FGC fecha 2025 com resultado líquido de 7,9 mil milhões kz e desataca saneamento do Programa Angola Investe

O Fundo de Garantia de Crédito de Angola (FGC) alcançou um resultado líquido de 7,9 mil milhões de kwanzas em 2025, resultado mais alto desde a sua criação em 2022, o que significa aumento de 19,17%, quando comparado com o período homólogo. Os dados foram avançados esta Quarta-feira, em Luanda, pelo Presidente do Conselho de…
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Os dados foram avançados pelo Presidente do Conselho de Administração do Fundo de Garantia de Crédito de Angola, Luzayadio Simba, durante a 2ª edição do Café com os Jornalistas.
Economia

O Fundo de Garantia de Crédito de Angola (FGC) alcançou um resultado líquido de 7,9 mil milhões de kwanzas em 2025, resultado mais alto desde a sua criação em 2022, o que significa aumento de 19,17%, quando comparado com o período homólogo.

Os dados foram avançados esta Quarta-feira, em Luanda, pelo Presidente do Conselho de Administração do FGC, Luzayadio Simba, durante a 2ª edição do Café com os Jornalistas.

O responsável destacou o sucesso alcançado no saneamento do Programa Angola Investe, que teve alguns projectos que não lograram êxitos, representando um desconforto entre a banca e o Fundo de Garantia de Crédito.

“Tão logo tomamos posse, a primeira medida que tomamos foi sanear a carteira do Angola Investe. Nesta carteira havia cerca de 208 projectos que tinham dificuldades de cumprir serviço da dívida para poder produzir. Foi um trabalho conjunto entre o FCG, a banca e os promotores. No final de 2025, notamos que apenas foram pagos 99 projectos”, detalhou.

Neste momento, de acordo com Luzayadio Simba, a sua instituição está em negociação com os promotores, no sentido de ressarcir os fundos públicos, sendo que devem recuperar os valores pagos.

“Neste processo, dos 22 mil milhões de kwanzas pagos em accionamento, já conseguimos recuperar mais de 2 mil milhões de kwanzas. O processo é contínuo e julgamos que iremos recuperar todo montante que foi pago, no âmbito do saneamento. Nós prevíamos pagar 30 mil milhões, mas acabamos por pagar apenas 13 mil milhões em 2025. Nesta altura, estamos a pagar mais cinco ao BIC”,

Entretanto, o administrador para a área do Negócio do FGC, Eduardo Mohamed, avançou que, entre Janeiro e Dezembro de 2025, o montante garantido atingiu 101 806 mil milhões de kwanzas, permitindo um financiamento global avaliado em 144 838 mil milhões de kwanzas.

Segundo Eduardo Mohamed, entre Janeiro e Dezembro de 2025, o montante garantido pelo FGC atingiu 101 806 mil milhões de kwanzas, permitindo um financiamento global avaliado em 144 838 mil milhões de kwanzas.

“No mesmo período, foram concedidas 10 648 garantias a projectos empresariais, reforçando a confiança das instituições financeiras nas iniciativas apoiadas pelo Fundo. A Indústria Transformadora destacou-se como o sector com maior volume de garantias, concentrando 42 264 milhões de kwanzas em 1 314 projectos, o que resultou num financiamento de 60 920 milhões de kwanzas”, disse.

Segundo ainda o administrador, o sector agrícola também apresentou um desempenho expressivo, beneficiando de garantias no valor de 22 580 milhões de kwanzas para 1 381 projectos, viabilizando financiamentos de 34 039 milhões de kwanzas.

“Na área da Pecuária, foram apoiados 285 projectos, com garantias avaliadas em 13 916 milhões de kwanzas e financiamentos de 20 688 milhões de kwanzas. Já o sector das Pescas recebeu 5 926 milhões de kwanzas em garantias para 732 projectos, resultando num financiamento de 8 244 milhões de kwanzas”, referiu.

O Comércio, prosseguiu, liderou em número de operações, com 3 183 projectos garantidos, reflectindo a forte presença da economia de proximidade, embora com valores financeiros mais modestos. Os Serviços de Apoio ao Sector Produtivo também tiveram forte expressão, com 3 069 iniciativas apoiadas.

Os sectores da Hotelaria e Turismo, apontou, registaram 543 projectos apoiados, com garantias e financiamentos avaliados em 226 milhões de kwanzas, enquanto a área de Salvaguarda Ambiental contou com 134 projectos garantidos, avaliados em 3 021 milhões de kwanzas. O sector dos Materiais de Construção beneficiou de sete projectos, com garantias e financiamentos de 26 milhões de kwanzas.

No domínio social, Eduardo Mohamed destacou que as diferentes linhas de garantia contribuíram para a criação de 21 778 postos de trabalho em 2025, com realce para a Linha de Apoio às Sociedades de Microcrédito LASMC, que apoiou 10 420 projectos e mobilizou 15 500 milhões de kwanzas em financiamentos.

Já a administradora para as Finanças e Administração, Efigênia Mpengo, afirmou que a margem financeira aumentou para cerca de 26,1 mil milhões de kwanzas, num montante de cerca de 2,2 mil milhões de kwanzas face ao período homólogo.

Efigénia Mpengo sublinha que a subida da margem financeira foi resultado do aumento dos proveitos de títulos e valores mobiliários e do custo com outras captações.

Os resultados operacionais para o exercício de 2025, salientou, registam uma redução de 40,09% face ao exercício anterior e cifraram-se em aproximadamente 4,6 mil milhões de kwanzas, uma baixa justificada com a criação da Direcção de acompanhamento de projectos.

Efigénia Mpengo fez saber que os resultados financeiros positivos foram alcançados graças às medidas implementadas para reforçar o acompanhamento dos projectos garantidos e reduzir os níveis de incumprimento.

O decréscimo das sinistralidades resultou da criação da Direcção de Acompanhamento de Projectos, que permitiu um controlo mais rigoroso no cumprimento das obrigações por parte dos promotores, explicou.

A responsável sublinhou que o FGC depende essencialmente das receitas próprias geradas pela sua actividade para assegurar as despesas operacionais e cumprir as responsabilidades financeiras perante a banca comercial.

O FGC vive das receitas que gera para garantir as despesas operacionais e simultaneamente honrar os compromissos assumidos junto da banca, afirmou.

O FGC possui actualmente um capital próprio estimado em cerca de 170 mil milhões de kwanzas. Este valor sofreu alguma redução devido aos accionamentos pagos nos últimos anos, explicou.

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