PR apela ao investimento e inovação para reforçar a segurança alimentar em África

O Presidente de Angola, João Lourenço, defendeu, esta Segunda-feira, em Roma, Itália, a necessidade de reforçar os investimentos, a inovação tecnológica e a cooperação internacional para combater a fome e a desnutrição, considerando que África dispõe de recursos naturais e condições para se afirmar como um dos principais centros mundiais de produção alimentar. Ao discursar…
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João Lourenço destaca potencial agrícola do continente, apresenta programa de combate à seca avaliado em 4,2 mil milhões de dólares e pede apoio à candidatura de Josefa Sacko à direcção-geral da FAO.
Economia

O Presidente de Angola, João Lourenço, defendeu, esta Segunda-feira, em Roma, Itália, a necessidade de reforçar os investimentos, a inovação tecnológica e a cooperação internacional para combater a fome e a desnutrição, considerando que África dispõe de recursos naturais e condições para se afirmar como um dos principais centros mundiais de produção alimentar.

Ao discursar no Fórum Mundial da Alimentação de 2026, subordinado ao lema “Inovar Hoje para Alimentar Amanhã”, o Chefe de Estado angolano considerou que a erradicação da fome exige respostas colectivas, assentes na mobilização de recursos financeiros, na transferência de tecnologia, na capacitação técnica e no desenvolvimento de sistemas agrícolas mais produtivos e resilientes.

João Lourenço chamou a atenção para o contraste entre a abundância de alimentos em países com elevada capacidade tecnológica e produtiva e as dificuldades de acesso à alimentação enfrentadas por milhões de pessoas em diferentes regiões do mundo.

Na sua intervenção, apontou os conflitos armados, as alterações climáticas, as secas, as inundações, a desertificação e a proliferação de pragas entre os factores que comprometem a produção agrícola, perturbam as cadeias de abastecimento e agravam a insegurança alimentar.

O Presidente angolano defendeu, por isso, uma abordagem integrada, envolvendo governos, sector privado, instituições científicas, organizações não-governamentais e sociedade civil, sublinhando que a inovação deve ultrapassar a dimensão tecnológica e incluir mudanças nas políticas, nos mecanismos de financiamento e nas formas de cooperação internacional.

África tem potencial para ser o celeiro do mundo

Ao abordar os desafios do continente africano, João Lourenço considerou que a persistência da fome e da desnutrição contrasta com a disponibilidade de terras aráveis, recursos hídricos e condições climáticas favoráveis existentes em várias regiões de África.

Para transformar esse potencial em resultados concretos, o estadista defendeu a mobilização de investidores capazes de disponibilizar capital, tecnologia e conhecimento, com particular atenção à formação dos jovens e ao aumento da produtividade agrícola.

Segundo o Presidente, o reforço da produção por hectare, a melhoria da qualidade dos produtos e o aumento dos volumes produzidos poderão contribuir para expandir as exportações de produtos agrícolas e pecuários e elevar o peso do sector na economia dos países africanos.

João Lourenço destacou igualmente a importância da agricultura familiar, que classificou como a espinha dorsal dos sistemas de produção alimentar, defendendo políticas realistas que combinem conhecimentos tradicionais, formação técnica e utilização das tecnologias disponíveis.

O Chefe de Estado considerou ainda que a concretização das prioridades da Agenda 2063 da União Africana depende, em grande medida, da construção de infra-estruturas capazes de apoiar a produção, a transformação e a comercialização dos produtos agrícolas.

Angola investe 4,2 mil milhões de dólares no combate à seca

No contexto nacional, João Lourenço apresentou o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), orçado em 4,2 mil milhões de dólares norte-americanos, destinado a responder aos efeitos da seca nas províncias do Cunene, Huíla e Namibe.

De acordo com o Presidente da República, o programa encontra-se parcialmente executado e deverá contribuir para reduzir a fome e a pobreza nas regiões abrangidas.

A iniciativa contempla a construção de albufeiras para o armazenamento de milhões de metros cúbicos de água transferida do rio Cunene, bem como centenas de quilómetros de canais a céu aberto, com o objectivo de assegurar o abastecimento de água às populações e apoiar o desenvolvimento da agricultura e da pecuária ao longo do ano.

O estadista sublinhou que o reforço da disponibilidade de água constitui um dos elementos centrais da estratégia de adaptação às alterações climáticas e de melhoria da capacidade produtiva das comunidades do sul do país.

Na mesma ocasião, destacou a cooperação entre Angola e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), considerando que a parceria tem contribuído para a definição de prioridades e para a aproximação entre as zonas de produção, os centros de transformação alimentar e os mercados.

Corredor do Lobito pode impulsionar a agricultura e o comércio regional

O Presidente angolano atribuiu também importância às iniciativas Hand-in-Hand e AgroCorredores, que considerou instrumentos relevantes para atrair investimentos, desenvolver o agronegócio e aumentar a competitividade da agricultura nacional.

Na sua intervenção, destacou o Corredor do Lobito como uma plataforma com potencial para ultrapassar a função logística, estimulando a criação de indústrias, o desenvolvimento de cadeias regionais de valor e a ligação entre os centros de produção e os mercados regionais e internacionais.

Segundo João Lourenço, a criação de corredores económicos capazes de facilitar a circulação de pessoas e mercadorias é essencial para aproximar produtores, unidades de transformação e consumidores, contribuindo para a integração económica africana.

O Chefe de Estado relacionou esta perspectiva com a Zona de Comércio Livre Continental Africana, que, segundo referiu, representa um mercado de aproximadamente 1,5 mil milhões de consumidores.

Na visão apresentada pelo Presidente, o desenvolvimento de infra-estruturas de transporte e logística poderá ampliar as oportunidades de comercialização dos produtos agrícolas, estimular o investimento privado e fortalecer a participação dos países africanos nas cadeias internacionais de abastecimento.

João Lourenço pede apoio à candidatura de Josefa Sacko à FAO

O discurso serviu igualmente para Angola apresentar a candidatura da engenheira angolana Josefa Leonel Correia Sacko ao cargo de directora-geral da FAO, iniciativa que, segundo João Lourenço, foi concertada com a União Africana.

O Presidente destacou a experiência da candidata, que exerceu funções de secretária-geral da Organização Inter-Africana do Café durante três anos e de comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, entre 2017 e 2024.

João Lourenço solicitou o apoio dos participantes no Fórum à eleição de Josefa Sacko, manifestando a convicção de que a sua eventual liderança poderá contribuir para os esforços de promoção da segurança alimentar em África e no mundo.

A candidatura foi apresentada num encontro que atribui particular atenção à investigação científica, à inovação e à participação juvenil na transformação dos sistemas alimentares.

FAO chamada a reforçar a cooperação internacional

Na parte final da intervenção, João Lourenço defendeu o reforço do papel da FAO enquanto plataforma de concertação entre governos, instituições académicas e científicas, instituições financeiras, sector privado e sociedade civil.

Para o Presidente angolano, a transformação dos sistemas alimentares exige uma cooperação internacional orientada para interesses comuns, capaz de reduzir tensões, promover a paz e criar condições para o desenvolvimento económico e social.

O Fórum Mundial da Alimentação de 2026 reúne diferentes protagonistas ligados à produção e à transformação dos alimentos, à ciência, à inovação e à juventude, procurando identificar soluções para os desafios da segurança alimentar.

Ao concluir, João Lourenço manifestou a expectativa de que os trabalhos do encontro produzam resultados concretos para melhorar a produção mundial de alimentos, combater a fome e promover uma prosperidade partilhada.

 

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