Unitel estreia maior oferta pública de acções da história de Angola

A Unitel iniciou esta Segunda-feira a Oferta Pública de Venda (OPV) de 15% do seu capital social, colocando no mercado 7,5 milhões de acções ordinárias numa operação que poderá movimentar até 300 mil milhões de kwanzas. Trata-se da maior oferta pública de acções alguma vez realizada em Angola, reforçando a estratégia de dinamização do mercado…
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A OPV da UNITEL enquadra-se no âmbito do PROPRIV e decorre até ao dia 24 deste mês. Estão em venda 7.500 mil acções ordinárias, escriturais e nominativas, com o valor nominal unitário de cinco mil kwanzas, prevendo-se que sejam admitidas à negociação, no Mercado de Bolsa
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A Unitel iniciou esta Segunda-feira a Oferta Pública de Venda (OPV) de 15% do seu capital social, colocando no mercado 7,5 milhões de acções ordinárias numa operação que poderá movimentar até 300 mil milhões de kwanzas.

Trata-se da maior oferta pública de acções alguma vez realizada em Angola, reforçando a estratégia de dinamização do mercado de capitais no âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV).

A operação decorre até 24 de Julho e contempla a venda de 7,5 milhões de acções, com um preço unitário compreendido entre 36 mil e 40 mil kwanzas.

Caso a colocação seja integralmente subscrita pelo preço máximo, o encaixe poderá atingir os 300 mil milhões de kwanzas, superando largamente a maior operação bolsista realizada até ao momento no país.

Segundo o administrador da BFA Capital Markets – um dos três Agêntes de Intermediação para Assistência e Colocação à Oferta –, Paulo Graça, a OPV da Unitel deverá ultrapassar significativamente a oferta pública do Banco de Fomento Angola (BFA), que movimentou cerca de 120 mil milhões de kwanzas, reflectindo a dimensão e o peso da operadora na economia nacional.

A empresa lidera o mercado angolano das telecomunicações, com uma quota estimada em 76%, cerca de 21 milhões de clientes e 25 anos de actividade, factores que, segundo Paulo Graça, sustentam o forte interesse demonstrado por investidores particulares, empresariais e institucionais nos últimos meses.

“A partir de agora, qualquer cidadão que possua Número de Identificação Fiscal (NIF) e uma conta bancária pode participar na oferta”, afirmou o responsável, acrescentando que a expectativa é de uma procura elevada pelas acções da operadora.

A entrada da Unitel em Bolsa representa também um marco para o mercado de capitais angolano, uma vez que passa a ser a primeira empresa do sector das telecomunicações admitida à negociação na Bodiva – Bolsa de Dívida e Valores de Angola.

Até agora, o mercado bolsista era composto essencialmente por instituições financeiras, incluindo três bancos, uma seguradora e a própria Bolsa.

No âmbito da operação, um milhão de acções, equivalentes a 2% do capital social, estão reservadas aos trabalhadores da empresa, enquanto as restantes 6,5 milhões de acções, correspondentes a 13% do capital, destinam-se ao público em geral. Está igualmente prevista a admissão à negociação da totalidade das 50 milhões de acções representativas do capital social da empresa.

Mais do que uma operação de privatização, a entrada da Unitel em Bolsa constitui um teste à capacidade de absorção do mercado accionista angolano. O sucesso da oferta poderá servir de referência para futuras privatizações e contribuir para aumentar a liquidez, a profundidade e a diversificação sectorial da Bodiva, num mercado ainda fortemente concentrado em instituições financeiras.

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