Os lucros do Standard Bank, um dos três maiores bancos moçambicanos, recuaram 26% em 2025, para 4.526 milhões de meticais (60,4 milhões de euros), afectados pelo risco soberano e falta de divisas, segundo o relatório e contas.
De acordo com o documento, o desempenho do banco compara com os lucros de 6.134 milhões de meticais (81,8 milhões de euros) em 2024, que por sua vez já tinham recuado 15% face ao recorde de 7.191 milhões de meticais (95,9 milhões de euros) em 2023.
A administração propôs distribuir 60% dos lucros de 2025 em dividendos aos acionistas, equivalente a 2.715 milhões de meticais (36,2 milhões de euros).
Ainda segundo o relatório e contas, o “banco continuou a demonstrar resiliência face a desafios significativos” em 2025, mas o desempenho foi condicionado “sobretudo” por “factores macroeconómicos, tais como o elevado risco soberano, efeitos negativos da queda das taxas de juro, disponibilidade limitada de divisas e contração do crédito”.
“Os nossos resultados refletem o sucesso da nossa estratégia de maior proximidade dos nossos clientes. Isto permite-nos satisfazer as suas necessidades de forma proativa, o que é fundamental para a nossa promessa de apoiar as ambições que impulsionam o crescimento do nosso país”, acrescenta o Standard Bank, no relatório e contas, em que refere ainda que “em linha com as expectativas”, o retorno sobre o capital próprio (ROE) também registou uma queda, de 17,7%, em 2024.
No documento recorda-se que ao longo de 2025 o Banco de Moçambique reduziu um total de 325 pontos base à taxa de juro de referência MIMO, encerrando o ano em 9,5%, seguindo-se a cortes de 450 pontos em 2024, num ambiente de “taxas de juro baixas” que “exerceu pressão” sobre o rendimento de juros, “reduzindo a margem financeira líquida de 8,5% em 2024 para 7,0%”.
Acrescenta que a “oferta limitada de divisas em 2025 perturbou as importações de bens intermédios, limitou a expansão do sector privado e reduziu o crescimento fora do setor extrativo” em Moçambique, com “impacto directo na procura” de produtos de crédito.
“Assim, a nossa carteira de crédito manteve-se estática em relação a 2024”, refere-se. O banco sublinha, contudo, que o balanço “continuou a demonstrar resiliência”, com o total de ativos a crescer 8,7%, para 193.875 milhões de meticais (2.586 milhões de euros), incluindo 32.457 milhões de meticais (432,9 milhões de euros) de crédito a clientes, neste caso praticamente inalterado no último ano.
Já a carteira de depósitos, diz a Lusa, aumentou 15,8%, atingindo 139.591 milhões de meticais (1.862 milhões de euros), enquanto o passivo total cresceu 8,3%, para 155.158 milhões de meticais (2.069 milhões de euros) no final do ano passado.




