A confiança dos consumidores em Cabo Verde manteve uma evolução positiva no segundo trimestre de 2026, mas o indicador esconde uma realidade mais dura: 99,7% das famílias inquiridas consideram que a actual situação económica do país não lhes permite poupar dinheiro, contra 93,3% no mesmo período de 2025.
O agravamento da percepção sobre a capacidade de poupança representa uma deterioração de 6,4 pontos percentuais num ano e contrasta com a ligeira melhoria da confiança das famílias. Apenas 0,3% dos inquiridos consideram ser possível poupar algum dinheiro nas actuais condições económicas, contra 6,7% no segundo trimestre de 2025.
Os dados constam do relatório sobre o indicador de confiança dos consumidores divulgado esta Quinta-feira, 13, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) de Cabo Verde.
Segundo o documento, o indicador apresentou, no segundo trimestre, uma evolução nula face ao trimestre anterior, mantendo-se, contudo, acima da média da série histórica. O resultado traduz uma ligeira confiança das famílias cabo-verdianas, embora sem melhoria significativa em relação ao período imediatamente anterior.
A percepção dos agregados familiares sobre a evolução da economia continua, entretanto, marcada por algum pessimismo. Nos últimos 12 meses, tanto a situação económica dos próprios lares como a situação económica do país foram avaliadas negativamente quando comparadas com o trimestre homólogo de 2025.
As expectativas para os próximos 12 meses apresentam um quadro misto. As famílias antecipam uma evolução negativa da sua situação financeira, enquanto esperam uma melhoria da situação económica do país face ao mesmo período de 2025.
Também na percepção sobre preços e desemprego surgem sinais distintos. Os inquiridos consideram que tanto os preços dos bens e serviços como o desemprego diminuíram face ao mesmo período do ano passado e esperam que ambos continuem a diminuir nos próximos 12 meses.
O contraste entre uma confiança relativamente estável e uma capacidade de poupança praticamente inexistente merece particular atenção. A evolução sugere que uma eventual melhoria das expectativas sobre a economia ainda não se está a traduzir numa maior folga financeira para as famílias.
Para o consumo e para o mercado interno, esta diferença é relevante. Uma elevada confiança dos consumidores pode favorecer decisões de consumo e investimento, mas uma capacidade de poupança próxima de zero revela que grande parte dos agregados continua a operar com reduzida margem financeira.
O comportamento do indicador de poupança será, por isso, um dos sinais a acompanhar nos próximos trimestres para perceber se a confiança dos consumidores se transforma numa melhoria efectiva das condições financeiras das famílias cabo-verdianas.





