O que o motivou a escrever o livro “Petróleo em S.Tomé e Príncipe”?
O livro é resultado da minha tese de doutoramento. Aproveitar o útil e o agradável, por desenvolver um trabalho científico de alta qualidade investigativa e académica numa área profissional com mais de duas décadas de experiência e por possuir conhecimentos e informações passíveis de serem partilhados numa perspectiva estruturada e academicamente suportada e aceite tanto pela sociedade académica quanto pela sociedade em geral. Conduzir pesquisas sociais que permitisse trazer e partilhar factos, realidades e ações associadas actividades petrolíferas vividas pelos Agentes Económicos e através destes, sobre a economia…
Fala de uma geração frustrada sempre à espera da exploração petrolífera. Como se ultrapassa este impasse?
… não se trata de se estar à espera da produção petrolífera. Frustrada pela ilusão inicial mal gerida. Gestão desastrosa ou mesmo inexistente das expectativas. Não se ter sabido até à data lidar com estas actividades petrolíferas num sentido prospectivo, proativo, positivo e sustentável. Deixar a impaciência tomar conta das decisões e não planear com base em conhecimentos reais, que existem, mas que entretanto, são ignorados. Persistir em viver o dia a dia e viver para o amanhã sem noção do médio ou longo prazo sustentável. Falar de sustentabilidade e praticar sucessivamente o insustentável. Viver-se de mãos estendidas ad eternum sem explorar devidamente as potencialidades internas existentes (sem petróleo) fazendo-se, agindo-se como pobres coitados… Estas e outras representam sim a criação de uma geração frustrada e não o facto de se estar a espera ou de haver e não haver petróleo.
Então, sem o ouro negro, porque se tarda a apostar nos recursos existentes?
Não há ações que indicam na actualidade que se esteja a depositar expectativas no Oil. O certo é que não se faz nem uma coisa nem outra. As expectativas existem e são produto do próprio processo e não são necessariamente negativas. Antes pelo contrário. Como lidar com tais expectativas sim é um desafio. Existem recursos imensos no país que são ignorados, lamentavelmente, inclusive Humanos.
Lança a sua obra em Lisboa Como analisa as relações Portugal – São Tomé e Príncipe?
Deveria ser muito melhor conseguido. Portugal deve ser definido como a porta para Europa e ponto final. Em todas dimensões da relação bilateral. Com proactividade. Entretanto, não há estratégia sobre Relações Exteriores. A saúde, por exemplo, deveria ter outra abordagem… A educação idem. Os investimentos e parcerias não são explorados e se fica à espera de que as coisas caiam do céu, ou à espera para aceitar qualquer proposta do exterior sem intercalar e escalar as coisas de acordo com as realidades locais. Muita passividade e imagem de quem não sabe o que quer. Isto acontece com a globalidade das relações bilaterais e multilaterais
E como vê o futuro do seu próprio país?
Maravilhoso. Acreditando que muito mais cedo do que tarde daremos a volta a estas situações infelizes, e faremos de STP um pedaço de terra acolhedora onde os seus cidadãos tenham orgulho e vontade de viver, num ambiente de bem-estar do nível elevado. É possível e bem mais practicing do que possa parecer. A minha experiência e os conhecimentos que detenho sobre as nossas ilhas levam-me a suportar esta convicção. Desapaixonadamente.






