A Dubai Investments International Angola já canalizou – em pouco mais de um ano – cerca de 10 milhões de dólares para o desenvolvimento do seu ambicioso projecto de zona económica integrada no Bengo, um valor que representa aproximadamente 6,7% do investimento global estimado em 150 milhões de dólares, numa fase ainda inicial, mas estrategicamente determinante para a materialização da iniciativa.
Em entrevista à imprensa, o director-geral da empresa, Tiago Carneiro, revelou que o investimento está a ser executado de forma faseada, em linha com o cronograma e ajustado às necessidades concretas de implementação, numa lógica que privilegia a atracção progressiva de empresas – muitas delas internacionais – com capacidade técnica reconhecida.
Apesar de o projecto ter um horizonte de execução estimado em 20 anos, o responsável sublinhou que o grupo está empenhado em acelerar significativamente esse prazo, através da integração antecipada de operadores, sobretudo nos sectores da manufactura e da logística. “Estamos a tentar trazer para cá empresas já com algum know-how adquirido, incluindo empresas do próprio grupo, cuja integração poderá ser praticamente imediata”, referiu.
O projecto, iniciado no final de 2024 e formalmente enquadrado desde 2022, quando foi apresentado ao Presidente da República, João Lourenço, assenta num conceito de zona económica integrada e de uso misto, que combina indústria, habitação, comércio e turismo. A ambição, segundo Tiago Carneiro, passa por criar um verdadeiro ecossistema onde seja possível “trabalhar, viver e recrear”, replicando em Angola a experiência acumulada pelo grupo ao longo de mais de duas décadas no Dubai.
“Queremos que toda a região e até o país seja trazido para dentro do nosso conceito”.
Mais do que um simples investimento imobiliário ou industrial, a iniciativa pretende posicionar-se como um vector estruturante de transformação económica, com impacto directo no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O responsável aponta para um horizonte de 10 a 15 anos como o período em que os efeitos do projecto poderão tornar-se mais visíveis, contribuindo para a criação de uma nova centralidade económica numa região ainda subdesenvolvida.
A estratégia passa também por uma forte componente de integração local e sustentabilidade, entendida numa perspectiva alargada. Para além das preocupações ambientais, o projecto prevê a absorção de mão-de-obra nacional, programas de formação e capacitação, bem como a dinamização da economia local. “Queremos que toda a região e até o país seja trazido para dentro do nosso conceito”, afirmou.
Neste contexto, a empresa tem vindo a incentivar os seus parceiros e investidores a privilegiarem a contratação de quadros angolanos, numa tentativa de maximizar o efeito multiplicador do investimento.
O ambiente institucional tem sido, segundo o gestor, favorável. O apoio governamental é descrito como “muito bom”, enquanto o relacionamento com outras entidades – públicas, privadas e até concorrentes – é considerado “salutar e saudável”, um factor relevante num projecto que depende de múltiplas sinergias para ganhar escala.
Para já, a curto prazo, o foco está na instalação de pelo menos cinco empresas ainda este ano, sinalizando uma fase de transição entre o planeamento e a operacionalização efectiva. Um passo que poderá ser decisivo para testar o modelo, validar o interesse do mercado e, sobretudo, imprimir maior velocidade a um projecto cuja ambição excede largamente o ritmo ainda inicial da execução financeira.





