FMI e Banco Mundial reforçam compromisso de apoio ao desenvolvimento de Cabo Verde

O Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou interesse em aprofundar a cooperação com Cabo Verde e apoiar o país na definição de estratégias para o desenvolvimento económico e social de longo prazo, numa altura em que o Governo procura reforçar as parcerias internacionais e mobilizar recursos para concretizar as suas prioridades. A garantia foi dada pelo…
ebenhack/AP
A garantia foi dada pelo director executivo do FMI, André Roncaglia, à margem das Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial, durante contactos destinados a fortalecer a cooperação e a alinhar os apoios internacionais.
Economia

O Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou interesse em aprofundar a cooperação com Cabo Verde e apoiar o país na definição de estratégias para o desenvolvimento económico e social de longo prazo, numa altura em que o Governo procura reforçar as parcerias internacionais e mobilizar recursos para concretizar as suas prioridades.

A garantia foi dada pelo director executivo do FMI, André Roncaglia, à margem das Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial, durante contactos destinados a fortalecer a cooperação e a alinhar os apoios internacionais com as prioridades do Governo cabo-verdiano, liderado pelo primeiro-ministro Francisco Carvalho.

Perante uma conjuntura internacional marcada por tensões geopolíticas e sucessivos choques externos, André Roncaglia considerou que Cabo Verde tem enfrentado os desafios de forma exemplar, apoiando-se na estabilidade macroeconómica alcançada para preparar uma nova etapa de desenvolvimento.

O responsável destacou a capacidade do Governo de preservar a estabilidade económica sem descurar a protecção dos grupos mais vulneráveis, bem como a criação de bases sólidas para o crescimento sustentável.

Banco Mundial destaca crescimento do investimento

Por sua vez, o director executivo do Banco Mundial, Harold Tavares, que representa um grupo de 23 países africanos, incluindo Cabo Verde, realçou os resultados alcançados na cooperação com o arquipélago, sobretudo nos domínios do financiamento, investimento e reforço da credibilidade internacional.

Entre os avanços registados, apontou o crescimento da carteira de operações e dos desembolsos do Banco Mundial, assim como a participação de Cabo Verde nos espaços de decisão da instituição.

O responsável destacou igualmente a evolução dos investimentos da Sociedade Financeira Internacional (IFC), membro do Grupo Banco Mundial, que, segundo afirmou, passaram de zero, há cerca de cinco anos, para quase 500 milhões de dólares norte-americanos.

Harold Tavares considerou ainda que a realização da segunda edição do Fórum África-Lusófona de Investimento, promovido pela IFC, em Cabo Verde, constitui um sinal da confiança dos parceiros internacionais no potencial económico do país.

O encontro está previsto para os dias 26 e 27 de Outubro, na ilha do Sal, e pretende promover oportunidades de negócio e investimento no espaço lusófono, um mercado que, segundo o responsável, representa cerca de 77 milhões de habitantes.

Governo destaca balanço positivo dos contactos

A secretária de Estado das Finanças, Maria José Pereira Lopes, classificou como extremamente positivo o primeiro dia de contactos realizados no âmbito das Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial, destacando a relação histórica de cooperação entre Cabo Verde e as duas instituições, que apoiam o país há 48 anos.

Segundo a governante, os encontros confirmaram a disponibilidade dos parceiros internacionais para continuarem a apoiar Cabo Verde, em articulação com as prioridades do actual Executivo.

Entre as áreas consideradas prioritárias estão a melhoria da acessibilidade e da conectividade, a criação de emprego digno, o reforço dos cuidados de saúde, o acesso ao ensino superior, a valorização do capital humano e a diversificação da economia.

Maria José Pereira Lopes chamou igualmente a atenção para os desafios das alterações climáticas, que afectam particularmente os pequenos Estados insulares, confrontados com secas prolongadas, escassez de água e outros fenómenos com impactos directos nas populações e nas economias.

Neste contexto, defendeu a criação de melhores condições de financiamento para estes países, tendo em conta a sua reduzida contribuição para o aquecimento global e a dimensão dos impactos que enfrentam. A governante sublinhou a necessidade de soluções financeiras ajustadas às suas vulnerabilidades, sem provocar um agravamento excessivo do endividamento.

Cooperação futura em análise

Relativamente às perspectivas de cooperação, a secretária de Estado das Finanças adiantou que o Governo pretende dialogar com o FMI e o Banco Mundial para identificar as modalidades de apoio mais adequadas à execução do seu programa de desenvolvimento, tendo em conta que o actual programa com o FMI termina em Dezembro.

A governante reafirmou, por outro lado, a disponibilidade das duas instituições para respeitarem as novas opções políticas do Governo e continuarem a apoiar o país.

Os contactos realizados à margem das Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial enquadram-se, assim, nos esforços de Cabo Verde para consolidar a estabilidade macroeconómica, atrair investimento, diversificar a economia e reforçar a capacidade de resposta aos desafios sociais e climáticos.

 

Mais Artigos