Opinião

Ética e estética na economia: o novo diferencial competitivo de Angola

Norberto Benjamim

Num cenário global cada vez mais exigente e competitivo, as economias já não são avaliadas apenas pela sua capacidade de crescer, mas pela forma como crescem.

Tradicionalmente, o debate económico tem privilegiado métricas quantitativas — crescimento do PIB, fluxos de investimento, balança comercial e outros.

A (re)configuração e (re)estruturação da economia mundial, eleva e estende o conceito à dimensão ética e estética, encarados não apenas como conceitos abstractos mas sim como activos estratégicos.

A ética, enquanto princípio orientador da acção económica (ética económica), remete-nos para valores como a integridade, a transparência e a responsabilidade. A mesma traduz-se na integridade das instituições, na transparência dos processos e na responsabilidade dos agentes, tornando-se assim, num dos principais critérios de avaliação do risco-país.

Hodiernamente, factores como a qualidade institucional, a previsibilidade regulatória e a organização estrutural da economia são determinantes para a tomada de decisão dos investidores.

Economias com elevados padrões éticos reduzem a incerteza, melhoram o ambiente de negócios e atraem capital de longo prazo.

A dimensão estética é outra vertente da economia (estética económica), entendida como a capacidade de estruturar o espaço económico de forma eficiente, funcional e atractiva, por via da construção de infra-estruturas modernas e funcionais, cidades organizadas, cadeias logísticas integradas e sectores produtivos bem articulados; factores que influenciam directamente a produtividade, os custos operacionais e a decisão de investimento.

“Economias com elevados padrões éticos reduzem a incerteza, melhoram o ambiente de negócios e atraem capital de longo prazo.”

A experiência internacional reforça esta visão. Países como Singapura demonstraram que a combinação entre governação ética e planeamento rigoroso pode transformar economias em hubs globais.

As economias dos países nórdicos evidenciam que transparência e qualidade de vida caminham lado a lado com elevados níveis de produtividade. Em África, o Ruanda tem mostrado que disciplina institucional e organização urbana podem redefinir a imagem e o posicionamento de um país no cenário internacional.

Para Angola, que procura consolidar a diversificação económica e reforçar a sua atractividade junto de investidores nacionais e internacionais, a integração entre a ética e a estética na economia.ao, afiguram-se fundamentais enquanto pilares de um modelo de desenvolvimento económico sustentável.

Este caminho deve ser suportado por reformas institucionais profundas, maior rigor na gestão pública, regulação eficaz dos sectores estratégicos e um quadro legal robusto, ancorado na Constituição e nos principais instrumentos de política económica e social.

A economia.ao enfrenta desafios, mas também oportunidades significativas.

A sua posição geoestratégica, a disponibilidade e diversidade de recursos naturais e o potencial de desenvolvimento logístico e industrial oferecem uma base sólida para a construção de uma economia mais organizada e competitiva.

O PDN 2023–2027 reflecte esta ambição, ao priorizar a diversificação económica, o investimento em infra-estruturas e a melhoria do ambiente de negócios.

Para Angola, a integração entre ética e estética na economia representa mais do que uma opção conceptual — é uma necessidade estratégica.  Num contexto em que o capital global é cada vez mais selectivo, os países que conseguirem oferecer ambientes de negócios previsíveis, transparentes e bem estruturados terão uma vantagem competitiva clara.

Mais do que crescer, Angola precisa posicionar-se, construindo uma economia que inspira confiança, eficiente e eficaz, pois, a ética cria credibilidade e a estética cria valor.

Num mundo onde a reputação económica se constrói tanto pela substância quanto pela forma, Angola tem a oportunidade de afirmar-se como um novo polo de crescimento sustentável em África. O desafio está lançado: transformar princípios em prática e visão em realidade.

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