualmente fundamental para que as empresas possam tomar decisões de investimento de longo prazo.

“É importante também a previsibilidade necessária para os investimentos dessas empresas”, sublinhou.

A responsável diplomática defendeu que estas condições permitirão manter Angola no radar das empresas francesas e estimular novos investimentos.

Investimento privado ganha importância

Sophie Aubert chamou ainda a atenção para a necessidade de mobilizar recursos privados para financiar o desenvolvimento económico.

A diplomata recordou os resultados da Cimeira África-França realizada em Nairobi, no Quénia, este ano, que colocou em evidência a importância da mobilização de empresas privadas francesas e africanas.

Segundo os dados apresentados, durante a cimeira foram anunciados compromissos de investimento na ordem dos 13 mil milhões de euros, com participação de empresas francesas e africanas.

Para a embaixadora, o financiamento do desenvolvimento não deve depender exclusivamente dos recursos públicos, sendo necessária uma maior mobilização do sector privado.

Cooperação de longo prazo

A embaixadora concluiu defendendo o aprofundamento da parceria económica entre Angola e França, considerando que a presença das empresas francesas deve continuar a evoluir em função das necessidades e das prioridades de desenvolvimento do país.

A estratégia francesa passa por combinar investimento privado, financiamento público, cooperação técnica, formação profissional e transferência de tecnologia.

Sophie Aubert sublinhou que a continuidade desta relação poderá beneficiar as duas economias, ao criar oportunidades para empresas francesas e angolanas, gerar emprego, desenvolver competências e apoiar a diversificação da economia nacional.

A presença de cerca de 115 empresas francesas e um volume de negócios estimado em 6 mil milhões de euros evidenciam, segundo a diplomata, a dimensão já alcançada pela relação empresarial entre os dois países.

Para os próximos anos, a França pretende manter o diálogo com as autoridades angolanas e com o sector privado, procurando identificar novas oportunidades de investimento e consolidar uma parceria económica assente em projectos de longo prazo.

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