O Banco Nacional de Angola (BNA) prevê que o kwanza passe a ser utilizado como moeda de liquidação no Sistema de Liquidação em Tempo Real da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC-RTGS), a partir do segundo semestre de 2026, permitindo que empresas angolanas realizem pagamentos transfronteiriços em moeda nacional.
Segundo um comunicado do banco central consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, a medida permitirá que pagamentos de bens e serviços entre Angola e os países aderentes ao sistema sejam efectuados directamente em kwanzas, sem necessidade de recorrer a moedas estrangeiras para a liquidação das operações.
A iniciativa enquadra-se nos esforços de integração regional dos sistemas de pagamentos da SADC e está alinhada com as recomendações do G20 para tornar os pagamentos transfronteiriços mais rápidos, acessíveis e eficientes.
Na prática, as empresas angolanas passarão a poder utilizar contas bancárias denominadas em moeda nacional, domiciliadas em instituições financeiras que operam no país, para efectuar pagamentos a parceiros comerciais da região. Actualmente, muitas destas operações exigem a conversão prévia para moedas internacionais, como o dólar norte-americano ou o euro, o que aumenta os custos e a complexidade dos processos.
De acordo com o BNA, a integração do kwanza no sistema regional deverá trazer benefícios directos para empresas e cidadãos, nomeadamente a redução dos custos associados às conversões cambiais e à intermediação financeira, maior rapidez na execução das transferências e um aumento da previsibilidade e segurança das operações.
A instituição destaca igualmente que a medida facilitará o envio de recursos financeiros para os países da região, contribuindo para uma maior eficiência das relações comerciais entre os Estados-membros da SADC.
“Com a conclusão deste projecto, será dado mais um passo importante na modernização do nosso sistema financeiro, contribuindo para o reforço da integração regional e para a expansão do comércio transfronteiriço entre as economias da SADC”, refere o banco central no comunicado.
Do ponto de vista económico, a iniciativa representa um avanço relevante para a internacionalização gradual do kwanza e para o fortalecimento da posição de Angola nos mecanismos financeiros regionais. Ao permitir a liquidação directa em moeda nacional, o sistema reduz a dependência de divisas para operações comerciais intrarregionais e pode contribuir para uma maior dinamização das trocas comerciais entre os países da África Austral.
A adesão do kwanza ao SADC-RTGS insere-se ainda num movimento mais amplo de modernização dos sistemas de pagamentos africanos, que procuram facilitar o comércio intra-africano e apoiar os objectivos de integração económica do continente.





