O líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, dissolvida em 2023, desmente o Tribunal Regional Militar da Guiné-Bissau, que determinou a suspensão da prisão preventiva aplicada por um período de três meses, alegando razões humanitárias e legais relacionadas com o estado de saúde do político.
Em entrevista à RTP-África, Domingos Simões Pereira, que se encontra em Portugal, clarificou que se evoca a questão médica, afirmando que não se encontrou com nenhum médico e que não padece de nenhuma enfermidade.
“Fisicamente. Sinto-me muito. Foi uma desculpa para a minha libertação. Penso que 99% da população guineense acredita que tudo isto foi montado para antecipar a cimeira da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental). De repente, receberam uma injecção de sensibilidade com os direitos humanos e passaram a pensar na vida e da integridade de Domingos Simões Pereira. É uma grande farsaˮ, explicou o político.
A decisão sobre a libertação de Domingos Simões Pereira consta de um despacho judicial datado de 22 de Julho de 2026 e assinado pelo juiz militar Mamadú Embaló. Segundo o documento, o pedido de suspensão da medida de coação foi apresentado pela defesa de Domingos, tendo sido sustentado por um relatório médico emitido pelo Hospital Principal Militar de Bissau.
O presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau acredita que a União Europeia e Portugal tocaram na palavra-chave, mencionando sanções, restrições em relação ao movimento das pessoas que estão envolvidas, o controlo dos activos financeiros que as mesmas têm
“Provavelmente, por isso, pensaram em dar um sinal de boa vontade, de dizer que por questões humanitárias e por razões de saúde, vamos dar-lhe uma oportunidade. Eu estive sempre bem, todos os dias da minha presença na segunda esquadra, eu recebi o director que me perguntava como é que se sentia. Eu sempre disse que não tenho nenhuma queixaˮ, sustentou.
O político guineense garantiu que não está a receber nenhum tratamento médico em Portugal, assegurando que sempre cuidou da sua saúde.
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a União Africana (UA) suspenderam Guiné-Bissau dos seus órgãos, dois dias depois do Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, ter sido deposto e da tomada do poder pelos militares.
O país tem enfrentado desenvolvimentos políticos sob a governação de um comando militar e conselhos de transição, com foco em processos constitucionais e preparação de novas eleições.





