Angola gasta aproximadamente 850 mil dólares por dia na importação de frango, avançou esta Quinta-feira, em Luanda, pelo ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguês.
O governante discursava na abertura da Conferência sobre o Desenvolvimento do Sector Avícula, iniciativa do Fundo Soberando0 de Angola FSDA, em co-organização com a Interational Finance Corporation IFC, que visa reforçar a produção nacional, reduzir importações e fortalecer a segurança alimentar.
Olhando para os dados da nossa Administração Geral Tributária (AGT), em 2025, o ministro angolano sublinhou que o país importou cerca de 227.855 toneladas de frango e suas partes, o que representou um custo CIF de mais de 310 milhões de dólares.
“Embora este valor tenha baixado em relação aos 381 milhões de dólares registados em 2022, o que representa uma redução na ordem dos 18,64%, a verdade é que cada dólar enviado para o estrangeiro é um dólar que não investimos nas nossas fazendas, na nossa indústria, na nossa logística e comércio e, de um modo geral, na criação de emprego para os nossos jovens e uma perda de oportunidade de criação de riqueza nacional”, lamentou.
Rui Miguês disse a nossa missão do Governo é transformar Angola de um importador de carne de frango par num produtor auto-suficiente e, desejavelmente, num futuro não longínquo, num exportador.
Apesar dos desafios, assegurou, a produção nacional de carne de aves tem demonstrado uma resiliência notável.
“Entre 2019 e 2025, assistimos a um crescimento encorajador, na produção de carne de aves saltámos de 28.185 toneladas em 2019 para uma estimativa de 64.394 toneladas em 2025”, frisou.
Quanto aos insumos, o governante fez saber que o milho, elemento essencial da alimentação e factor base da ração animal, também cresceu de 2,8 milhões de toneladas para mais de 3,5 milhões de toneladas no mesmo período.
“Estes números provam que, quando damos as ferramentas aos nossos produtores, a terra responde. Contudo, para atingir as metas do nosso Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023-2027, precisamos de acelerar”, frisou.
Estratégia e diversificação económica e acesso ao mercado interno
De acordo com o ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguês, a avicultura tem todas as condições para ser mais um motor para a diversificação económica.

“Ela não vive isolada, ela puxa por toda uma cadeia de valor. Agricultura exige mais milho e soja para ração, indústria requer unidades de abate, processamento e embalagem e logística necessita de transporte eficiente e, crucialmente, de uma cadeia de frio robusta”, apontou.
O ministro sustentou ainda que o comércio precisa de uma cadeia de distribuição e venda a retalho capaz de fazer chegar o produto em boas condições ao consumidor final e que recursos humanos requer a existência e formação de recursos humanos adequados e capacitados em cada elo da cadeia, variando na sua formação técnica e profissional.
Ao longo deste processo, prosseguiu, outros sectores como das infra-estruturas de energia, água, estradas, ensino e de financiamento, incorporam valor e geram oportunidades de investimento e emprego.
“O PDN 2023-2027 coloca a autossuficiência e segurança alimentar no centro das nossas prioridades. Não se trata apenas de ter comida; trata-se de ter proteína acessível e de qualidade para as famílias angolanas, reduzindo a exposição aos choques de preços internacionais e rupturas nas suas cadeias logísticas por factores adversos como climáticos, geopolíticos ou de interesses económicos nacionais”, precisou.
O ministro defendeu instrumentos financeiros que entendam o ciclo biológico da ave e os riscos do agronegócio, acrescentando que o Executivo tem vindo a criar incentivos que garantam prioridade de acesso ao mercado interno e vantagem comparativa ao produtor nacional.
“As restrições nas importações que vimos implementando de carácter tarifário e não tarifário, têm esse objectivo, o qual é balanceado com a necessidade de continuar a prover a nossa população, com o acesso à proteína base para a sua alimentação. Não queremos proteccionismo cego, queremos competitividade estrutural que nos permita sentar em bases sólidas e permanentes a cadeia de produção de frango, tornando-a capaz de enfrentar e superar a concorrência internacional”, concluiu.





