Durão Barroso defende “novo equilíbrio global” e vê África como futuro centro de dinamismo mundial

José Manuel Durão Barroso defendeu esta Segunda-feira, 25, em Luanda, a necessidade de um “novo equilíbrio” nas relações internacionais, baseado em maior justiça, cooperação e reconhecimento da dignidade dos Estados, numa altura em que o centro de gravidade económico e demográfico mundial se desloca progressivamente para o Sul global, com destaque para África. Durante a…
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O antigo presidente da Comissão Europeia e ex-primeiro-ministro português considerou, em Luanda, que o reequilíbrio das relações internacionais será decisivo para garantir estabilidade global e maior reconhecimento do papel africano no novo xadrez geopolítico.
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José Manuel Durão Barroso defendeu esta Segunda-feira, 25, em Luanda, a necessidade de um “novo equilíbrio” nas relações internacionais, baseado em maior justiça, cooperação e reconhecimento da dignidade dos Estados, numa altura em que o centro de gravidade económico e demográfico mundial se desloca progressivamente para o Sul global, com destaque para África.

Durante a segunda edição do “The Chairman’s Talk”, iniciativa promovida pelo Emerald Group e conduzida pelo seu fundador, Ngunu Tiny, o antigo presidente da Comissão Europeia sustentou que os países em vias de desenvolvimento devem procurar um reposicionamento internacional mais equilibrado, sem alimentar tensões desnecessárias num mundo cada vez mais interdependente.

“Da mesma maneira que as pessoas querem que a sua dignidade seja respeitada, os países também”, afirmou Durão Barroso, defendendo que as nações devem trabalhar para afirmar a sua personalidade política e estratégica no actual contexto global.

Num discurso marcado por referências à sua experiência política e diplomática, o antigo primeiro-ministro português sublinhou que o mundo contemporâneo é feito de “fluxos” – de pessoas, capitais, ideias e investimento –, mas também de “fricções”, resultantes da disputa por influência, poder e reconhecimento internacional.

Ainda assim, considerou que a crescente circulação global representa uma oportunidade para os Estados que conseguirem adaptar-se às novas dinâmicas económicas e geopolíticas. “É necessário encontrar um novo equilíbrio que reconheça a dignidade de todos os países do mundo”, frisou.

A intervenção surge num momento em que várias economias emergentes procuram maior protagonismo nas instituições multilaterais e maior influência na definição das regras económicas globais, uma tendência que, segundo Durão Barroso, deverá intensificar-se nos próximos anos.

“O mundo está em evolução e essa evolução deve ser vista no sentido de maior solidariedade e cooperação internacional”, afirmou, acrescentando que as lideranças mais influentes já compreenderam a necessidade de construir uma estabilidade global mais inclusiva.

Fundador do Emerald Group, N’gunu Tiny, conversou com Durão Barroso sobre geopolítica e liderança.

África é de importância estratégica para o futuro

Ao abordar o papel do continente africano, Durão Barroso destacou o crescimento demográfico e o potencial estratégico da região, considerando que África terá um peso crescente nas relações económicas e políticas internacionais.

“Continuo a pensar que o potencial de África é imenso”, declarou, defendendo que o continente deve assumir um papel mais relevante nas decisões globais e nas cadeias de valor internacionais.

Numa análise com forte carga geopolítica, o antigo responsável europeu sugeriu que a ascensão africana poderá alterar parte do equilíbrio internacional actualmente dominado pelas grandes potências tradicionais, sobretudo num contexto de reconfiguração económica e energética global.

Sobre as relações entre Angola e Portugal, Durão Barroso descreveu-as como “históricas, sentimentais, complexas e intensas”, salientando, contudo, que o eixo económico e financeiro ganhou maior relevância nos últimos anos.

Segundo o antigo primeiro-ministro português, os sucessivos Governos de Portugal reforçaram as linhas de financiamento destinadas a Angola, com o actual Executivo a elevar esse apoio para cerca de três mil milhões de euros.

Ainda assim, observou que Angola deixou de ocupar apenas a posição de mercado receptor de investimento externo. “Hoje, Angola já é um motor geopolítico por direito próprio”, concluiu.

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