Corredor marítimo Cabo Verde–Guiné-Bissau mobiliza projectos de 66 milhões de euros

O presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Administração dos Portos (ENAPOR), Hamir Inocêncio, destacou, nesta Segunda-feira, 26, na Ilha do Sal, a mobilização de investimentos para o desenvolvimento de corredores marítimos e a modernização das infra-estruturas portuárias de Cabo Verde, com vista ao reforço da conectividade comercial e à afirmação do arquipélago…
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PCA da ENAPOR apresenta os estudos realizados em 2025 para o desenvolvimento de um corredor marítimo entre Cabo Verde e a Guiné-Bissau, concebido para facilitar o transporte de mercadorias e passageiros e aprofundar a integração económica entre os dois países.
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O presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Administração dos Portos (ENAPOR), Hamir Inocêncio, destacou, nesta Segunda-feira, 26, na Ilha do Sal, a mobilização de investimentos para o desenvolvimento de corredores marítimos e a modernização das infra-estruturas portuárias de Cabo Verde, com vista ao reforço da conectividade comercial e à afirmação do arquipélago como plataforma logística regional.

Durante a sua intervenção no Fórum de Investimento da África Lusófona, o responsável apresentou os estudos realizados em 2025 para o desenvolvimento de um corredor marítimo entre Cabo Verde e a Guiné-Bissau, concebido para facilitar o transporte de mercadorias e passageiros e aprofundar a integração económica entre os dois países.

De acordo com a apresentação, o projecto está estruturado em duas componentes. A primeira prevê uma ligação marítima para o transporte de contentores, com um investimento estimado em 16 milhões de euros, enquanto a segunda, orientada para o transporte de mercadorias e passageiros, está avaliada em cerca de 50 milhões de euros.

No conjunto, as duas componentes representam um investimento estimado em 66 milhões de euros, destinado a melhorar a circulação de bens e pessoas e a criar condições para o aumento das trocas comerciais entre os mercados da África Ocidental.

Brasil no horizonte das novas rotas comerciais

A criação de ligações marítimas entre o Brasil, Cabo Verde e outros mercados africanos constitui outra das oportunidades identificadas pela ENAPOR. Hamir Inocêncio revelou que investidores brasileiros manifestaram interesse em estudar uma rota comercial com passagem pelo arquipélago, tendo em conta a sua posição geográfica nas ligações marítimas entre a América do Sul e a Europa.

O responsável salientou, contudo, que a viabilidade económica destas operações depende da existência de carga nos dois sentidos. Além da capacidade de receber importações, será necessário identificar produtos cabo-verdianos e de outros países africanos com potencial de exportação para o mercado brasileiro.

A disponibilidade de volumes de mercadorias suficientes é considerada determinante para garantir a sustentabilidade das rotas e tornar as operações comercialmente atractivas. Neste sentido, a ENAPOR pretende reforçar a cooperação com parceiros comerciais e países da região para identificar oportunidades de negócio, diversificar os fluxos de carga e ampliar a utilização dos portos nacionais.

Porto da Palmeira e Porto Grande entre as prioridades

No domínio das infra-estruturas, o presidente da ENAPOR destacou a expansão do Porto da Palmeira, na ilha do Sal, e a modernização do Porto Grande, em São Vicente.

O reforço destas infra-estruturas deverá contribuir para aumentar a capacidade de movimentação de contentores, melhorar as condições operacionais e ampliar a capacidade de recepção de navios que circulam ao longo da costa atlântica.

Hamir Inocêncio apontou igualmente o Porto de Sines, em Portugal, como exemplo de uma infra-estrutura cuja expansão, associada à participação privada, permitiu reforçar a capacidade operacional e criar novas oportunidades económicas.

Na perspectiva da ENAPOR, a modernização portuária poderá permitir a Cabo Verde aproveitar as alterações nas rotas comerciais internacionais, incluindo os desvios de navegação provocados por constrangimentos em corredores marítimos estratégicos.

O responsável referiu ainda que o país registou uma evolução no número de navios que escalaram os seus portos entre 2025 e 2026, embora não tenha avançado números absolutos para quantificar esse crescimento.

Cabo Verde quer afirmar-se como plataforma logística regional

A estratégia apresentada pela ENAPOR passa por transformar a localização geográfica de Cabo Verde numa vantagem económica, atraindo operações de transbordo e redistribuição de mercadorias destinadas a Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e outros mercados africanos.

Para concretizar esta ambição, Hamir Inocêncio considerou indispensável combinar investimentos públicos e privados, financiamento internacional e maior articulação com os parceiros comerciais da região.

A iniciativa pretende reforçar a competitividade dos portos cabo-verdianos no transporte marítimo internacional, ampliar as oportunidades de negócio e consolidar o arquipélago como ponto de ligação entre a África, a Europa e as Américas.

O desenvolvimento de corredores marítimos, aliado à expansão e modernização das infra-estruturas portuárias, surge, assim, como um dos eixos da estratégia da ENAPOR para aumentar a conectividade comercial de Cabo Verde e reforçar a sua integração nas cadeias logísticas internacionais.

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