O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, convocou, esta Segunda-feira, o embaixador plenipotenciário da África do Sul, residente na Guiné-Bissau, Mphakama Nyagweni, para se inteirar da situação geral que se vive naquele país.
O embaixador informou que o governo sul-africano está a aumentar a segurança em algumas partes dos país, em conjunto com os militares.
“O Governo sul-africano está a envidar esforços para suprimir os crimes. Acreditamos que iremos controlar esta situação. Não é uma situação nova, no passado já conseguimos controlar. E é neste sentido que estamos a trabalhar com medidas mais musculadas para pôr cobro à situação, garantiu Mphakama Nyagweni.
Sobre a relação entre os dois países, o embaixador adiantou que “a Guiné-Bissau e república sul-africana estão bem, mas ainda podemos elevar mais e melhor. Temos de elevar as nossas relações empresariais e diplomáticas”.
Ilídio vieira Té diz que acompanha atentamente toda a situação com inquietação, apelando para que os direitos fundamentes de todos os residentes sejam salvaguardados, independentemente da sua nacionalidade e que as medidas a serem tomadas pelos sul-africanos sejam eficazes de forma a pôr fim à violência e à xenofobia.
África do Sul abriga cerca de 3,95 milhões de imigrantes, que significa 6,5 % da população, segundo dados da do instituto da segurança (ISS).
No entanto, acredita-se que o número seja mais elevado em cerca de 12 milhões, ilegais oferecendo uma de obra mais barata. Na sua maioria oriundos dos países vizinhos e com ligações históricas como Moçambique, Lesotho, Zimbabwe, Tanzânia, Ghana, entre outros.
Um movimento LACO- Labour and Civic Organizationt , que tem como líder Zandile Dabula, que está à frente da “operação Dabula”, que em zulu, uma das línguas locais da África do Sul , significa “empurrar”, expulsar os imigrantes para fora do território. Este movimento nasceu em 2021 e tem promovido protestos e ações diretas contra imigrantes.
No entanto mesmo dentro do país é contestado, pelo líder da oposição, Julius Malema que desde logo condena a xenofobia, questionado: “se a cada violência praticada ou cada estabelecimento fechado quantos postos de emprego são criados?”, Július Malema pede uma profunda reflexão na luta do sul-africano durante o Apartheid, fazendo jus aos vizinhos que lhe os apoiaram e que hoje o movimento expulsa.
Nem por isso o movimento LACO deixou de sair às ruas das grandes cidades de Durban, Joanesburgo e Cape Town e iniciou de forma violenta a expulsão dos emigrantes, afirmando que estes estariam a “tomar lhes” o emprego, dirigindo-se a escolas, hospitais e agredido emigrantes, quer legais ou ilegais.
Por consequência destes actos, imediatamente líderes de países, africanos posicionaram se em defesa dos seus cidadãos, uma vez que não é a primeira vez que tal situação acontece. Daniel Tchapo, Presidente de Moçambique, mandou cortar a energia fornecida para RSA. Igualmente Jonh Dramani, Presidente do Ghana. Samia Suluhu, Presidente da Tanzânia deu 48h00 para a saída de todos os cidadãos sul-africanos da Tanzânia, bem como mandou cortar todas as relações diplomáticas e bilaterais.
O chefe de Governo sublinhou que a diplomacia guineense deverá continuar a acompanhar de perto a evolução da situação, não se excluído da adição de medidas adicionais, caso se verifique um agravamento das condições de segurança para os cidadãos nacionais na república sul-africana.




