Azule Energy aliena à Etu Energias participações nos Blocos 14 e 14K

A Azule Energy anunciou nesta Sexta-feira, 27 de Março, a assinatura de um acordo para a venda da sua participação nos Blocos 14 e 14K, na Bacia do Congo, à Etu Energias, numa operação avaliada em até 310 milhões de dólares, reforçando a sua estratégia de focalização em activos considerados prioritários em Angola. O negócio…
ebenhack/AP
Empresa encaixa até 310 milhões de dólares e abandona activos em produção desde 1999. Operação reflecte estratégia de concentração e optimização do portefólio em Angola. Exercício de direito de preferência da Etu Energias altera acordo anterior e redefine operação.
Negócios

A Azule Energy anunciou nesta Sexta-feira, 27 de Março, a assinatura de um acordo para a venda da sua participação nos Blocos 14 e 14K, na Bacia do Congo, à Etu Energias, numa operação avaliada em até 310 milhões de dólares, reforçando a sua estratégia de focalização em activos considerados prioritários em Angola.

O negócio surge após a Etu Energias exercer o seu direito de preferência sobre os activos, anulando automaticamente o acordo anteriormente celebrado, em Dezembro de 2025, entre a Azule Energy e um consórcio formado pela Maurel & Prom e pela BW Energy. A nova transacção deverá ser concluída no segundo semestre de 2026, estando ainda sujeita a aprovações regulatórias e ajustes contratuais habituais.

A Azule Energy detém actualmente 20% do Bloco 14 e 10% do Bloco 14K, activos offshore em produção desde 1999. Em 2024, a produção líquida correspondente à participação da empresa nestes blocos atingiu cerca de 9.600 barris de petróleo por dia, um volume que, embora relevante, representa uma fatia não estratégica no portefólio global da companhia.

Do ponto de vista estratégico, o desinvestimento reflecte uma tendência crescente entre operadores internacionais: a optimização de portefólios através da alienação de activos maduros, libertando capital para projectos com maior retorno ou alinhados com a transição energética.

“Esta transacção está alinhada com a nossa estratégia de concentração nos activos principais em Angola”, afirmou Joseph Murphy, director executivo da Azule Energy, sublinhando que a empresa continuará a procurar oportunidades que respondam às necessidades energéticas do país e reforcem um futuro sustentável.

Detida em partes iguais pela bp e pela Eni, a Azule Energy produz actualmente mais de 200 mil barris de óleo equivalente por dia. A empresa posiciona-se como um dos principais operadores do sector energético angolano, combinando investimentos em petróleo e gás com iniciativas de descarbonização e desenvolvimento de energias renováveis.

Paralelamente, a presença na Namíbia – onde detém 42,5% do Bloco 2914A (PEL85), na Bacia do Orange – evidencia a aposta em novas fronteiras exploratórias, numa altura em que a região ganha relevância no panorama energético africano.

ETU Energias reforça posição no offshore angolano

Com a aquisição de participações adicionais nos Blocos 14 e 14K à Azule Energy, a ETU Energias reforçará a sua posição no offshore angolano, consolidando presença num dos activos mais maduros e resilientes da Bacia do Baixo Congo.

“Com esta aquisição, a ETU Energias reforça uma estratégia clara: crescimento sustentado através de activos em produção, reduzindo riscos exploratórios e assegurando fluxos de receita previsíveis”, refere a empresa em comunicado.

O Bloco 14, localizado a cerca de 100 quilómetros da costa de Cabinda, cobre uma área de aproximadamente 4.094 quilómetros quadrados e produz crude médio-leve desde 1999. Trata-se de um dos activos offshore mais estáveis do país, com um histórico de produção consistente ao longo de mais de duas décadas.

A transacção não representa uma entrada, mas sim um reforço de posição. A ETU Energias já havia adquirido anteriormente 20% através da AB14BV – joint venture entre a TotalEnergies e a INPEX – e, em 2024, aumentou a sua participação com a compra de 9% à Galp. Com este novo movimento, a empresa eleva significativamente a sua exposição a um activo-chave no portefólio nacional.

Segundo Edson dos Santos, presidente da comissão executiva da ETU Energias, a aquisição está alinhada com uma abordagem disciplinada de investimento, focada em activos com forte capacidade de geração de caixa e potencial de valorização.

“O aumento da nossa participação no Bloco 14 reforça a base de produção, melhora a previsibilidade das receitas e consolida a nossa posição como um dos principais operadores independentes no offshore angolano”, garantiu, destacando ainda o papel do financiamento liderado pela Shell Western Supply and Trading e pela Chariot, como sinal de confiança do mercado na estratégia e no portefólio da empresa.

Mais Artigos