Última entrevista de Mamadú Baldé emociona pela confiança no futuro da Guiné-Bissau. E foi dada a nós.

A morte de Mamadu Baldé, secretário de Estado do Tesouro da Guiné Bissau, deixa um vazio profundo no país. Naquela que viria a tornar-se a sua última entrevista, concedida à Forbes África Lusófona, o responsável guineense falou de Bissau com sentido de missão, serenidade e uma esperança firme num futuro mais estável para a nação.…
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Aos 70 anos, deixa-nos o secretário de Estado do Tesouro da Guiné-Bissau e alto funcionário do Banco Central dos Estados de África Ocidental.
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A morte de Mamadu Baldé, secretário de Estado do Tesouro da Guiné Bissau, deixa um vazio profundo no país. Naquela que viria a tornar-se a sua última entrevista, concedida à Forbes África Lusófona, o responsável guineense falou de Bissau com sentido de missão, serenidade e uma esperança firme num futuro mais estável para a nação.

Num contexto internacional exigente e perante os desafios internos da Guiné-Bissau, Mamadu Baldé fez questão de deixar uma mensagem clara de confiança institucional. “A Guiné-Bissau continuará a respeitar os compromissos assumidos”, afirmou, numa frase que hoje ecoa com ainda maior simbolismo. Mais do que uma declaração política, era a expressão de uma visão de Estado baseada na credibilidade, continuidade e responsabilidade.

Ao longo da conversa, mostrou-se consciente das fragilidades do país, mas recusou sempre o discurso do conformismo. “Estamos empenhados em restaurar a confiança dos parceiros internacionais e criar condições para um ambiente económico mais estável”, sublinhou, defendendo que o futuro da Guiné-Bissau dependeria da capacidade de consolidar instituições fortes e previsíveis.

Mamadu Baldé acreditava profundamente no potencial do país e na necessidade de construir uma nova narrativa para a nação guineense. “A Guiné-Bissau tem recursos, tem pessoas capazes e tem condições para crescer”, disse durante a entrevista, insistindo que o país precisava de ser visto para além da instabilidade política que frequentemente domina as manchetes internacionais.

As suas palavras revelavam também uma preocupação genuína com o impacto social das decisões económicas. “As reformas são necessárias, mas devem servir a população”, afirmou, mostrando uma visão que conciliava responsabilidade financeira com sensibilidade social.

Hoje, reler esta entrevista é reencontrar a voz de um homem que falava com prudência, mas também com convicção. Um homem que escolheu acreditar na possibilidade de uma Guiné-Bissau mais respeitada, mais organizada e mais preparada para o futuro.

Mamadu Baldé parte deixando um legado de compromisso e uma última mensagem de esperança ao seu país. E talvez seja precisamente isso que torna esta entrevista tão marcante: nela, não falou apenas de economia ou diplomacia, falou da crença inabalável numa Guiné-Bissau capaz de cumprir o seu destino.

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