O Porto do Soyo, na província do Zaire, regista actualmente um volume de negócios anual estimado em cerca de 7 mil milhões de kwanzas, resultado da actividade desenvolvida pelas empresas concessionárias que operam nas suas instalações e das receitas provenientes do actual modelo de gestão da infra-estrutura portuária.
Os dados foram avançados pelo presidente do Conselho de Administração do Porto do Soyo, Fernando Carlos Dias, que explicou que a infra-estrutura deixou de funcionar segundo o modelo tradicional de exploração directa das actividades portuárias e passou a adoptar uma estrutura de gestão baseada na concessão dos seus terminais e áreas de operação.
De acordo com o responsável, o Porto do Soyo funciona actualmente segundo um modelo de gestão conhecido como landlord port, no qual a administração portuária mantém a gestão das infra-estruturas, enquanto a exploração das diferentes actividades é realizada por operadores especializados através de contratos de concessão.
“Hoje já não é um porto ferramenta. A actividade portuária está toda concessionada”, referiu Fernando Carlos Dias, sublinhando que o modelo permite ao porto gerar receitas através das concessões existentes.
O responsável considera que o actual nível de actividade representa uma base importante para o crescimento da infra-estrutura, mas admite que existe margem para aumentar o volume de negócios através da entrada de novos projectos, diversificação das actividades e melhoria das condições de acesso ao porto.
Três principais concessionárias
Actualmente, o Porto do Soyo conta com cerca de três concessionárias, entre as quais a Quanda, a Petromar e a Sugester, empresas que desenvolvem actividades distintas dentro da área portuária.
A Quanda é apontada como uma das principais concessionárias e está vocacionada para o apoio às empresas ligadas à actividade petrolífera, particularmente às operações desenvolvidas em onshore.
A Petromar também desenvolve actividades relacionadas com o apoio ao sector petrolífero, mantendo uma presença no espaço portuário em função das necessidades da indústria que opera na região.
Já a Sugester assegura a exploração do terminal fluvial destinado ao transporte de passageiros e carga, desempenhando um papel relevante na ligação entre o Soyo e Cabinda.
Esta ligação assume importância não apenas para a circulação de pessoas, mas também para o transporte de mercadorias e para a actividade económica entre as duas localidades.
Actividade petrolífera continua a ter peso
A actividade do Porto do Soyo continua fortemente relacionada com a indústria petrolífera, tendo em conta a importância económica da região e a presença de empresas que prestam serviços de apoio às operações do sector.
O modelo de concessões permite que empresas especializadas desenvolvam actividades dentro da área portuária, enquanto a administração do porto obtém receitas através dos contratos estabelecidos com os operadores.
Para Fernando Carlos Dias, a estrutura actual permite ao Porto do Soyo concentrar-se na gestão da infra-estrutura e na criação de condições para a instalação de novos operadores e projectos.
A estratégia passa, entretanto, por reduzir a dependência de uma actividade específica e criar condições para o crescimento de outros segmentos de negócio.
Terminal de fertilizantes pode diversificar actividade
Entre os projectos que poderão contribuir para a diversificação da actividade está a instalação de um terminal de fertilizantes, associado à Alpaia.
Segundo o PCA, o terminal deverá ser instalado dentro da área que actualmente se encontra concessionada à Quanda.
A localização do projecto dentro de uma área já concessionada significa que a sua implementação deverá ocorrer no quadro da estrutura existente de exploração do porto.
A entrada em funcionamento de um terminal dedicado aos fertilizantes poderá acrescentar uma nova área de actividade ao Porto do Soyo, contribuindo para ampliar o tipo de cargas movimentadas e, potencialmente, aumentar a actividade económica gerada pela infra-estrutura.
O projecto surge num contexto em que Angola procura reforçar a produção agrícola e melhorar a disponibilidade de insumos para o sector, embora a dimensão efectiva do impacto económico do terminal dependa da sua implementação e do nível de operações que vier a alcançar.
Digitalização é um dos principais desafios
Apesar do volume de negócios anual estimado em 7 mil milhões de kwanzas, o Porto do Soyo enfrenta desafios relacionados com a modernização tecnológica.
Fernando Carlos Dias considera que a digitalização dos processos portuários constitui actualmente uma das principais prioridades para garantir maior eficiência e acompanhar a transformação tecnológica que ocorre nos principais portos internacionais.
“Os portos hoje são portos eminentemente inteligentes e, para não ficarmos atrás, temos de caminhar para isso”, explicou.
A digitalização deverá permitir melhorar os processos administrativos e operacionais, aumentar a capacidade de acompanhamento das cargas e tornar mais eficientes as relações entre o porto, concessionários, operadores e clientes.
No entanto, o PCA reconhece que a transformação tecnológica exige investimentos elevados.

Segundo o responsável, grande parte dos equipamentos e soluções utilizados para modernizar os portos não é produzida localmente, obrigando à sua importação.
Essa realidade aumenta os custos associados à modernização e constitui um dos obstáculos para a implementação mais rápida de soluções digitais.
Conectividade condiciona competitividade
Além da digitalização, a conectividade constitui outro dos grandes desafios identificados pela administração do Porto do Soyo.
