A escritora Margarida Pereira-Müller apresentou esta Terça-feira, 23, em Lisboa, um livro que procura mergulhar na identidade, na história e nos sabores da gastronomia da Guiné-Bissau, e que nasce da vontade de mostrar o país para lá dos golpes de Estado.
O livro “Um percurso pela história e pelos sabores da Guiné-Bissau”, é nas palavras da antiga ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau Suzi Barbosa, que escreve o prefácio, um convite à descoberta de “um território de diversidade fascinante” que se sente na pele e no palato “através do aroma do óleo de palma, do ritmo vibrante da língua crioula e da força inabalável das suas tradições ancestrais”.
Cruzando o mapa do país, desde as savanas de Gabu até às águas sagradas do arquipélago dos Bijagós, a obra mergulha na identidade, na História e nos sabores da gastronomia, realça.
A investigadora e escritora Margarida Pereira-Müller explicou que a riqueza do país é desconhecida e diminuída perante a instabilidade política e a sucessão “de golpes de Estado”.
“Há muitos guineenses [em Portugal] de 2.ª e 3.ª geração que nunca foram à Guiné-Bissau e que têm uma imagem um pouco negativa do país, porque tudo o que se ouve nos meios de comunicação são sempre notícias negativas. Normalmente quando se fala é porque houve um golpe de Estado”, observou.
Explicou que o olhar luminoso e diverso sobre o país que procurou descrever no livro justifica a presença do embaixador da Guiné-Bissau em Portugal, Artur Silva, na cerimónia marcada para a Galeria ArteGraça, também ele “agradado” com um projecto que “mostra um lado positivo” da Guiné-Bissau.
Apesar de já conhecer o território desde os 14 anos, e de ter regressado algumas vezes, foi só o ano passado que sentiu vontade de escrever, após integrar uma missão da Associação de Beneficência Luso-Alemã (ABLA) que em Portugal apoia crianças e famílias desfavorecidas e em situação de vulnerabilidade, mas também leva a sua obra a outros países, entre eles a Guiné-Bissau.
As receitas não poderiam faltar, ou não fosse Margarida Pereira-Müller uma viajante curiosa e com mão para a cozinha. Dos caldos (também escritos como Kaldus em crioulo) ao pastel de Bissau (ou pastel de peixe), considerado o “rei” das ruas e das festas na Guiné-Bissau, ou o arroz de ‘baguitche’ (também chamado de arroz de folhas), acompanhamento perfeito para quase todos os pratos.
E as sobremesas, como o tradicional ‘chakri’, um “pudim” de grãos de milho ou milhete, servido com um creme de iogurte doce e aromático, ou o bolo Polana, uma das joias da doçaria à base de puré de batata e de mancarra.
Algumas destas iguarias foram provadas na apresentação, na Galeria ArteGraça, em Lisboa, onde o cantor guineense Maio Copé também actuou.
“Um percurso pela história e pelos sabores da Guiné-Bissau” é um convite para viajar através da rica herança histórica e cultural da Guiné-Bissau, desvendando os segredos e as tradições que moldam a gastronomia única dum país pequeno, mas diverso, diz a Lusa.





