Quanto vale o mercado que pretende servir?
O projecto dirige-se a uma comunidade económica composta por mais de 300 milhões de pessoas distribuídas pelos nove Estados-membros da CPLP. Em conjunto, estes países representam um Produto Interno Bruto superior a três biliões de dólares.
A CE-CPLP considera existir uma oportunidade para financiar projetos que frequentemente ficam fora do alcance do financiamento tradicional, quer pela insuficiente maturidade dos mercados locais, quer pela dificuldade em aceder aos grandes centros internacionais de capital.
Quais são os sectores prioritários
O fundo definiu seis áreas estratégicas de investimento:
Agricultura e Agroindústria
- Segurança alimentar;
- Processamento local;
- Cadeias de valor e exportação.
Infraestruturas Económicas
- Logística;
- Transporte;
- Armazenagem;
- Portos e zonas económicas.
Energia e Renováveis
- Transição energética;
- Eficiência produtiva;
- Inclusão territorial.
Economia Azul e Turismo
- Pesca;
- Aquacultura;
- Atividades marítimas;
- Turismo de valor acrescentado.
Indústria Transformadora
- Valorização de recursos locais;
- Industrialização;
- Exportação.
Digital e Saúde
- Transformação digital;
- Infraestruturas tecnológicas;
- Capacitação;
- Serviços de saúde.
Quem pode investir
A estrutura foi desenhada para investidores qualificados e institucionais. Entre os públicos-alvo encontram-se:
- Bancos multilaterais e de desenvolvimento;
- Estados-membros da CPLP;
- Entidades públicas;
- Fundos soberanos;
- Seguradoras;
- Fundos de pensões;
- Family offices;
- Investidores privados institucionais.
O investimento mínimo previsto é de um milhão de euros por participante.
Como será aplicado o capital?
O fundo prevê investir em projetos com tickets médios entre 5 e 10 milhões de euros, sendo a média estimada de cerca de 8 milhões de euros por operação. O objetivo é construir um portefólio composto por 50 a 65 projetos ao longo da vida do veículo de investimento. A estratégia procura privilegiar iniciativas capazes de gerar impacto económico relevante, promover a cooperação regional e apresentar viabilidade comercial e potencial de crescimento internacional.
Quais são os objetivos de rentabilidade?
A apresentação prevê uma Taxa Interna de Rentabilidade (IRR) líquida anual entre 10% e 12% para os investidores. O objetivo de retorno acumulado situa-se entre duas e três vezes o capital investido ao longo dos dez anos de vida do fundo. Está igualmente previsto um “hurdle rate” de 8% ao ano, significando que a sociedade gestora apenas poderá beneficiar de uma remuneração variável após os investidores terem recuperado o capital investido e alcançado esse retorno mínimo.
Qual é o calendário previsto?
O fundo terá uma duração de 10 anos. A operação será dividida em três fases:
Fase 1: Arranque (anos 1 a 4)
- Aplicação progressiva dos primeiros 200 milhões de euros;
- Construção inicial do portefólio;
- Estruturação da governação e dos sistemas de controlo.
Fase 2: Expansão (anos 5 a 8)
- Lançamento do Fundo II;
- Crescimento dos ativos sob gestão para 500 milhões de euros;
- Expansão do número de investimentos.
Fase 3: Maturidade (anos 9 e 10)
- Gestão do portefólio consolidado;
- Processos de desinvestimento;
- Distribuição de retornos aos participantes.
Onde ficará sediado?
O fundo ficará domiciliado em Cabo Verde e funcionará ao abrigo do regime jurídico dos organismos de investimento coletivo do país, sob supervisão da AGMVM. A sociedade gestora será a CE-CPLP Sociedade de Gestão Financeira, S.A.
Porque pode ser relevante para a CPLP?
Mais do que um simples fundo de investimento, a iniciativa pretende criar uma infraestrutura financeira própria para o espaço lusófono, mobilizando recursos públicos e privados para financiar projetos estratégicos em mercados que frequentemente enfrentam limitações de acesso a capital. Se atingir os objetivos anunciados, poderá tornar-se um dos maiores veículos de investimento com foco exclusivo nos países da CPLP, contribuindo para reforçar a integração económica entre os mercados de língua portuguesa e para acelerar o desenvolvimento de setores considerados críticos para o crescimento futuro da comunidade