O estigma e a discriminação contra pessoas que vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) em Moçambique diminuíram para 21%, contra os 51% registados em 2013, segundo os resultados preliminares de um estudo divulgado esta segunda-feira, 12, em Maputo.
O levantamento, denominado Índice de Estigma e Discriminação de Pessoas Vivendo com VIH e Populações-Chave, foi realizado em 2025, na capital moçambicana e em seis províncias do país, pela Kuyakana — Rede Nacional de Organizações de Mulheres e Raparigas Vivendo com VIH/Sida.
Apesar da redução, os dados indicam que o estigma continua a constituir um obstáculo à resposta nacional à epidemia, condicionando o acesso ao diagnóstico, a adesão ao tratamento e a permanência dos pacientes nos serviços de saúde.
Segundo Francisco Mbofana, secretário executivo do Conselho Nacional de Combate ao VIH/Sida, Moçambique estima ter cerca de 2,5 milhões de pessoas a viver com o vírus. Deste universo, 87% conhecem o seu estado serológico, 87% encontram-se em tratamento e 76% alcançaram a supressão viral, de acordo com as estimativas de 2025 apresentadas na ocasião.
O responsável destacou que o combate ao estigma e à discriminação é fundamental para incentivar a realização de testes, facilitar o diagnóstico precoce e assegurar a continuidade dos cuidados médicos.
Moçambique registou, igualmente, cerca de 77 mil novas infecções por VIH em 2025, contra aproximadamente 160 mil em 2010. Apesar da redução, as autoridades consideram que o número de novas infecções continua elevado.
Entre as prioridades do país está o reforço da prevenção, a ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento antirretroviral e a redução das barreiras sociais que afectam as pessoas que vivem com VIH.
Os resultados agora divulgados apontam para progressos no combate ao estigma, mas evidenciam a necessidade de manter as campanhas de sensibilização e as medidas de protecção dos direitos das pessoas que vivem com o vírus.





