O Governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, disse, nesta Quinta-feira, em Luanda, que uma inclusão financeira sustentável exige um ecossistema financeiro moderno, acessível, seguro e inovador.
“É neste contexto que o Banco Nacional de Angola tem vindo a modernizar o seu quadro regulamentar e a criar condições para que a inovação tecnológica possa prosperar de forma responsável, equilibrando a promoção da concorrência com a salvaguarda da estabilidade financeira e da confiança no sistemaˮ, referiu o governador.
Manuel Tiago Dias, que discursava na abertura da 15ª Reunião dos Líderes da Iniciativa de Políticas de Inclusão Financeira Africana (AfPI), acredita que a inovação deve ser encarada como uma aliada da regulação e não como seu substituto.
“Por essa razão, o Banco Nacional de Angola tem reforçado o diálogo com o ecossistema das Fintechs, dos prestadores de serviços de pagamento e dos diversos agentes de inovação financeira, promovendo mecanismos que favoreçam o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas, sem comprometer a segurança, a integridade e a estabilidade do sistema financeiroˮ, ressaltou.
Neste âmbito, a implementação de ambientes de testes regulamentares (Sandboxes Regulatórias), segundo Manuel Tiago Dias, representa um passo importante para incentivar a inovação responsável, permitindo testar novos modelos de negócio em ambiente controlado, reduzindo riscos para os consumidores e para o próprio sistema financeiro.
“À medida que aceleramos a inclusão financeira e a digitalização dos serviços financeiros, aumenta, igualmente, a nossa responsabilidade colectiva de proteger os cidadãos e preservar a confiança no sistema financeiroˮ, sublinhou.
A expansão dos pagamentos digitais, da banca móvel e das novas plataformas tecnológicas, prosseguiu, traz consigo desafios crescentes em matéria de cibersegurança, fraude digital, protecção de dados e resiliência operacional.
“Os desafios estruturais que enfrentamos desde a inclusão financeira, à digitalização, à cibersegurança, às alterações climáticas e ao financiamento do desenvolvimento, ultrapassam fronteiras e exigem uma resposta colectiva, coordenada e sustentadaˮ, apontou.

“É precisamente neste contexto que a Iniciativa de Políticas de Inclusão Financeira de África (AfPI) se afirma como uma das mais relevantes plataformas de cooperação entre Bancos Centrais Africanos, promovendo a partilha de experiências, a harmonização de abordagens regulatórias e o desenvolvimento de soluções adaptadas às realidades económicas e sociais do nosso continenteˮ, assegurou.
O governador do BNA considerou que a cooperação entre os bancos centrais será determinante para acelerar a integração financeira africana, facilitar os pagamentos transfronteiriços, estimular a inovação responsável e reforçar a confiança dos cidadãos nos sistemas financeiros.
“O futuro da inclusão financeira em África dependerá da nossa capacidade colectiva para colocar a inovação ao serviço das pessoas, construir instituições cada vez mais fortes, aprofundar a cooperação regional e assegurar que ninguém fique excluído das oportunidades proporcionadas pela transformação económica e digitalˮ, sinalizou.
Nas últimas décadas, reforçou, o continente africano registou progressos assinaláveis no domínio da inclusão financeira.
Para o governador, a expansão das infra-estruturas de telecomunicações, a massificação dos serviços financeiros digitais, a disrupção tecnológica e o progressivo amadurecimento dos enquadramentos regulatórios, permitiram que milhões de cidadãos, anteriormente excluídos do sistema financeiro formal, passassem a ter acesso a produtos e serviços financeiros essenciais.
“Contudo, os desafios que hoje enfrentamos são substancialmente diferentes daqueles que marcaram a última década. Já não basta medir o sucesso pelo número de contas bancárias abertas, de carteiras digitais activadas ou de agentes bancários existentesˮ, entende.
O verdadeiro desafio, precisou, consiste em assegurar que a inclusão financeira produza resultados concretos na vida dos cidadãos, contribuindo para a redução da pobreza, o aumento da produtividade, a criação de oportunidades económicas e o fortalecimento da resiliência das famílias e das empresas.





