O secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, defendeu nesta Terça-feira, em Luanda, que o Fundo Soberano de Angola (FSDEA) deve reforçar o seu papel como investidor institucional de longo prazo e contribuir para tornar sectores e projectos estratégicos da economia angolana mais atractivos ao investimento privado.
Ao intervir na apresentação dos resultados do FSDEA, em representação da ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, o governante sustentou que a diversificação da base produtiva, o desenvolvimento do sector privado, o reforço das infra-estruturas, o aumento da produção nacional e a criação de novas cadeias de valor exigem não apenas políticas públicas adequadas, mas também instituições financeiras capazes de adoptar uma perspectiva de longo prazo.
É neste enquadramento que Ottoniel dos Santos situa o papel do capital soberano. Para o responsável, a preservação da riqueza não deve ser entendida apenas como conservação de activos, mas como uma estratégia de investimento disciplinada, diversificada e sustentável, capaz de atravessar diferentes ciclos económicos e gerar valor no longo prazo.
A estratégia encontra respaldo no desempenho registado pelo FSDEA em 2025. A carteira de investimentos líquidos alcançou uma rendibilidade de 14,65%, muito acima da expectativa média anual de 5% estabelecida na Estratégia de Alocação de Activos.
O resultado reflecte, entre outros factores, o desempenho das diferentes classes de activos em que o Fundo está exposto. A rendibilidade dos activos financeiros e alternativos atingiu 42%, contribuindo de forma relevante para o resultado bruto de 545 milhões de dólares registado no exercício.
Para Ottoniel dos Santos, esta perspectiva de longo prazo e diversificação deverá continuar a orientar a construção da carteira do FSDEA, conciliando liquidez e investimentos de horizonte mais longo, exposição internacional e oportunidades estratégicas, bem como preservação patrimonial e criação de valor.
Mas o papel do Fundo, na visão do governante, poderá ir além da gestão do património soberano. Existe uma oportunidade para que o capital sob sua gestão contribua para tornar determinados sectores e projectos mais atractivos a outros investidores, através da criação de confiança, da partilha equilibrada de riscos e da mobilização de capital adicional.
“E isto não significa substituir o investimento privado”, clarificou Ottoniel. Significa, quando adequado, criar condições para que projectos economicamente viáveis consigam atrair financiamento e investidores adicionais.
A posição ganha particular relevância num contexto em que Angola procura ampliar a participação do sector privado na economia e reduzir a dependência de uma estrutura produtiva ainda fortemente concentrada em sectores tradicionais.
Nesse processo, a capacidade de um investidor institucional de longo prazo funcionar como parceiro e catalisador de capital poderá ser determinante para projectos que exigem horizontes de investimento mais longos.
O secretário de Estado defendeu, por isso, que o FSDEA deve afirmar-se como investidor institucional credível e parceiro de referência tanto para investidores nacionais, como internacionais.
Para o governante, essa credibilidade não depende apenas da dimensão do balanço do Fundo, mas sobretudo da qualidade da sua governação, da previsibilidade dos processos e da disciplina aplicada na avaliação dos investimentos. A capacidade de compreender e gerir riscos e a existência de critérios económicos, financeiros e estratégicos claramente definidos são igualmente, na sua perspectiva, factores essenciais para consolidar a confiança dos investidores.
“Quanto mais sólida for essa reputação institucional, maior será a capacidade do Fundo de estabelecer parcerias, mobilizar capital e participar em oportunidades de investimento de maior dimensão e qualidade”, enfatizou.
Os resultados de 2025 fornecem, entretanto, uma dimensão financeira a esta estratégia. De acordo com o Relatório e Contas apresentado durante o evento FSDEA Day, que decorreu sob o tema “Criar Valor para as Futuras Gerações”, o activo total do Fundo atingiu 4,716 mil milhões de dólares, mais 18% face aos 3,990 mil milhões registados em 2024.
Os capitais próprios ascenderam a 4,512 mil milhões de dólares, equivalentes a 95,7% do activo total, enquanto o lucro do exercício atingiu 527 milhões de dólares.
Mais do que os resultados de um único exercício, os indicadores colocam em evidência a dimensão do património que o FSDEA administra e a responsabilidade associada à sua alocação. A questão estratégica passa, assim, por conciliar a preservação desse património com a geração de retornos e, simultaneamente, com a capacidade de participar na mobilização de capital para oportunidades de longo prazo.
Criado em 2012, o Fundo Soberano de Angola é uma instituição pública especializada na gestão de investimentos estratégicos nos mercados financeiros e em activos alternativos. A sua estratégia assenta na preservação do capital, maximização dos retornos de longo prazo, diversificação da carteira e criação de valor sustentável, através de investimentos em Angola e nos mercados internacionais.