Fernando Carlos Dias considera que um porto não pode ser analisado apenas pela qualidade das suas instalações internas, uma vez que a sua competitividade depende também da existência de boas ligações rodoviárias, ferroviárias, aéreas e fluviais.
O Soyo dispõe actualmente de uma ligação rodoviária com Luanda que o responsável considera de boa qualidade e fundamental para a circulação de pessoas e mercadorias.
No entanto, a situação é diferente quando se analisam as ligações com outras zonas do país.
O PCA chamou a atenção para as limitações existentes em determinados troços rodoviários e para a inexistência de algumas ligações directas que poderiam ampliar a área de influência económica do porto.
Na sua perspectiva, um porto que pretende funcionar como porta de entrada e saída de mercadorias precisa de estar integrado numa rede de transportes capaz de garantir o fluxo regular de cargas e passageiros.
Ferrovia é considerada estratégica
A ausência de uma ligação ferroviária surge como uma das principais limitações à expansão do Porto do Soyo.
Para Fernando Carlos Dias, a ferrovia permitiria reforçar a capacidade do porto para movimentar cargas destinadas a outras regiões do país, reduzindo a dependência do transporte rodoviário.
“É preciso ter linha férrea”, defendeu o responsável, ao abordar as condições necessárias para colocar o Porto do Soyo num patamar de maior competitividade.
Questionado sobre a existência de estudos concretos para uma eventual ligação ferroviária, o PCA explicou que não dispõe de informação específica sobre projectos governamentais em curso, uma vez que este tipo de iniciativa ultrapassa o âmbito de intervenção directa da administração portuária.
Ainda assim, considera que a importância estratégica do Porto do Soyo e a necessidade de reforçar a conectividade da região deverão justificar a realização de estudos e projectos destinados a melhorar as ligações ferroviárias.
Ligação com Cabinda também precisa de reforço
A conectividade com Cabinda é outro dos pontos destacados pelo responsável. Actualmente, a ligação fluvial entre Soyo e Cabinda é assegurada através do terminal explorado pela Sugester, permitindo o transporte de passageiros e carga.
No entanto, Fernando Carlos Dias considera que a existência de outras alternativas de transporte poderia reforçar a integração económica entre as duas regiões.
O responsável apontou, nomeadamente, a inexistência de uma ligação aérea directa Soyo–Cabinda como uma das limitações que afectam a mobilidade de pessoas.
Para o gestor, a competitividade do Porto do Soyo depende de uma abordagem mais ampla, envolvendo diferentes sectores da economia e da administração pública.
Desafio ultrapassa administração portuária
Na avaliação do PCA, os constrangimentos relacionados com a ferrovia, as estradas e as ligações aéreas não podem ser resolvidos isoladamente pelo Porto do Soyo.
“Isso constitui um grande desafio, não para o Porto do Soyo, mas sim para o Governo no seu todo”, sustentou.
A posição reflecte a necessidade de uma estratégia integrada de transportes, na qual as infra-estruturas portuárias estejam articuladas com estradas, caminhos-de-ferro, aeroportos e outros pontos de circulação de mercadorias.
Uma maior integração permitiria, na perspectiva apresentada pelo gestor, ampliar o mercado servido pelo Porto do Soyo e criar condições para aumentar o volume de carga e, consequentemente, a actividade económica gerada.
113 trabalhadores no quadro do porto
Em matéria de emprego, o Porto do Soyo conta actualmente com cerca de 113 trabalhadores directos. Fernando Carlos Dias reconhece que este número é inferior ao de outros portos nacionais de maior dimensão, mas considera que representa uma contribuição relevante para o mercado de trabalho da província do Zaire.
O impacto económico da infra-estrutura, contudo, não se limita aos trabalhadores directamente contratados pelo porto.
A presença das concessionárias, empresas de apoio, operadores e prestadores de serviços cria igualmente actividade económica indirecta em torno da infra-estrutura.
Neste sentido, a expansão dos negócios do porto poderá ter efeitos sobre outros segmentos da economia local, particularmente se forem implementados novos terminais e aumentada a capacidade de movimentação de cargas.
Meta passa pela expansão da actividade
Com um volume de negócios anual estimado em 7 mil milhões de kwanzas, o Porto do Soyo procura agora criar condições para aumentar a sua actividade e reforçar a sua posição estratégica no norte de Angola.
A expansão deverá assentar na modernização tecnológica, na atracção de novos projectos, na diversificação das cargas e na melhoria das ligações com o restante território nacional.
A instalação do terminal de fertilizantes, a continuidade das operações ligadas ao sector petrolífero e o reforço das actividades das concessionárias constituem elementos do actual quadro de desenvolvimento da infra-estrutura.
Ao mesmo tempo, a administração reconhece que a evolução futura dos negócios dependerá também de factores externos ao porto, sobretudo da melhoria da conectividade terrestre, ferroviária e aérea.
A administração do Porto do Soyo procura, assim, transformar uma infra-estrutura historicamente associada à actividade petrolífera num espaço portuário com maior diversidade de operações e capacidade para captar novos investimentos.





