Luanda reúne, a 30 de Agosto, chefes de Estado e de Governo africanos para discutir o reforço dos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos no continente, numa sessão extraordinária da União Africana que coloca a diplomacia preventiva e a revitalização da Arquitectura Continental de Paz e Segurança (APSA) no centro da agenda.
A XXI Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que terá lugar no récem-inaugurado Palácio de Convenções de Luanda (PCL), deverá procurar aprofundar a concertação política entre os Estados-membros e encontrar respostas mais eficazes e coordenadas para as crises que afectam diferentes regiões de África.
Sob o lema “Reforço dos Mecanismos de Prevenção e Resolução de Conflitos em África”, a reunião deverá colocar particular ênfase na capacidade dos mecanismos africanos para antecipar tensões, prevenir a escalada de conflitos e promover soluções políticas e diplomáticas para as crises no continente.
Uma nota de imprensa, a que a FORBES ÁFRICA LUSÓFONA teve acesso, explica que entre os objectivos está a apresentação de propostas para redinamizar a APSA, com maior aposta numa diplomacia preventiva que permita actuar de forma coerente, coordenada e atempada.
A iniciativa será igualmente articulada com o “Roteiro para Silenciar as Armas até 2030”, uma das metas da União Africana para a redução dos conflitos armados e a consolidação da paz no continente.
A relevância da reunião ultrapassa, assim, a dimensão diplomática do encontro. Para África, a capacidade de prevenir conflitos antes da sua escalada representa também uma questão de estabilidade política, segurança regional e condições para o desenvolvimento económico. A persistência de crises e conflitos continua a afectar investimentos, infra-estruturas, comércio regional e a integração económica de diferentes países e regiões.
A sessão extraordinária resulta de uma recomendação da Reunião de Alto Nível do Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União Africana, realizada sob a presidência de Angola, à margem da 80.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, a 24 de Setembro de 2025.
A realização da cimeira em Luanda insere-se também no papel assumido por Angola na agenda continental de paz e segurança, incluindo o mandato do Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço enquanto Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação.
A reunião dos Chefes de Estado e de Governo será antecedida, a 29 de Agosto, pela 26.ª Sessão Extraordinária do Conselho Executivo da União Africana, que reúne os ministros responsáveis pelas Relações Exteriores ou Negócios Estrangeiros dos Estados-membros.
Esta sessão ministerial funcionará como uma antecâmara da cimeira de Chefes de Estado, preparando a agenda e os documentos que deverão ser submetidos à apreciação dos líderes africanos.
Entre os documentos em preparação estará o Projecto de Decisão e Plano de Acção de Luanda para o “Reforço dos Mecanismos de Prevenção e Resolução de Conflitos em África”, que deverá constituir um dos principais resultados políticos do encontro.
A expectativa é que o processo permita reforçar a capacidade institucional da União Africana para responder às crises e aproximar os instrumentos continentais das metas estabelecidas na Agenda 2063 – “África que Queremos”.
Mais do que uma declaração política, o desafio colocado à reunião será transformar a prevenção de conflitos numa resposta mais operacional e previsível, reforçando a capacidade africana de antecipar crises, mobilizar mecanismos diplomáticos e evitar que tensões políticas e sociais evoluam para confrontos de maior dimensão.
A cimeira de Luanda deverá, nesse sentido, procurar alinhar os instrumentos de paz e segurança da União Africana com uma abordagem preventiva, coordenada e sustentável, num momento em que a estabilidade continua a ser uma das condições fundamentais para acelerar a integração e o desenvolvimento económico do continente.





