FSDEA quase triplica lucro para 527 milhões de dólares em 2025

O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) encerrou 2025 com um resultado líquido de 527 milhões de dólares, quase três vezes acima dos 176 milhões de dólares registados um ano antes, enquanto a carteira de investimentos líquidos alcançou uma rendibilidade de 14,65%, muito acima da expectativa média anual de 5% definida na Estratégia de Alocação de…
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O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) terminou 2025 com mais património, maior rendibilidade e um resultado líquido cerca de três vezes mais que o ano anterior. O activo total cresceu 18%, num ano em que a carteira de investimentos líquidos superou a meta de rendibilidade definida.
Economia

O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) encerrou 2025 com um resultado líquido de 527 milhões de dólares, quase três vezes acima dos 176 milhões de dólares registados um ano antes, enquanto a carteira de investimentos líquidos alcançou uma rendibilidade de 14,65%, muito acima da expectativa média anual de 5% definida na Estratégia de Alocação de Activos.

Os resultados, apresentados esta Terça-feira no âmbito do FSDEA Day, mostram também um reforço significativo da posição patrimonial do Fundo. O activo total atingiu 4,716 mil milhões de dólares, mais 18% do que os 3,990 mil milhões de dólares registados em 2024. Os capitais próprios ascenderam a 4,512 mil milhões dólares, equivalentes a 95,7% do activo total.

O resultado bruto situou-se em 545 milhões de dólares, reflectindo o desempenho das carteiras de investimento e a valorização dos activos financeiros e alternativos. Entre estes últimos, a rendibilidade atingiu 42%, contribuindo de forma relevante para o resultado global do exercício.

A diferença entre a rendibilidade obtida e a meta definida na estratégia de alocação de activos é um dos indicadores mais relevantes dos resultados de 2025. Uma carteira líquida a gerar 14,65%, contra uma expectativa média anual de 5%, traduz um desempenho superior ao cenário de referência e evidencia o contributo da diversificação e da exposição a diferentes classes de activos.

O desempenho ocorreu, contudo, num ambiente internacional marcado por volatilidade nos mercados financeiros, alterações nas condições monetárias, tensões geopolíticas e incerteza quanto à evolução do crescimento económico global. Neste contexto, a diversificação assumiu um papel central na gestão do risco e na procura de fontes alternativas de retorno, indica o Relatório e Contas da instituição, consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA.

Performance acompanha aposta na diversificação económica

Para o presidente do Conselho de Administração do FSDEA, Armando Manuel, os resultados devem ser analisados para além do desempenho de um único exercício. “Os resultados de 2025 demonstram a importância de uma estratégia de investimento disciplinada, assente na diversificação, na gestão rigorosa do risco e numa perspectiva de longo prazo”, afirmou.

Segundo o gestor, o património confiado ao Fundo representa não apenas activos financeiros inscritos no balanço, mas também “poupança intergeracional” e uma responsabilidade perante os actuais e futuros cidadãos angolanos.

Essa perspectiva, defende, obriga a avaliar o desempenho do FSDEA tanto pela rentabilidade obtida como pela capacidade de preservar e fazer crescer o património no longo prazo.

É nesta segunda dimensão que entram os investimentos alternativos. A estratégia do FSDEA tem privilegiado sectores considerados estratégicos para Angola e para a formação de cadeias de valor, incluindo agricultura, mineração, hotelaria, saúde, infra-estruturas e silvicultura.

A lógica, segundo Armando Manuel, que discursava na ssesão de apresentação dos resultados, passa por avaliar o efeito económico que cada investimento pode gerar para além do activo em si. A criação de empresas fornecedoras, emprego, desenvolvimento de competências, substituição de importações, criação de capacidade exportadora e mobilização de capital privado são alguns dos efeitos que o Fundo procura desencadear através da sua carteira, de acordo com o gestor.

Esta orientação coloca o FSDEA perante um duplo desafio: maximizar o retorno financeiro dos activos e, simultaneamente, assegurar que os investimentos estratégicos contribuem para a diversificação da economia angolana.

As duas dimensões, defende o PCA do Fundo Soberano de Angola, não são incompatíveis. Um Fundo financeiramente mais sólido dispõe de maior capacidade para investir, enquanto activos de qualidade podem reforçar a preservação e valorização do património soberano, sublinha.

Dispersão geográfica de investimentos

O números apresentados mostram, por outro lado, uma carteira de investimentos alternativos também com uma exposição relevante ao continente africano, complementada por investimentos noutros mercados internacionais. A diversificação geográfica e sectorial procura, segundo a admnistração, reduzir a concentração de risco e ampliar as fontes de retorno do património sob gestão.

Em 2025, o FSDEA reforçou ainda parcerias com instituições financeiras e investidores internacionais, procurando aumentar a capacidade de mobilização de capital privado para projectos estratégicos. Entre as iniciativas desenvolvidas destaca-se a parceria com o Trade and Development Bank (TDB Group), direccionada para o reforço da capacidade produtiva e exportadora de Angola e para a integração económica regional.

A estratégia traduz uma mudança de foco que vai além da simples gestão de uma carteira financeira. Ao canalizar capital para sectores da economia real, o FSDEA procura posicionar-se como investidor institucional de longo prazo, combinando a preservação do património soberano com a criação de valor económico.

“Mais do que o resultado de um único exercício, procuramos consolidar uma trajectória de criação de valor sustentável para o património soberano e para as futuras gerações”, sublinhou Armando Manuel.

Para o presidente do FSDEA, os resultados de 2025 devem, por isso, ser lidos em duas dimensões: a financeira e patrimonial, que mede a evolução do património, o desempenho dos investimentos, o risco assumido e o retorno produzido; e a institucional e económica, relacionada com a capacidade de construir uma instituição mais sólida e preparada para colocar capital ao serviço da diversificação e transformação da economia angolana.

“Os números apresentados nesta sessão são importantes, mas mais importante ainda é aquilo que está por trás dos números: as decisões tomadas, a disciplina, a governação, a gestão dos riscos, o trabalho das nossas equipas e uma visão de longo prazo sobre o papel do Fundo Soberano”, afirmou.

Criado em 2012, o Fundo Soberano de Angola é uma instituição pública especializada na gestão de investimentos estratégicos nos mercados financeiros e em activos alternativos. A sua estratégia assenta na preservação do capital, maximização dos retornos de longo prazo, diversificação da carteira e criação de valor sustentável, através de investimentos em Angola e nos mercados internacionais.

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