João Lourenço nomeou esta terça-feira, 25 de fevereiro, Fausta Raul Muzumbi para o cargo de directora-geral da Unidade de Informação Financeira (UIF), colocando uma nova liderança à frente de um dos órgãos mais sensíveis da arquitectura institucional angolana no domínio da transparência e integridade financeira.
A decisão, tornada pública pelos Serviços de Imprensa da Presidência da República, surge acompanhada da exoneração de Gilberto Moisés Moma Capeça, que até aqui liderava a instituição responsável por coordenar a prevenção e o combate ao branqueamento de capitais, financiamento do terrorismo e proliferação de armas de destruição em massa em Angola.
Representatividade feminina na liderança pública
A nomeação de Fausta Raul Muzumbi representa uma nova etapa para a instituição. Embora discreta no espaço mediático, a nova directora-geral é reconhecida nos círculos técnicos pela sua experiência nas áreas de regulação, análise financeira e cumprimento normativo.
Com um percurso profissional ligado ao sector financeiro e à administração pública, Muzumbi construiu carreira em funções que exigem rigor técnico, capacidade analítica e profundo conhecimento dos mecanismos de controlo e supervisão.
Fontes do sector sublinham que o seu perfil técnico poderá reforçar a componente operacional e estratégica da UIF num momento em que Angola procura consolidar reformas estruturais no domínio da transparência financeira e do alinhamento com padrões internacionais.
A sua nomeação reforça igualmente a presença feminina em cargos de direcção de elevada responsabilidade no aparelho do Estado angolano. Num sector tradicionalmente dominado por homens, a sua ascensão à liderança da UIF acrescenta uma dimensão simbólica relevante ao debate sobre diversidade e inclusão nas estruturas de decisão económica.
Para além do simbolismo, o desafio que assume é eminentemente técnico: garantir que a Unidade de Informação Financeira continue a fortalecer os seus mecanismos de análise, cooperação interinstitucional e resposta eficaz a riscos emergentes, num ambiente financeiro cada vez mais complexo e digitalizado.
Uma função estratégica no sistema financeiro
A UIF é o órgão central do Estado angolano encarregado de receber, tratar e analisar comunicações de operações suspeitas enviadas por bancos, seguradoras, sociedades financeiras e demais entidades obrigadas por lei. A partir dessa análise, produz relatórios de inteligência financeira e partilha informação com as autoridades competentes sempre que existam indícios de ilícitos.
A actuação da unidade estende-se ainda à cooperação com organismos nacionais e internacionais congéneres, contribuindo para a salvaguarda da integridade e estabilidade do sistema financeiro nacional.
A liderança da UIF é particularmente relevante num período em que a reputação financeira dos Estados é escrutinada à escala global. Organizações internacionais avaliam regularmente os sistemas nacionais de prevenção ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, sendo esses relatórios determinantes para o acesso a financiamento externo, investimento directo estrangeiro e relações bancárias internacionais.
Com esta nomeação, o Executivo angolano abre um novo capítulo na liderança da instituição encarregue de proteger a integridade do sistema financeiro nacional — uma missão silenciosa, mas crítica para a estabilidade económica e reputacional do país.





