A taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real africano deverá fixar-se nos 4,1 % este ano, uma diferença de 3% em relação aos 7% registados em 2021, altura em que as economias do continente davam sinais de recuperação, depois do “forte impacto negativo” provocado pela Covid-19.
A previsão da desaceleração do crescimento do PIB em África consta do African Economic Outlook do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), divulgado recentemente e compilado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA.
O relatório prevê que a economia do continente registe uma estagflação – processo que resulta da combinação entre crescimento lento e alta taxa de inflação. O conflito entre a Rússia e a Ucrânia, principalmente as sanções ao comércio impostas aos russos, são apontados como um dos principais factores que levarão à esta situação.
Caso a guerra entre os dois países se prolongue, o BAD perspectiva mesmo que o crescimento do PIB real do continente possa vir a estagnar nos 4%, em 2023.
A trajectória de crescimento e desenvolvimento do continente africano a medio e longo prazo continua, igualmente, a ser afectada pela vulnerabilidade persistente da dívida soberana de muitos países, a baixa implementação da vacinação contra a Covid-19, os elevados níveis de endividamento, bem como as preocupações com o clima e o ambiente, refere o African Economic Outlook.
Entretanto, o impacto negativo do crescimento não deverá ser sentido na mesma proporção, ou seja, alguns países vão sentir muito mais os efeitos em relação aos outros, explica o BAD, acrescentando, entretanto, que os países que exportam petróleo e outras commodities podem se beneficiar dos preços altos destes bens. No sentido inverso, aqueles que importam commodities vão ver a inflação a aumentar e a actividade económica ficará restrita, uma consequência dos preços mais altos dos alimentos e da energia.
Mas nem tudo são más notícias. Percebendo a dimensão da crise alimentar que deverá atingir o continente neste e no próximo ano, caso a guerra continue, o Banco Africano de Desenvolvimento desembolsou 1,5 mil milhões de dólares, para apoiar a produção de alimentos e o fornecimento de fertilizantes.
O dinheiro servirá ainda para aliviar as restrições de financiamento do sector social, segundo apurou a FORBES no relatório do BAD sobre as perspectivas económicas de África.
Jaime Pedro





