Angola está a apostar na integração das suas infra-estruturas de transporte para consolidar um novo posicionamento regional e afirmar-se como uma plataforma logística e de conectividade entre África, Ásia e outros mercados internacionais.
A estratégia passa pela articulação entre aeroportos, portos, caminhos-de-ferro e plataformas logísticas, num esforço que o Executivo considera essencial para aumentar a competitividade da economia nacional e potenciar o papel do país nas cadeias globais de comércio.
A visão foi apresentada esta Terça-feira, em Luanda, pelo ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D’Abreu, durante a cerimónia de lançamento da rota aérea entre Icolo e Bengo e Guangzhou, uma das mais importantes cidades industriais e comerciais da China.
A ligação, que entra em funcionamento a 23 deste mês, é encarada pelo Governo como mais um passo no processo de internacionalização da economia angolana e de fortalecimento das ligações com um dos seus principais parceiros estratégicos.
“Estamos a construir as condições para que Angola deixe de ser apenas um destino e passe a afirmar-se cada vez mais como uma plataforma de ligação regional e intercontinental”, afirmou o governante.
Segundo Ricardo Viegas D’Abreu, os investimentos realizados nos últimos anos no sector dos transportes respondem a uma visão integrada de desenvolvimento, na qual as diferentes infra-estruturas nacionais deixam de funcionar de forma isolada para passarem a constituir uma rede articulada de mobilidade, logística e distribuição de mercadorias.
Neste contexto, o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto assume um papel central. O ministro destacou que a infra-estrutura foi concebida para responder ao crescimento do tráfego de passageiros e carga, constituindo um dos principais activos da estratégia nacional para o sector da aviação.
Mais do que um novo aeroporto, sublinhou, trata-se de uma infra-estrutura estruturante para o futuro da mobilidade aérea nacional e regional, capaz de apoiar a expansão das ligações internacionais de Angola e de servir como ponto de interligação entre diferentes mercados.
A nova rota para Guangzhou reforça precisamente essa ambição. Para o Executivo, a ligação não representa apenas a abertura de mais um destino internacional, mas constitui um instrumento para aproximar os mercados africano e asiático, criar novas oportunidades de negócios e aumentar a integração de Angola nas principais rotas comerciais mundiais.
Ao ligar directamente o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto a um dos maiores centros industriais, comerciais e logísticos do mundo, Angola procura aumentar a sua atractividade como plataforma de trânsito para passageiros e mercadorias, ao mesmo tempo que reforça a sua capacidade de captar investimentos e estimular novas oportunidades económicas.
“O sector da aviação continua a desempenhar um papel determinante na competitividade dos países”, sublinhou Ricardo Viegas D’Abreu.
O ministro considera que a nova ligação aérea representa igualmente um passo concreto no aprofundamento das relações entre Angola e a República Popular da China, países que mantêm uma parceria estratégica construída ao longo de várias décadas e que desempenhou um papel decisivo no processo de reconstrução e desenvolvimento das infra-estruturas nacionais.

Nova fase na cooperação económica
Segundo o governante, a China continua a ser um dos principais parceiros económicos de Angola e um dos actores internacionais mais relevantes nas áreas do investimento, comércio e cooperação económica.
Os números do comércio bilateral reflectem essa importância. De acordo com Ricardo Viegas D’Abreu, as trocas comerciais entre os dois países atingiram aproximadamente 20,8 mil milhões de dólares em 2025, consolidando a posição da China como um dos principais parceiros comerciais de Angola e confirmando a relevância estratégica da relação para ambas as economias.
Contudo, o responsável destacou que as relações sino-angolanas estão actualmente a entrar numa nova fase de maturidade. Se durante muitos anos a cooperação esteve predominantemente associada ao financiamento de grandes projectos de infra-estruturas, o relacionamento evolui agora para áreas consideradas fundamentais para a transformação económica do país.
“Estamos numa fase em que a cooperação deixa progressivamente de estar concentrada apenas no financiamento de infra-estruturas e passa a incorporar, de forma crescente, investimento produtivo, logística, tecnologia, industrialização, cadeias de valor e mobilidade empresarial”, afirmou.
Esta evolução surge numa altura em que Angola procura acelerar a diversificação da sua economia, reduzir a dependência do sector petrolífero e aumentar o peso das actividades produtivas, industriais e exportadoras.
Neste quadro, Guangzhou assume particular relevância. Considerada uma das maiores plataformas industriais e comerciais da China, a cidade desempenha um papel estratégico nas cadeias globais de abastecimento, no comércio internacional e na ligação económica entre a Ásia, África e outras regiões do mundo.
Para o Executivo angolano, a ligação directa entre Icolo e Bengo e Guangzhou poderá facilitar o fluxo de empresários, investidores e mercadorias, ao mesmo tempo que cria condições mais favoráveis para o desenvolvimento de novas parcerias comerciais e industriais entre empresas dos dois países.
O ministro dos Transportes defendeu que o reforço da conectividade internacional constitui um factor essencial para o aumento da competitividade nacional, uma vez que reduz custos de mobilidade, aproxima mercados e contribui para a integração das economias nas dinâmicas globais de comércio e investimento.
Viegas D’Abreu destacou ainda o momento de crescimento vivido pelo sector da aviação mundial. Segundo referiu, em 2025 o transporte aéreo ultrapassou os 5,2 mil milhões de passageiros em todo o mundo, enquanto o continente africano registou um ritmo de crescimento superior à média global.
Na avaliação do governante, estes indicadores demonstram que África continua a representar uma das regiões com maior potencial de expansão da conectividade aérea, abrindo oportunidades para países que consigam posicionar-se como plataformas regionais de transporte e logística.
É precisamente nesse grupo que Angola pretende inserir-se. Com novos investimentos em infra-estruturas aeroportuárias, ferroviárias, portuárias e logísticas, o Executivo acredita que o país reúne condições para desempenhar um papel mais relevante na circulação de pessoas, bens e capitais entre continentes, reforçando a sua posição como porta de entrada e saída para os mercados da África Austral e Central.





