Apenas dois presidentes lusófonos confirmam presença na cimeira Rússia/África

A cimeira Rússia/África, que decorre a partir desta Quinta-feira, 27, em São Petersburgo, tem confirmada a presença apenas de dois chefes de estado lusófonos (Moçambique e Guiné-Bissau) e há um, Cabo Verde, que nem sequer envia representação. Informações dão conta que a Guiné-Bissau e Moçambique estarão representados ao mais alto nível, com os Presidentes Umaro…
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Cabo Verde não enviará qualquer representante à cimeira que junta a Rússia e os países africanos, que deverá ser marcada não só pela invasão da Ucrânia, mas também pela questão do acesso aos cereais.
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A cimeira Rússia/África, que decorre a partir desta Quinta-feira, 27, em São Petersburgo, tem confirmada a presença apenas de dois chefes de estado lusófonos (Moçambique e Guiné-Bissau) e há um, Cabo Verde, que nem sequer envia representação.

Informações dão conta que a Guiné-Bissau e Moçambique estarão representados ao mais alto nível, com os Presidentes Umaro Sissoco Embaló e Filipe Nyusi, respectivamente, enquanto Angola enviou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Téte António, e São Tomé e Príncipe estará representado pelo embaixador em Lisboa, que está também acreditado em Moscovo.

Pelo contrário, Cabo Verde não enviará qualquer representante à cimeira que junta a Rússia e os países africanos, e que deverá ser marcada não só pela invasão da Ucrânia, mas também pela questão do acesso aos cereais russos e ucranianos (cujas vendas a África foram dificultadas ou mesmo suspensas devido à guerra), a presença do grupo paramilitar Wagner em vários países africanos, e a venda de armamento.

Na semana passada, diz a Lusa, o Presidente da Guiné-Bissau afirmou que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) está preocupada com a presença de mercenários do grupo russo Wagner na região, nomeadamente no Mali. “Sim, estamos preocupados com essa presença e não só”, disse Umaro Sissoco Embaló, quando questionado na última quarta-feira sobre se a ‘troika’ criada na última cimeira de chefes de Estado da CEDEAO para analisar e encontrar soluções para as questões de segurança na região.

Para além de Moçambique e Guiné-Bissau, estarão representados pelos Presidente a África do Sul e o Egipto; o vice-presidente da Nigéria, Kashim Shettima, e os primeiros-ministros de Marrocos, Aziz Ajanuch, e da Argélia, Aimen Benabderrahmane.

Entretanto, questionando hoje pelos jornalistas sobre este assunto, o primeiro-ministro cabo-verdiano justificou a ausência do país da cimeira, que decorre esta semana em São Petersburgo, para não ter nenhuma acção que possa ser interpretada como apoio a invasão da Rússia à Ucrânia.

“Cabo Verde não vai participar”, respondeu Ulisses Correia e Silva, na cidade da Praia, à margem do debate alargado inserido no Acordo de Concertação Estratégica (2023-2026).

O chefe do governo cabo-verdiano disse que a não participação do país na cimeira não terá implicações, uma vez que Cabo Verde faz as suas escolhas e já fez a sua escolha neste contexto de guerra.

“Nós somos e fomos coerentes desde o primeiro momento, nós condenamos a invasão da Rússia à Ucrânia nos fóruns próprios a nível das resoluções da Nações Unidas e continuamos com a mesma opção de até esta guerra terminar não termos nenhuma acção que possa ser interpretada como apoio a esta invasão”, explicou Ulisses Correia e Silva.

De acordo com a agência russa de notícias, a TASS, Putin terá reuniões individuais com os presidentes das Comoros, Moçambique, Burundi, Zimbabué, Uganda e Eritreia.

O Presidente russo receberá entre quinta e sexta-feira os representantes de 49 dos 54 países africanos, incluindo 17 chefes de Estado, depois de criticar aquilo que chamou de “pressões sem precedentes” por parte dos Estados Unidos e da França para os países africanos não participaram.

Num artigo publicado na segunda-feira no ‘site’ do Kremlin, o Presidente russo escreveu que “hoje, a parceria construtiva, confiante e voltada para o futuro entre a Rússia e a África é particularmente significativa e importante”.

Espera-se desta segunda cimeira que a Rússia e os países africanos assinem um “plano de ação até 2026” e uma série de documentos bilaterais, como anunciou o Kremlin, tentando que a relação vá além dos acordos na área da defesa e venda de armas, que resumem, na maioria dos casos, até hoje a relação de Moscovo com África.

Contudo, para Moscovo o mais importante, segundo analistas internacionais ouvidos pela Lusa, é mostrar um entendimento com os Estados africanos, apesar do conflito na Ucrânia, que alguns condenaram nas Nações Unidas, e o fim do acordo dos cereais.

*Com Lusa

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