Governo angolano defende maior mobilização de capital para financiar a transformação económica de África

O ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, defendeu, esta Terça-feira, em Luanda, a necessidade de os países africanos reforçarem a capacidade de mobilização de recursos financeiros e direccionarem o capital disponível para investimentos produtivos, com vista a acelerar a transformação económica do continente. Ao discursar na abertura da…
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Ministro de Estado para a Coordenação Económica considera que o reforço dos sistemas financeiros, a integração regional e o financiamento ao sector privado são fundamentais para acelerar o crescimento económico do continente.
Economia

O ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, defendeu, esta Terça-feira, em Luanda, a necessidade de os países africanos reforçarem a capacidade de mobilização de recursos financeiros e direccionarem o capital disponível para investimentos produtivos, com vista a acelerar a transformação económica do continente.

Ao discursar na abertura da sexta edição da Cimeira da Indústria Financeira Africana (Africa Financial Summit – AFIS 2026), que decorre pela primeira vez na África Austral e num país de língua oficial portuguesa, o governante considerou que a mobilização de capital deve traduzir-se em investimento, produção, criação de emprego e melhoria das condições de vida das populações.

José de Lima Massano disse que, apesar dos avanços registados pelo sector financeiro africano, persistem desafios relacionados com o acesso ao crédito, sobretudo para empresas de pequena e média dimensão, agricultura e indústria transformadora.

O governante destacou que as receitas bancárias do continente ultrapassaram os 100 mil milhões de dólares em 2024, com níveis de rendibilidade comparáveis aos dos principais mercados emergentes. Contudo, observou que o financiamento ao sector privado continua limitado em várias economias africanas.

Para Massano, a transformação económica de África depende da capacidade de converter poupança em investimento produtivo, financiar empresas competitivas, apoiar o empreendedorismo e desenvolver infra-estruturas, num contexto marcado por incertezas geopolíticas, volatilidade financeira, fragmentação comercial e rápidas mudanças tecnológicas.

O ministro chamou igualmente a atenção para o peso da informalidade nas economias africanas, estimando que cerca de 85% do emprego no continente se encontra neste segmento, situação que limita a arrecadação fiscal e restringe o acesso de empresas e cidadãos aos serviços bancários e ao crédito.

Neste sentido, apontou a digitalização dos serviços financeiros e a utilização de soluções baseadas em inteligência artificial como instrumentos capazes de reduzir custos, melhorar os mecanismos de avaliação de risco e alargar o acesso ao financiamento, incluindo para operadores sem garantias formais exigidas pelo sistema bancário.
Integração financeira e infra-estruturas

Na perspectiva do governante, o futuro financeiro de África dependerá também do aprofundamento da integração regional, tendo em conta que os custos dos pagamentos transfronteiriços continuam a constituir um obstáculo ao comércio intra-africano.

Entre as soluções apontadas, destacou o Sistema Pan-Africano de Pagamento e Liquidação (PAPSS) e as iniciativas de interligação dos mercados de capitais africanos, que poderão contribuir para a construção de uma arquitectura financeira mais integrada e favorável ao comércio e ao investimento.

José de Lima Massano reconheceu ainda o papel das instituições financeiras multilaterais e dos parceiros internacionais de desenvolvimento na mobilização de recursos para responder ao défice de financiamento das infra-estruturas no continente.

Sublinhou, contudo, que a mobilização de capital deve ser acompanhada por instituições sólidas, boa governação, segurança jurídica, estabilidade macroeconómica e quadros regulatórios credíveis, responsabilidades que atribuiu aos Estados africanos.

Angola apresenta crescimento de 8,74%

Ao abordar a realidade económica nacional, o ministro afirmou que Angola atravessa um processo de transformação estrutural, caracterizado pela diversificação da economia, abertura ao investimento e crescente participação da iniciativa privada.

Com base nas projecções do Fundo Monetário Internacional (FMI), de Abril de 2026, Massano referiu que Angola é a sexta maior economia de África, com um Produto Interno Bruto (PIB) nominal estimado em cerca de 152 mil milhões de dólares, posicionando-se como a terceira maior economia da África Subsaariana.

O governante destacou que a economia não petrolífera representa actualmente cerca de 85% do PIB nacional, com a agricultura e a pecuária a assumirem um peso de aproximadamente 23% na estrutura económica do país.

Acrescentou que, no segundo trimestre de 2026, a economia angolana registou um crescimento de 8,74%, enquanto o sector não petrolífero expandiu 9,24%.

Na sua intervenção, associou este desempenho às reformas implementadas pelo Executivo, liderado pelo Presidente da República, João Lourenço, destinadas a melhorar o ambiente de negócios, reforçar a concorrência e promover a participação do sector privado nacional e estrangeiro.

Massano apontou ainda os investimentos em infra-estruturas de energia, água, transportes, estradas e telecomunicações como factores que poderão reforçar a posição de Angola nas cadeias regionais de produção e distribuição.

Para o ministro, o sistema financeiro nacional tem uma responsabilidade decisiva neste processo, devendo mobilizar recursos e financiar os sectores que sustentam a diversificação e o crescimento da economia.

África perante desafios de financiamento

Na parte final do discurso, José de Lima Massano considerou que as próximas décadas serão determinantes para definir o posicionamento de África na economia mundial, sobretudo no financiamento da industrialização, desenvolvimento de infra-estruturas e aprofundamento da integração económica.

O governante defendeu o reforço da cooperação entre instituições, a mobilização da poupança interna e a canalização de capital para as prioridades estratégicas do continente, como condições para construir uma economia africana mais integrada, competitiva e próspera.

A sexta edição da Africa Financial Summit 2026 reúne em Luanda responsáveis governamentais, dirigentes de bancos centrais, instituições financeiras, reguladores, investidores e representantes do sector empresarial, numa iniciativa organizada pelo Jeune Afrique Media Group e pela International Finance Corporation (IFC).

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