Jornalistas de São Tomé e Príncipe retomam trabalho com confiança “profundamente abalada”

O Sindicato dos Jornalistas Santomenses (SJS) suspendeu esta Terça-feira a greve nos órgãos públicos de comunicação social, mas advertiu que as reivindicações que estiveram na origem da paralisação continuam por resolver e exigiu do Governo medidas concretas para cumprir os compromissos assumidos. A decisão determina o regresso imediato ao trabalho dos jornalistas, técnicos e demais…
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Os jornalistas dos órgãos públicos de São Tomé e Príncipe regressam esta Terça-feira ao trabalho, mas sem que estejam resolvidas as reivindicações que motivaram a greve, numa decisão considerada de responsabilidade para ultrapassar o impasse.
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O Sindicato dos Jornalistas Santomenses (SJS) suspendeu esta Terça-feira a greve nos órgãos públicos de comunicação social, mas advertiu que as reivindicações que estiveram na origem da paralisação continuam por resolver e exigiu do Governo medidas concretas para cumprir os compromissos assumidos.

A decisão determina o regresso imediato ao trabalho dos jornalistas, técnicos e demais profissionais da Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe (RNSTP), da Televisão São-Tomense (TVS) e da agência STP-PRESS.

Num comunicado divulgado esta Terça-feira, e citado pela Lusa, o sindicato deixou, contudo, claro que a suspensão “não significa” que os problemas que motivaram a greve estejam resolvidos.

Segundo o SJS, a decisão resultou da avaliação do percurso da paralisação, das posições assumidas pelas partes durante as negociações e da auscultação dos profissionais que permaneceram em greve.

A suspensão, porém, não foi consensual entre os trabalhadores em paralisação. De acordo com o sindicato, a maioria defendia a continuidade da greve até ao efectivo cumprimento dos compromissos assumidos pelo Governo.

O SJS considerou, ainda assim, que a suspensão constitui, no actual contexto, a melhor solução para ultrapassar o impasse e preservar a unidade dos profissionais. Ao mesmo tempo, afirmou que a confiança no processo negocial ficou “profundamente abalada” por sucessivos episódios de incerteza, compromissos cuja execução ficou aquém das expectativas e informações contraditórias sobre o cumprimento das obrigações assumidas.

“A confiança não se reconstrói através de palavras, promessas ou anúncios, mas mediante actos concretos, verificáveis e capazes de demonstrar que os compromissos assumidos serão efectivamente cumpridos”, afirmou o sindicato, sublinhando que a suspensão deve ser entendida “como uma decisão de responsabilidade e não como um acto de confiança cega nas autoridades”.

A greve, iniciada a 2 de Setembro por tempo indeterminado, tinha entre as principais reivindicações a regularização de valores provenientes da Taxa Audiovisual e a melhoria das condições de trabalho nos três órgãos públicos.

No início da paralisação, o presidente do SJS, Jorge Do Ó, justificou o movimento com o que classificou como mais um incumprimento de memorandos anteriormente assinados com o Governo para resolver problemas que já tinham provocado outras greves.

Como condição para suspender a paralisação, o SJS tinha exigido o pagamento imediato dos subsídios em atraso relacionados com a Taxa Audiovisual e ameaçado boicotar a cobertura da tomada de posse do Presidente da República, Carlos Vila Nova, a 3 de Setembro, do Dia das Forças Armadas, a 6 de Setembro, e do início da campanha para as eleições legislativas, autárquicas e regionais, previsto para 12 de Setembro.

Apesar da ameaça, nenhuma dessas coberturas foi afectada. Segundo o sindicato, a Rádio Nacional e a TVS asseguraram a transmissão integral e em directo das actividades, com recurso às chefias dos órgãos, jornalistas estagiários e alguns trabalhadores que, de acordo com o SJS, terão sido pressionados pelo Governo e pelas direcções das instituições.

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