O Governo de Angola apreciou um Projecto de Decreto Presidencial que estabelece novas normas e procedimentos para a exportação de café verde, numa iniciativa que visa reforçar a qualidade do café angolano nos mercados internacionais e aumentar o rendimento das famílias produtoras.
A proposta foi analisada durante a 5.ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço, e enquadra-se na estratégia do Executivo para revitalizar uma cultura agrícola que durante décadas ocupou um lugar de destaque na economia nacional.
Segundo o ministro da Agricultura e Florestas, Isaac Francisco Maria dos Anjos, o conjunto de medidas que tem vindo a ser desenvolvido pelo sector procura devolver ao café o estatuto de cultura de rendimento para milhares de famílias angolanas.
“O café, para a nossa realidade, começa a ser uma cultura que oferece perspectiva de aumento de rendimento para as famílias e desejamos que as famílias possam ter um maior benefício da cultura do café em Angola”, afirmou o governante, citado num comunicado divulgado pelo Executivo.
Além da valorização do produto nacional, as novas regras pretendem contribuir para uma maior organização da cadeia de exportação, promovendo padrões de qualidade capazes de reforçar o posicionamento do café angolano nos mercados externos.
Isaac dos Anjos reconheceu que, historicamente, a produção de café esteve associada a modelos económicos marcados por baixos salários e forte exploração da mão-de-obra, sobretudo nas zonas rurais. Contudo, sublinhou que a visão actual passa por transformar o sector numa actividade sustentável, capaz de gerar riqueza e oportunidades económicas para as comunidades produtoras.
“Por isso, as normas estão a ser postas à disposição, oferecendo a todos uma oportunidade de ter uma cultura de renda alternativa”, sustentou.
O ministro revelou ainda que o Governo está a investir na expansão da capacidade produtiva através da criação de viveiros em várias regiões do país, uma iniciativa apoiada pelo Fundo de Desenvolvimento do Café e pelo Fundo de Desenvolvimento Agrário.
A estratégia pretende aumentar a disponibilidade de plantas e acelerar a recuperação das áreas de cultivo, ao mesmo tempo que procura atrair uma nova geração de produtores para o sector.
“Pretendemos que a juventude abrace essa oportunidade. As ofertas de preço do café estão a ser extraordinárias e isso pode ser uma cultura que modifique as condições económicas e sociais das regiões”, acrescentou.
A aposta surge num contexto particularmente favorável para os países produtores, marcado pela valorização dos preços internacionais do café e pelo crescente interesse dos mercados por cafés diferenciados e de origem. Para Angola, que já foi um dos maiores produtores africanos da commodity, o relançamento da fileira cafeícola é visto como uma oportunidade para diversificar a economia, aumentar as exportações não petrolíferas e estimular o desenvolvimento das zonas rurais.





