Tudkabir quer tornar a indústria angolana mais visível e aproximar oferta e procura

A dificuldade de identificar, de forma rápida e estruturada, o que é produzido em Angola, onde é que se produz e quem tem capacidade para o fornecer está a ganhar uma resposta digital com a Tudkabir, plataforma B2B que já reúne mais de 80 indústrias, 231 marcas e 648 produtos. Criada para organizar informação sobre…
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Mais do que funcionar como uma montra digital para fábricas, a plataforma quer criar uma infra-estrutura de ligação entre a indústria angolana e o mercado, facilitando a descoberta de fornecedores e abrindo novas oportunidades comerciais. O projecto já atraiu o interesse de 364 empresas.
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A dificuldade de identificar, de forma rápida e estruturada, o que é produzido em Angola, onde é que se produz e quem tem capacidade para o fornecer está a ganhar uma resposta digital com a Tudkabir, plataforma B2B que já reúne mais de 80 indústrias, 231 marcas e 648 produtos.

Criada para organizar informação sobre empresas industriais, produtos, localização, certificações e capacidades produtivas, a plataforma pretende aproximar fabricantes, compradores, fornecedores, distribuidores e potenciais parceiros comerciais, facilitando a identificação de oportunidades de negócio dentro do país.

Num contexto em que Angola procura aumentar a produção nacional, fortalecer a indústria e reduzir a dependência externa, a Tudkabir procura responder a uma limitação que nem sempre é visível nas estatísticas: a dificuldade de transformar a capacidade produtiva existente em oportunidades comerciais concretas.

“Uma fábrica pode ter capacidade para responder a uma necessidade do mercado e, ainda assim, perder uma oportunidade simplesmente porque não foi encontrada”, disse à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA Ciro Calunga, director-geral da plataforma.

A Tudkabir não funciona actualmente como marketplace e não interfere nas transacções entre empresas. O seu papel é facilitar a descoberta e o contacto directo entre fábricas e potenciais clientes, procurando substituir pesquisas fragmentadas, contactos pessoais e processos informais de identificação de fornecedores por informação industrial estruturada e acessível num único ambiente digital.

Ciro Calunga relaciona esta necessidade com a dimensão das importações angolanas. Segundo o responsável, em 2025, Angola importou 15,28 mil milhões de kwanzas em bens, mais 16,93% do que no ano anterior.

Embora reconheça que uma parte significativa dessas importações corresponde a necessidades que não podem ser satisfeitas internamente, o gestor considera que os números levantam uma questão sobre a capacidade de resposta da indústria nacional.

“Quanto da procura empresarial poderia ser atendida por produtores angolanos se a capacidade industrial existente fosse mais fácil de identificar?”, questionou.

É precisamente neste espaço que a Tudkabir pretende posicionar-se: reduzir a distância entre a oferta industrial que existe no país e as empresas que procuram produtos ou fornecedores.

Ao concentrar informação sobre fabricantes, produtos e capacidades produtivas, a plataforma permite que os utilizadores percebam quais os bens já produzidos em Angola, onde são fabricados e quais as empresas que podem responder a determinada necessidade.

A proposta, segundo Ciro Calunga, não se limita a garantir presença digital às fábricas. A ambição é contribuir para a criação de uma espécie de infra-estrutura de conexão industrial, capaz de aproximar oferta e procura, gerar novos contactos empresariais e aumentar a visibilidade dos fabricantes nacionais.

“A credibilidade da informação disponibilizada é um dos pilares da plataforma”, indicou o responsável, acrescentando que a Tudkabir utiliza mecanismos de validação das empresas integradas no seu ecossistema e conta com a Associação Industrial de Angola (AIA) como parceiro institucional.

A adesão ao projecto começou a ganhar dimensão ainda antes do lançamento oficial. Durante a FILDA 2026, 364 empresas manifestaram interesse no ecossistema Tudkabir, segundo Ciro Calunga, sinalizando uma procura por soluções destinadas a facilitar a ligação entre fabricantes, compradores e parceiros empresariais.

A plataforma actua actualmente em Luanda, Huambo, Benguela, Bengo, Cuanza Sul e Huíla, abrangendo diferentes sectores de actividade, com destaque para construção, alimentação, bebidas e química.

Da indústria nacional ao mercado africano

A estratégia da Tudkabir não se limita ao mercado angolano. A médio e longo prazo, a plataforma pretende aproveitar a expansão das relações comerciais intra-africanas para facilitar a ligação entre produtores nacionais e empresas de outros países do continente.

“A visão da Tudkabir ultrapassa o mercado nacional”, referiu Calunga, apontando para a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) e para a criação de um mercado integrado que abrange 55 países e cerca de 1,3 mil milhões de pessoas.

Neste cenário, a capacidade de identificar fabricantes, fornecedores e parceiros comerciais em diferentes mercados africanos poderá assumir uma importância crescente para as empresas que pretendam expandir as suas operações.

A ambição passa, por isso, por permitir que, no futuro, uma fábrica angolana possa ser encontrada não apenas por compradores nacionais, mas também por empresas e potenciais parceiros de outros mercados africanos.

Ao tornar a capacidade industrial mais visível e acessível, a Tudkabir procura aumentar as possibilidades de negócio para os fabricantes nacionais, estimular ligações entre empresas e contribuir para uma maior integração da indústria angolana nas cadeias de valor regionais.

Actualmente, a plataforma reúne mais de 80 indústrias, 231 marcas e 648 produtos, constituindo uma base digital em expansão sobre a oferta industrial existente em Angola.

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