O Fundo Soberano de Moçambique (FSM) atingiu 144,4 milhões em valor de mercado, uma valorização de 31,3% face aos 110 milhões USD transferidos para a sua constituição em Dezembro de 2025.
O crescimento ocorre menos de um ano depois de o Banco de Moçambique ter assumido a gestão do fundo e iniciado a implementação de uma estratégia baseada em dívida soberana internacional.
Segundo o mais recente relatório de investimentos, com data de 25 de Setembro, citado pela Lusa, o património do FSM ascendia a 144.448.736 USD, contra 109.972.546 USD no momento da constituição. A valorização acumulada corresponde a cerca de 34,5 milhões USD.
A evolução ocorre depois da alteração da estratégia de aplicação dos recursos. Inicialmente mantidos sobretudo em depósitos bancários, os activos começaram, a partir do segundo trimestre, a ser transferidos para uma carteira composta por dívida soberana denominada em dólares e euros, após a aprovação do Plano Director de Investimento pelo Ministério das Finanças.
A actual carteira está dividida entre 101,2 milhões USD em activos denominados em dólares, equivalentes a cerca de 70% do património, e 43,2 milhões USD em activos denominados em euros, correspondentes aos restantes 30%.
O plano determina que 70% dos recursos sejam geridos tendo como referência o índice ICE BofA 0-5 Year US Treasury Index, composto por obrigações do Tesouro norte-americano, enquanto os restantes 30% seguem o índice ICE BofA 0-3 Year Euro Government Index, associado à dívida soberana da Zona Euro.
A exposição internacional reduz a ligação directa do fundo à economia moçambicana e procura privilegiar activos de elevada qualidade creditícia. As regras estabelecem que pelo menos 75% dos recursos permaneçam aplicados em obrigações soberanas elegíveis e proíbem investimentos em activos emitidos por empresas moçambicanas ou directamente correlacionados com a economia nacional.
O desempenho, contudo, não tem sido linear. Apesar da valorização desde a constituição, a carteira acumulava perdas de 1,08% desde o início de Setembro e de 0,63% no trimestre, reflectindo a evolução dos mercados obrigacionistas internacionais. Apenas em 25 de Setembro, o património aumentou 151.710 USD, com um retorno diário de 0,11%.
A componente norte-americana registou nesse dia um ganho de 0,13%, enquanto a carteira em euros avançou 0,04%. A exposição geográfica concentra-se nos Estados Unidos e, na Europa, em países como Alemanha, Áustria, Finlândia, França e Países Baixos.
Criado pela Lei n.º 1/2024, o FSM tem como objectivos apoiar o desenvolvimento económico e social, constituir poupanças para futuras gerações e contribuir para a estabilização do Orçamento do Estado. A legislação determina que 40% das receitas anuais da exploração de gás natural sejam canalizadas para o fundo, num contexto em que o Governo estima que essas receitas possam atingir cerca de USD 6 mil milhões anuais na década de 2040.





