Exposição móvel do rapper moçambicano Azagaia devolve raízes ao quotidiano

Os organizadores da segunda edição da exposição móvel do rapper Azagaia, ícone moçambicano, defenderam recentemente que abrir a residência do músico ao público é devolver o seu pensamento às raízes populares e ao quotidiano, de onde nasceu. “Abrir a residência no Khongolote [arredores de Maputo] é tirar o Azagaia do pedestal institucional e devolvê-lo à…
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A exposição incluiu livros da biblioteca pessoal de Azagaia, manuscritos, fotografias inéditas, vestuário e outros objetos ligados ao percurso artístico e pessoal do músico, considerado uma das principais vozes da intervenção social em Moçambique.
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Os organizadores da segunda edição da exposição móvel do rapper Azagaia, ícone moçambicano, defenderam recentemente que abrir a residência do músico ao público é devolver o seu pensamento às raízes populares e ao quotidiano, de onde nasceu.

“Abrir a residência no Khongolote [arredores de Maputo] é tirar o Azagaia do pedestal institucional e devolvê-lo à sua raiz. É mostrar que o pensamento que mudou Moçambique nasceu aqui, no quotidiano”, disse Morgado Mbalate, gestor cultural e um dos promotores da iniciativa, durante o evento realizado na casa do artista, naquele bairro da capital moçambicana.

Edson da Luz ‘Azagaia’ nasceu em 06 de Maio de 1984 e foi encontrado morto, em casa, em 09 de Março de 2023, após uma crise de epilepsia, segundo a família, consternando milhares de fãs em toda a lusofonia, onde o seu nome era e ainda é conhecido.

Ficou célebre pela crítica aberta à governação, de tal forma que, em 2008, na sequência de três dias de violentas manifestações que paralisaram a capital, foi chamado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), após lançar o tema “Povo no Poder”, uma música gravada pouco depois dos episódios, alertando para a possibilidade de uma paralisação geral face à subida de preços de produtos básicos no país.

Ainda hoje, “Povo no Poder” é a música tocada ou entoada em qualquer protesto ou manifestação em Moçambique e a sua morte inspirou a criação da autodenominada geração 18 de Março, dia do seu funeral em que se registaram cargas policiais com vários feridos durante o cortejo fúnebre, em Maputo.

A segunda edição da Biblioteca Azagaia, diz a Lusa, reuniu familiares, admiradores, ativistas e jovens, numa iniciativa dedicada à preservação do legado intelectual e artístico do músico.

A exposição incluiu livros da biblioteca pessoal de Azagaia, manuscritos, fotografias inéditas, vestuário e outros objetos ligados ao percurso artístico e pessoal do músico, considerado uma das principais vozes da intervenção social em Moçambique.

 

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