O Presidente do Conselho de Administração do Fundo de Garantia de Crédito de Angola (FGC), Luzayadio Simba, defendeu, em Lisboa, a massificação do acesso às garantias públicas e, consequentemente, ao financiamento bancário.
Luzayadio Simba falava no Evento Anual da Associação Europeia das Instituições de Garantia AECM, onde apresentou a experiência de Angola no domínio das garantias de crédito, no quadro do intercâmbio internacional sobre as tendências mais recentes do sector.
O PCA integrou um painel internacional sobre Tendências Globais no Sector das Garantias de Crédito, ao lado de instituições congéneres da Coreia do Sul, Nigéria, China e América Latina.
Na sua apresentação, subordinada ao tema Exchange on the Latest Trends in the Guarantee Sector Angolas Perspective, Luzayadio Simba partilhou os principais resultados alcançados pelo FGC, bem como as perspectivas e desafios associados ao financiamento das micro, pequenas e médias empresas em Angola.
O mais alto responsável recordou que o FGC, instituição financeira não bancária criada há 14 anos, tem desempenhado um papel relevante na facilitação do acesso ao crédito, contribuindo para a redução das barreiras de financiamento enfrentadas pelas MPME nacionais.
“Entre 2012 e 2025, o Fundo registou 19 867 projectos garantidos, com um valor de projectos garantidos estimado em o equivalente em kwanzas a 650,604 milhões de euros e financiamento garantido associado de 1,053 mil milhões de euros”, destacou.
Na sequência, sublinhou o impacto económico e social da actividade do FGC, evidenciado pela criação e manutenção de 57 548 postos de trabalho no período de 2012 a 2025.
“Os projectos apoiados abrangem sectores estratégicos para a diversificação da economia nacional, incluindo a indústria transformadora, agricultura, pescas, pecuária, serviços de apoio ao sector produtivo, materiais de construção, comércio, hotelaria e turismo, geologia e minas, bem como iniciativas ligadas às salvaguardas ambientais”, apontou.
A apresentação evidenciou ainda a presença territorial do FGC, com projectos garantidos distribuídos por diversas províncias do país, reflectindo o compromisso da instituição com a inclusão financeira, a dinamização do tecido empresarial local e o reforço da cobertura regional dos seus instrumentos de garantia.
Ao abordar as perspectivas para o sector, Luzayadio Simba apontou como prioridades a expansão do acesso ao financiamento para as MPME, o aumento do número de garantias emitidas, a consolidação do FGC como instrumento de diversificação económica e o fortalecimento da sua presença regional.
Entre os principais desafios, foram destacados a sustentabilidade financeira, a gestão do risco, a necessidade de capitalização contínua e o reforço permanente da governação e da conformidade.

A intervenção decorreu num contexto de reforço da cooperação entre instituições de garantia e de afirmação do FGC no espaço internacional, enquanto membro fundador da Rede Global das Instituições de Garantia.
Promovido pela European Association of Guarantee Institutions AECM, o Anual da Associação Europeia das Instituições de Garantia AECM é considerado um dos principais encontros internacionais de instituições de garantia, reunindo dirigentes, decisores públicos, especialistas e representantes de entidades ligadas ao financiamento empresarial.
A edição de 2026 decorre subordinada ao tema Access to Finance: Investment Needs in a Global Context, com painéis dedicados à resiliência económica, inovação, governação sustentável, adicionalidade das garantias, internacionalização das PME e cooperação interinstitucional.
À margem do evento, está igualmente prevista a participação do FGC na reunião anual da Rede Global das Instituições de Garantias (GNGI), organização da qual o FGC é membro fundador.
Trata-se de um espaço que congrega instituições de garantia de diferentes regiões e que promove a troca de experiências, o benchmarking institucional e a articulação de respostas comuns aos desafios globais do financiamento empresarial.
A presença do FGC neste fórum internacional, diz a instituição, reflecte o compromisso da instituição com a modernização dos seus instrumentos de actuação, a adopção de boas práticas e o fortalecimento de parcerias estratégicas capazes de contribuir para a diversificação da economia nacional, a dinamização do sector produtivo e o aumento do acesso ao financiamento por parte das empresas angolanas.
A AECM, Associação Europeia de Instituições de Garantia, é uma associação internacional sem fins lucrativos, baseada em membros, fundada em 1992 para representar seus membros perante as instituições da UE, facilitar a troca de conhecimento entre seus membros e promover o instrumento de garantia.
A associação representa os interesses políticos das suas organizações membros tanto perante as instituições europeias, como a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho, como perante outros organismos multilaterais, entre os quais o Banco Europeu de Investimento (BEI), o Fundo Europeu de Investimento (FEI), o Banco de Compensações Internacionais (BIS), o Banco Mundial, etc.
A AECM debruça-se principalmente sobre questões relacionadas com a regulamentação dos auxílios estatais relevantes para os regimes de garantia no mercado interno, com os programas de apoio europeus e com a supervisão prudencial. Também tem actuado na resposta política à crise financeira.





