Insegurança alimentar grave volta a aumentar em Cabo Verde

Em dois anos, a prevalência da insegurança alimentar grave aumentou 2,7 pontos percentuais, segundo o sétimo relatório estatístico de acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A evolução contrasta com a redução observada entre 2018 e 2020, quando este indicador passou de 10,8% para 3,8%, o valor mais baixo do período analisado. Considerando em conjunto…
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A dificuldade em garantir alimentação suficiente agravou-se em Cabo Verde: em 2024, a insegurança alimentar grave atingia 8,3% da população, contra 5,6% em 2022. Os dados agora revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que os progressos registados nos últimos anos não impediram um recuo nos indicadores mais recentes.
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Em dois anos, a prevalência da insegurança alimentar grave aumentou 2,7 pontos percentuais, segundo o sétimo relatório estatístico de acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A evolução contrasta com a redução observada entre 2018 e 2020, quando este indicador passou de 10,8% para 3,8%, o valor mais baixo do período analisado.

Considerando em conjunto as situações de insegurança alimentar moderada ou grave, quase um terço da população continuava a enfrentar dificuldades no acesso à alimentação em 2024. A proporção situava-se nos 32,2%, ligeiramente acima dos 31,9% registados em 2022, embora abaixo dos 41,1% de 2018.

O balanço revela, assim, duas realidades: uma melhoria face ao início da série e um agravamento nos dados mais recentes, particularmente na componente grave. O acesso económico a uma alimentação suficiente, nutritiva e segura permanece um desafio para uma parcela expressiva dos cabo-verdianos.

Factos que se justificam pelo aumento do preço dos alimentados importados e uma fraca produção nacional, incapaz de suprir as necessidades alimentares da população.

Também a subalimentação apresenta sinais de deterioração. Depois de diminuir de 16,6%, em 2015, para 12,1%, em 2021, a proporção da população cuja alimentação não satisfaz as necessidades energéticas mínimas voltou a aumentar, atingindo 13,5% em 2023.

Os indicadores de alimentação contrastam com a evolução da pobreza extrema no período disponível. Segundo o mesmo relatório, a percentagem de pessoas a viver abaixo da linha de pobreza internacional recuou de 4,6%, em 2015, para 2,3%, em 2022.

O documento acompanha a posição de Cabo Verde na concretização da Agenda 2030 das Nações Unidas, que reúne 17 objetivos e 169 metas. A erradicação da pobreza e da fome, a par da melhoria da saúde e do bem-estar, estão entre os compromissos centrais.

Na área alimentar, os resultados mais recentes evidenciam a necessidade de recuperar a trajetória de melhoria e de assegurar que os avanços alcançados se traduzam num acesso mais estável à alimentação.

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