Cerca de 3,8 milhões de crianças angolanas estão fora sistema de ensino e 37% dos alunos do 4.º ano conseguem identificar informações claras num texto, sendo que apenas 22% conseguem resolver problemas matemáticos básicos.
Estes resultados constam do Relatório Anual de Resultados da Equipa das Nações Unidas no país em 2025, que aponta que os resultados na educação continuam a ser uma grave preocupação.
O documento apresentado nesta Terça-feira, em Luanda, na reunião alargada do Comité conjunto da direcção do quadro de cooperação das Nações Unidas Para o Desenvolvimento Sustentável (UNSDCF), refere que a conclusão do ensino básico se situa nos 58,1%, com baixas taxas de matrícula e elevadas taxas de repetição e abandono concentradas na transição do 3.º para o 5.º ano, um estrangulamento crítico no percurso de aprendizagem.
Estes números, diz a ONU, indica para uma crise de aprendizagem que vai além do acesso e reflecte profundas lacunas estruturais na qualidade do ensino, na disponibilidade de escolas e na gestão do sistema.
Para fazer face a tais situações, foi aprovado o Programa Nacional de Alimentação Escolar, o programa “Ensinar ao Nível Certo”, que está actualmente a ser implementado, garantindo que as crianças dominem competências básicas de leitura e numeracia na idade adequada, evitando assim que abandonem a escola, Angola aderiu à Parceria Global para a Educação, uma iniciativa multissectorial que visa reforçar os sistemas educativos nos países em desenvolvimento.
Por outro lado, indica a ONU, os dados sobre a protecção infantil revelam riscos persistentes e emergentes.
“Neste caso, práticas disciplinares severas continuam a ser comuns e o elevado número de chamadas relacionadas com violência para a linha de apoio nacional à criança reflecte preocupações contínuas em matéria de protecção em todo o paísˮ, sublinha o documento.
Por outro lado, segundo a ONU, o casamento precoce e a gravidez na adolescência continuam a afectar a segurança e as oportunidades de vida das raparigas, enquanto as lacunas no registo de nascimentos deixam um número significativo de crianças sem identidade legal, limitando o seu acesso a serviços e protecção social.





