Houston, com o tempo abafado, quase lembrando África, recebeu a comitiva angolana para um momento histórico: testar o equipamento da refinaria de Cabinda, agora pronto para seguir viagem para aquele que é o seu verdadeiro destino.
Nas instalações da VFuels, empresa responsável pela sua construção e montagem, em Houston, o veridicto da equipa técnica foi positivo, sendo a destacar duas grandes inovações neste projecto: a construção de uma unidade modular de destilação de petróleo bruto de 30.000 barris por dia, a maior produzida até à data pela VFuels, e também a maior unidade modular de destilação de petróleo bruto de uma só linha construída até à data a nível mundial, e que é parte integrante da Refinaria de Cabinda.
O momento foi duplamente presidido por Diamantino de Azevedo, ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás e por Sebastião Gaspar Martins, pca da Sonangol que enfatizou a importância deste projecto para “a independência do país face à importação de produtos refinados. Vamos usar os recursos naturais de que dispomos para produzirmos produtos refinados em solo angolano, com cidadãos angolanos”.
Uma opinião corrobuda pelo titular da pasta do petróleo Petróleo que salientou ser este o caminho para a tão famigerada independência do país ao nível da produção própria de produtos derivados do petróleo. “Este é, de facto, um passo crucial para que a refinaria de Cabinda possa entrar em produção e, ao mesmo tempo, para a prossecução dos objectivos que definimos no início das nossas funções. E é igualmente importante porque confirma que demos o primeiro passo e que já vamos a meio do caminho. Um caminho que iremos concluir com êxito e com o qual vamos melhorar significativamente os indicadores económicos de Angola e a qualidade de vida dos nossos cidadãos”.
A refinaria, orçada em mil milhões de dólares, terá uma capacidade instalada para processamento de 60.000 barris por dia, após concluídas as suas três fases de implementação. Estamos na primeira. Aquela que permitirá um score de 30 mil barris de petróleo por dia, número que duplicará, segundo os donos do projecto, a Gemcorp Holdings Ltd. e a Sonangol.
“A Gemcorp tem apostado em contribuir para o desenvolvimento de Angola e da sua economia, sendo a refinaria de Cabinda um dos nossos projectos mais relevantes, uma vez que vai altear o paradigma do sector de oil&gas no país, criar emprego e gerar mais-valias para a província. Sabemos, por isso, que este é o caminho certo e que a Gemcorp se manterá comprometida e empenhada com a sua conclusão em tempo oportuno”, acrescentou Atanas Bostandjev, CEO da Gemcorp, durante a cerimónia de teste.
Este passo é fundamental para que a Refinaria de Cabinda possa entrar em funcionamento durante este ano, e depois, já plenamente implementada, estima-se que produza gasolina, gasóleo, GPL, óleo combustível e Jet A1. Miguel Figueiredo, da OEC Angola, a empresa responsável pela construção da infraestrutura, realçou ainda o impacto da obra nos postos de trabalho – serão criados 1300 – e na atracção de futuros investidores e investimentos.





